08/11/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Até 2024, a maior parte dos recursos do mar poderá desaparecer

De acordo com projecções de peritos em investigação pesqueira e mudanças climáticas, a maior parte dos recursos vivos do mar poderá desaparecer até 2024 devido às alterações do clima e à acção do homem, revelou ontem a vice-ministra das Pescas de Angola, Antónia de Barros Neto.

Muitas espécies em todo o mundo estão hoje ameaçadas pelas alterações climáticas e outras em vias de extinção devido, por um lado, à crise climática e, por outro, à intromissão do ser humano em locais onde elas se desenvolvem.

De acordo com a vice- -ministra, que falava ontem na abertura das 14ª jornadas técnico científicas do Instituto Nacional de Investigação Pesqueira (INIP) no país, que decorrem sob o lema "As mudanças climáticas e os novos desafios da investigação pesqueira e tecnológica", se não forem tomadas medidas adequadas e em tempo oportuno poder-se-á assistir à extinção da vida na terra.

Antónia de Barros Neto frisou que em 2005, o ano mais quente registado até agora, houve uma perda maciça de recifes de corais. Já em 1998, o segundo ano mais quente, estimou-se que o que mundo havia perdido 16% dos seus recifes de corais.

A vice-ministra das Pescas, citando o ex-vice-Presidente norte-americano, Al Gore, disse que o mundo está a enfrentar o que os biólogos descrevem como uma crise de extinção em massa, com uma percentagem de extinção que é hoje mil vezes superior à percentagem normal.

Perante o futuro pouco saudável que se desenha, disse, acções devem ser levadas a cabo, tanto a nível nacional como internacional, para impedir a extinção de muitas espécies e subsequentemente a redução da biodiversidade.

A vice-ministra das Pescas explicou que a acumulação de gases nocivos na atmosfera destrói a camada de ozono, que serve de protecção da terra contra os raios ultravioleta, originando o rápido aquecimento do globo terrestre.

O desmatamento de muitas florestas por queimadas naturais, a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, carvão e gás natural, associados ao desenvolvimento tecnológico, constituem as principais causas deste fenómeno.

A directora geral do Inip, Francisca Delgado, disse que a instituição tem como prioridade a abordagem de temas que explorem aspectos ligados à dinâmica dos recursos pesqueiros e ao uso de novas tecnologias no processamento dos produtos de pescas que contribuam para a redução do impacto negativo da acção do homem sobre a natureza. De acordo com a directora geral do Inip, a reabilitação e o apetrechamento do navio angolano de investigação pesqueira, denominado N/I Tombwa, vai ajudar na monitorização ambiental.

O evento, que termina amanhã, junta peritos em investigação pesqueira e mudanças climáticas nacionais e estrangeiros, que vão debater temas divididos em três painéis, designadamente "Ambiente e saúde dos ecossistemas aquáticos", "Recursos biológicos e aquáticos" e "Controlo e qualidade de produtos da pesca".

Domingos dos Santos

Fonte: Jornal de Angola

Por: Carbono Brasil