24/11/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Investimentos em eólicas podem somar 50 bilhões de euros

Gerar energia a partir do vento nunca foi uma unanimidade mundo afora. Mesmo com todo apoio europeu, que acolheu há alguns anos a tecnologia, o fato é que a energia eólica nunca arrancou suspiros dos Estados Unidos, da Ásia e da América Latina, incluindo o Brasil. E as razões eram as mais diversas possíveis, desde o acesso às máquinas, ao custo do projeto e até a eficiência na obtenção do insumo.

Só que essa percepção pode estar ficando para trás, principalmente quando se observa os números do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês). Segundo essa organização internacional da indústria eólica, que reúne mais de 1,5 mil companhias, associações e organizações em mais de 50 países, a geração de megawatts a partir da força dos ventos deverá receber uma injeção de ? 50 bilhões até 2020, o que elevaria a capacidade global dos 74 gigawatts (GW) de 2006 para 1000 GW, em 2020.

"A previsão é que a matriz eólica já alcance os 92 GW neste ano", afirma Steve Sawyer, secretário-geral do GWEC, ao Valor. Em alcançando o patamar de 1000 GW, muito provavelmente essa fonte de insumo saltará do atual 1% de participação para algo como 12% em 2020 na matriz energética mundial.

No Brasil, contudo, é difícil precisar o tamanho do potencial de geração a partir desta fonte. Para a organização não-governamental Greenpeace, por exemplo, haveria potencial para se gerar entre 140 GW e 200 GW a partir da força dos ventos somente em usinas localizadas em terra. Esta perspectiva não inclui construções de eólicas nos oceanos.

Atualmente, o Brasil tem uma capacidade instalada de 200 MW de eólicas. E a previsão é que o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) acrescente 1,1 GW ao potencial de hoje, o que significaria investimentos de R$ 5 bilhões.

Mas por que razão a energia eólica apresentou crescimento de 24,3% entre 2007 e 2006? E por que motivo resultou em vendas de US$ 23 bilhões em equipamentos no ano passado?

Não há resposta única, mas boa parte desse recurso e do incremento de capacidade resulta do barateamento de equipamentos e do atual cenário da energia no mundo. Com o preço do petróleo próximo dos US$ 100, o que encarece bastante a energia obtida a partir dos combustíveis fósseis, e questões envolvendo a segurança de fornecimento de matérias-primas para a produção dos megawatts, a fonte eólica ganhou um sopro de competitividade.

Mas não foi só isso. A geração a partir dos ventos também aumentou seu grau de competitividade com a crescente discussão sobre a emissão de carbono na atmosfera. Hoje, 40% da emissões de carbono na atmosfera decorrem da geração de energia, o que equivale a 12 bilhões de toneladas. E a situação poderá ficar ainda pior.

Dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) mostram que a China deverá ultrapassar os EUA como o maior emissor de carbono ainda em 2007. Já a Índia deverá se tornar o terceiro maior em 2015. E chineses e indianos serão responsáveis por um incremento de 45% na demanda por energia até 2030.

Diante dessas perspectivas, a cifra de 50 bilhões de euros não parece tão absurda, principalmente quando se leva em consideração que os Estados Unidos têm sido o maior mercado do mundo para os fabricantes de equipamentos eólicos nos últimos dois anos. Só que os americanos não deverão ficar sozinhos por muito tempo, porque os planos da China miram a energia a partir de fontes renováveis. "Os chineses planejam gerar 30 mil MW a partir dos ventos até 2020", conta Sawyer.

Mas de fato, a sede americana pela fonte eólica existe. Tanto que as companhias privadas andam se mexendo por lá. O mais recente movimento partiu da energética portuguesa EDP, que no fim de março de 2007 pagou US$ 2,9 bilhões para arrematar a americana Horizon junto ao Goldman Sachs, seu antigo controlador.

Com a aquisição, portanto, a EDP não só se tornou o quarto maior gerador do mundo em megawatts eólicos, como também colocou um pé no potencial dos EUA. Estimativas do grupo português dão conta que este país acrescentará 16,5 mil MW entre este ano e 2010, sendo que hoje o mercado americano já é de 11,6 mil MW.

PorMaurício Capela

Por: Power/Valor Econômico