15/10/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

TV Digital. Como ela vai mudar sua maneira de ver televisão?

A primeira transmissão da TV digital terrestre no Brasil está prevista para ocorrer no início do mês de dezembro, na cidade de São Paulo. Neste contexto perguntas se impõem: qual grau de mudança que a TV digital representará na vida das pessoas? Qual a legislação regulamenta tal implementação? A televisão digital será apenas uma TV com maior definição? Qual o grau de participação da sociedade civil nas decisões que as concessionárias estão tomando? Nos canais abertos a interatividade será gratuita? Quais funções estarão disponíveis nas unidades receptoras-decodificadoras? Haverá autoprogramação?

Nesta reportagem discutiremos os pontos mais interessantes sobre o assunto e mais do que oferecer respostas deixaremos para você leitor opinar e entender como está se desenvolvendo o processo e como pode modificar a maneira pela qual assistimos televisão.

TV Digital

Questão 1 - A TV digital ampliará as ofertas de “canais” de acesso livre e gratuito e garantirá mais espaço a programas realmente educativos e que estimulem – como apregoa à Constituição – o espírito cívico e a cultura brasileira?

O decreto 5.820 estabelece qual padrão de sinais o país implantará, o ISBD, mas afirma que o sistema“possibilitará a transmissão digital em alta definição (HDTV) e em definição padrão (SDTV)”, ou seja não estabelece qual tipo de TV deve ser implantada no país.Os concessionários atuais que já deixaram claro – em vários simpósios – que vão adotar a TV de alta definição (HDTV) ao invés da TV de definição padrão (TVDP e SDTV) por “ser mais barato”. A justificativa é verdadeira, devido aos custos de produção, mas pode esconder uma opção por reduzir as possibilidades de ampliação do número de canais hoje existentes. Isto porque, o sistema padrão utiliza um espaço de espectro muito menor (cerca de quatro vezes) e – consequentemente – amplia a oferta.

O formato que parece bom para a sociedade, pois estimula produção de conteúdo, amplia a oferta de informação disponível e, se bem conduzido, o reduz a concentração de programadoras nas mãos de poucos grupos está, em princípio,preterido.

Pelo sistema de alta definição (HDTV), os mesmos canais estarão no ar, com talvez alguns acréscimos oriundos das atuais concessões existentes em UHF ou provenientes de concessões futuras neste espectro, mas pouco mudará a realidade de concentração de canais no país. Para isto, a IPTV (via internet) se apresenta como a opção mais viável (se se mostrar financeiramente viável).

O argumento dos que defendem o sistema de alta resolução é a qualidade da imagem e do som, o que é sem dúvida um sólido argumento. Entretanto, poucosprivilegiados terão, nos anos iniciais, condições de comprar um televisor digital. A maioria da população utilizará um conversor, ou seja, uma unidade receptora-decodificadora (UDR) para que seus atuais aparelhos captem o sinal. Ou seja, esta unidade transformará o sinal em analógico para a programação poder ser exibida pelo televisor atual. Neste processo, o telespectador assistirá um canal com imagem de DVD, obviamente boa, mas não com a quantidade de pixels e qualidade da HDTV. Simplificando, adotamos um modelo que reduz a quantidade de canais abertos disponíveis em troca de uma ótima imagem que sequer exisitirá na maioria dos lares do país, pelo menos em princípio.

Vale destacar ainda que, no início, poucos programas – geralmente os do horário nobre – irão ao ar em HDTV nas principais emissoras. Outro ponto interessante é: as unidades mais baratas terão HD que permitirá a gravação de conteúdo e autoprogramação?

2ªquestão - Os recursos interativos e a prestação de serviços ao cidadão - inclusive pelos órgãos governamentais – pode mudar a TV brasileira?

Esta questão aborda uma das principais promessas que traz consigo a TV digital. Os usuários poderão interagir com a programação e, por exemplo, acessar documentos num canal oficialou acessar conteúdos disponibilizados pelos concessionários?

Um problema inicial que se coloca é sobre como se dará esta interatividade: Haveráinteratividade remota síncrona? Por outro lado, os “extras” que serão veiculados pelos concessionários atuais (se serão? e como?) serão gratuitos? Ouficarão restritos ao grupo de maior poderio econômico da sociedade que pode pagarpelo conteúdo disponibilizado?

Osconcessionários têm a obrigação de fornecer conteúdos gratuitamente?A concessão que possuem os obriga a tal?

A legislação não é clara, pois o Congresso Nacional não legislou sobre o assunto. Em verdade, toda regulamentação existente sobre TV Digital é baseada em decretos.

Caso a interatividade seja uma realidade, a TV digital será muito mais que uma simples televisão a cores, pois poderá ampliar as experiências e a troca de informações entre os provedores de conteúdo e os usuários. Sem falar na autoprogramação, na qual o usuário pode escolher a hora em que vai assistir determinado programa.

Por outro lado, se esta interatividade, mesmo que existindo, se limitar a dar ao telespectador apenas poucas opções previamente definidas de clicar em alguns ícones, certamentea TV digital será uma televisão com melhor imagem, alguns recursos extras, mas não modificará substancialmente a percepção e a forma como as pessoas assistem e entendem televisão.

Neste contexto de interatividade, vale um elogio. O Governo Federal sinalizou de forma clara que estimulará a indústria nacional, através da adoção do Ginga, o “middleware que permite o desenvolvimento de aplicações interativas para a TV digital de forma independente da plataforma de hardware dos fabricantes de terminais de acesso” . O sistema da televisão digital brasileira é o ISDB (japonês)mais adequado que o DVB europeu e que o sistema norte-americano (ATSC) à realidade brasileira, além de permitir mobilidade.

Ou seja, o país sinaliza que protegerá sua indústria através da adoção de um “middleware nacional, resultado de anos de pesquisas lideradas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O “Ginga reúne um conjunto de tecnologias e inovações brasileiras que o tornam a especificação de middleware mais avançada e, ao mesmo tempo, mais adequada à realidade do país”.

texto entre aspas:

site oficial do Ginga Brasil: www.ginga.org.br

Materia elaborada pelo setor de mídia impressa da Universidade Estácio de Sá de Nova Friburgo com informações do site Ginga Brasil

Por: ForumSec21