26/10/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

TV Brasil ganha primeira afiliada

Em junho, a jornalista Tereza Cruvinel visitou Sergipe e ouviu uma promessa do governador Marcelo Déda (PT): “Se o Franklin Martins emplacar a TV Pública, serei o primeiro a aderir”. O que era intenção se tornou realidade nesta quinta-feira (25), quando Franklin e Déda assinaram em Aracaju — na presença de Cruvinel — o termo de adesão da Aperipê TV à Rede Brasileira de Televisão Pública (TV Brasil).

“Esse é o protocolo de largada, e Sergipe está na pole-position. Queremos reunir, se possível, todas as TVs Públicas do Brasil”, afirmou o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A solenidade de adesão deu início ao Seminário sobre Programação para TV Pública, que vai até sexta-feira (26), no Hotel Quality, em Aracaju.

A maior virtude da nova emissora, segundo o ministro, será a pluralidade. “A TV Brasil terá todos os sotaques, e não só o de São Paulo. Haverá quatro horas diárias de programação independente”, declara. “Não podemos tratar o telespectador como consumidor, mas como cidadão, a cujo espírito crítico a TV Pública dará valor.”

Quem concorda com Franklin é Cruvinel, nomeada presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que vai gerenciar a TV Pública. Diz ela que a televisão comercial, por sua natureza, não consegue mostrar “tantos Brasis”. Em contrapartida, “há muitas incompreensões em torno da TV Pública — o que torna ainda mais destacada a maturidade de Sergipe.”

Com a adesão da Aperipê, o Brasil terá possibilidade de conhecer a realidade do menor — e nem por isso inexpressivo — estado do país. “Quando estive aqui em junho, me encantei com o Forró Caju, os Barcos de Fogo. O Brasil tem diversas manifestações maravilhosas que ninguém conhece porque não são divulgadas”, diz Cruvinel, que ressaltou o viés cultural e educativo da TV Brasil.

A jornalista lembrou que Getúlio Vargas vislumbrava um projeto do gênero, que foi engavetado com o suicídio do presidente. “Vargas até criou a Rádio Nacional e pensou numa TV Pública. É singular que a rede surja agora, durante o governo do presidente Lula — que, pelas origens, sofre tamanhas incompreensões.”

Para Marcelo Déda, a adesão fortalece também a Aperipê — uma emissora criada com fins políticos, governistas, que estava sucateada e desatualizada. Ao assumir o governo do estado, neste ano, o petista nomeou Indira Amaral, do PCdoB, para a presidência da Fundação Aperipê. A missão: tornar a emissora menos política, sem ranço governista, além de modernizar a estrutura e a programação.

Agora, Déda vê “o passo estratégico no rumo de um novo modelo”, no qual a TV deixa de ser definitivamente “um Diário Oficial eletrônico” e ficar de fato pública. “O que era garrucha dos coronéis se torna uma arma do povo”, discursou o governador. E Sergipe, a seu ver, “voltou à cena audiovisual”.

Da solenidade desta quinta-feira, também participaram Eloísa Galdino (secretária da Comunicação do Sergipe), Helena Chagas (diretora de Jornalismo da TV Brasil) e Edvaldo Nogueira (prefeito de Aracaju), entre outras autoridades.

De Aracaju,

André Cintra

Por: vermelho.org.br