26/07/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Gil defende na Itália que a música deve se tornar livre e compartilhável

Durante turnê internacional, o ministro em férias e músico em exercício aproveita as platéias e a imprensa internacional para difundir a idéia de cultura livre.

Da redação / ANSA

MILÃO - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, que está na Itália para apresentações de sua nova turnê mundial Banda Larga, dedicada às novas tecnologias e ao problema de acessibilidade à propriedade intelectual, declarou ontem que "a cultura como um todo e principalmente a música devem se tornar livres e compartilháveis, assim como o software Linux".

Não por acaso, cada concerto da nova turnê é aberto por uma voz que diz: "Pede-se aos senhores espectadores para que filmem e fotografem o show e para que o baixem no site de Gilberto Gil".

"Estamos em uma fase de continua evolução. Não se pode pensar em defender o existente. É necessário procurar novos modelos, novas definições de direitos autorais e novos modos de remunerar os artistas", explicou Gil, que se apresentara depois de amanhã no festival latino-americano de Assago, cidade da província da Lombardia, região norte da Itália. "Não sou eu que digo isso, mas um vasto número de opiniões que aprendi a conhecer, sobretudo quando me tornei ministro e comecei a intermediar os pedidos da sociedade civil e as posições oficiais do Governo, sancionador das leis".

Para compensar as gravadoras e os artistas pela perda dos direitos autorais, procurando também evitar que quem baixa bens de propriedade intelectual pela rede venha a ser acusado de crime, Gil já tem em mente um modelo: "O Linux é um software livre e aberto, para cujo desenvolvimento contribuem milhões de pessoas em cada parte do mundo. Ninguém paga para tê-lo, mas pode-se contribuir para melhorá-lo, tanto que atualmente, nos estúdios de Hollywood, 70% dos computadores utiliza a plataforma Linux para a realização de efeitos especiais, pois se mostra mais confiável".

Perguntado se o mercado musical, uma vez desligado da industria fonográfica e das exigências de lucro, poderá se desenvolver neste caminho, Gil respondeu: "É cedo para dizer, pois vejo os movimentos atuais, e não o futuro. Este depende do quanto será intenso o movimento social que surgirá voltado a essas novas possibilidades".

Para as novas tecnologias, "necessárias para o desenvolvimento e a mudança", Gil dedicou também sua música Banda Larga, cujo vídeo-clipe foi filmado dentro de sua própria casa, com um telefone celular, pelo cineasta Andrucha Waddington, e difundido posteriormente pela internet (assista aqui).

Na cozinha, entre geladeiras cobertas de imãs e amigos reunidos ao redor de uma mesa, o "Ministro da Contracultura" - como foi recentemente definido pelo jornal britânico The Guardian - canta sobre novas tecnologias, internet e YouTube.

Uma música que é um verdadeiro manifesto da cultura digital e da informação democrática, já que, segundo Gil, "como antes necessitávamos de ferrovias e estradas, hoje todos precisamos de banda larga"

Por: Carta Maior