12/03/2008 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Lâmpadas de mercúrio e sacolas plásticas: dois vilões do meio ambiente

Os nossos hábitos, muitas vezes, se tornam comodidadesindispensáveis. Será? Talvez um pouco mais de atenção faça toda a diferença. Ninguém deve patrulhar ninguém, todavia, um pouquinho que façamos, na soma de todos, vira muito. Por exemplo: o que você pode fazer para diminuir o uso de sacolas plásticas?

O planeta vem sofrendo inúmeros desequilíbrios em conseqüência de hábitos nem sempre responsáveisadotados por nossa sociedade. Entre tantos destes hábitos ruins, abordamos dois deles:

1 - O descarte das lâmpadas fluorescentes, que quando “rejeitadas”, liberam vapor de mercúrio – substância altamente tóxica, prejudicial ao meio ambiente e à saúde humana;

2 - As sacolas plásticas de supermercados, lojas, farmácias etc. Estas sacolas levam de 100 a 300 anos para se decomporem.

Vapor de mercúrio pode causar diversos males à saúde humana

As lâmpadas fluorescentes economizam energia, mas são altamente poluentes quando jogadas no lixo sem os devidos cuidados. O que produz a luminosidade destas lâmpadas é o vapor de mercúrio, uma substância extremamente tóxica.

O mercúrio existente no filamento das lâmpadas fluorescentes é um metal pesado destrutivo, que não se renova e nem se decompõe na natureza. Quando uma lâmpada se quebra, são liberados 0,5 mg de mercúrio na atmosfera, quantidade,considerada pequena. Mas se levarmos em consideração 80 milhões de lâmpadas/ano, produzidas no Brasil, a situação se tornapreocupante.

O mercúrio, quando inalado, concentra-se na corrente sanguínea, podendo provocar mal-estar estomacal, dores de cabeça e, em alguns casos, derrame cerebral. Para evitar isto, as lâmpadas fluorescentes deveriam ter um destino específico.

Preocupados com esta questão, Estados como Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Espírito Santo estabeleceram uma legislação que determina que materiais à base de mercúrio devam ter um destino próprio e sofrerem reciclagem. Na cidade de Jundiaí (SP), existe um equipamento apelidado de “Papa Lâmpadas”, que tritura o vidro e possui um filtro de carvão que retém o vapor de mercúrio, evitando que seja liberado na atmosfera. Este equipamento fica acoplado aos caminhões que fazem coleta de lixo no município, e o único trabalho que os moradores têm é somente separar as lâmpadas.

As sacolas plásticas

As sacolas plásticas representam um grande problema ambiental. Enterre uma sacola plástica no quintal de sua casa e deixe um bilhete para que alguém, daqui a um século, vá buscá-la. Sabe o que a pessoa irá encontrar? A sacola intacta! Supermercados, farmácias, lojasembalam tudo o que passa pelaregistradora em sacolasplásticas. Estas sacolas são feitas de um material sintético que causa estragos na natureza. Feitas de resina sintética originada do petróleo, os sacos plásticos levam séculos para se decomporem. No caso das sacolas usadas pelo comércio,a matéria-prima é plástico filme, produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade ou polipropileno. Se o leitorquiser saber mais sobre os tipos de plásticos, consulte http://www.plastivida.org.br/os_plasticos/tiposdeplastico.htm

Produção e consumo

Uma das novas práticas utilizadas pelos economistas para medir o grau de desenvolvimento econômico é verificar em que nível se situa o consumo do plástico.

No Brasil, são produzidas210 mil toneladas anuais do plástico filme, que representam cerca de 10 % de todo o lixo gerado no território nacional.

O consumogeral de plásticos no Brasil (todo tipo de plástico e não só o filme) já se aproxima de 2 milhões de ton/ano. No país, o consumo de plástico por habitante situou-se ao redor de 30 kg, em 2001. Esteconsumoé ainda bastante inferior ao de paises mais adiantados. Os Estados Unidos despontam com 100 kg ao ano por habitante. No mundo, são descartados 1 milhão de sacos plásticos/minuto, ou 1,5 bilhão por dia, mais de 500 bilhões por ano.

Em vários países são cobradas taxas para o uso de plásticos. Na Alemanha, os supermercados cobram, 30 centavos de euros por sacola, mas depende da espessura do plástico.

No Brasil, a legislação não reflete grandes avanços neste aspecto. Uma das poucas propostas neste sentido veio da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que aprovou, em 2004, uma lei que determinava a extinção das bolsas de plástico do comércio e propunha a substituição por sacolas de papel. Mas deve ter sido alguma brincadeira de 1º de abril, data em que o preceito foi promulgado. A norma deveria entrar em vigor 90 dias após a aprovação, mas sua aplicação nunca foi regulamentada.

Programas de conscientização estão sendo feitos pelo mundo, para que os consumidores passem a utilizar sacolas de pano trazidas de casa, assim como de papel e papelão.

Novos plásticos, velhos problemas

Recentemente, o governador de São Paulo seguiu os passos do prefeito Gilberto Kassab, que vetou projeto da Câmara Municipal que instituia a troca, pelas empresas, do uso de sacolas plásticas pelas “biodegradáveis”. O prefeito argumentou que não estão concluídos os estudos a respeito dos efeitos das utilização de materiais ditos biodegradáveis nas embalagens e nos produtos acondicionados nas mesmas.

Muitas sacolas, erroneamente chamadas de ecológicas, são um “Engodo Plastificado”, onde a técnica permite que o plástico se esfarele em pequenas partículas, até desaparecer ao olho nu, mas continua presente, disfarçado pelo tamanho reduzido, poluindo o ambiente, com o agravante de metais pesados contidos nos catalizadores empregados, como níquel, cobalto e manganês, para acelerar a degradação.

Degradável Orgânico é a solução?

Nesta nova linha de sacolas, podemos destacar as resinas feitas de mandioca, milho ou batata (não transgênicos), proteínas, celulose e óleos vegetais, razão pela qual o filme plástico resultante se deteriora pela ação de micro organismos em contato com o solo em um período de 40 a 120 dias.Com este material é possível obter um plástico 100% natural que se decompõe rapidamente, dando lugar a um composto orgânico que pode ser aproveitado como adubo. Se desmancham sem deixar resíduos, são inofensivos à saúde e certificados pela Food and Drugs Administration (FDA), órgão de controlenorte-americanos.A utilização deste tipo de material reduz o impacto ambiental a zero, pois tanto na sua degradação, quanto na sua incineração, a emissão de poluentes é nula. Os sacos, feitos de amido, se decompõem 0,25 g por dia em média.

Cobrar das empresas, através do poder público,que recolham os plásticos do ambiente e que invistam emtecnologias que viabilizem o composto biodegradável é um atitude política de uma cidadania consciente. De uma maneira ou de outra já existem as sacolas biodegradáveis orgânicas, com um custo um pouco maior, mas que pode ser revertido em investimento em marketing, otimizando a imagem da empresa. Mas, enquanto as empresas não assumem de vez a sua responsabilidade social,devemos pensar duas vezes antes de levar para casa sacolas a mais. Podemos ter nossas próprias sacolas de pano, porque não? As futuras gerações agradecem.

Ana Paula de Resende Lima

Por: ForumSec21