03/07/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Pastoral e trabalhadores criticam demora na criação de reservas extrativistas

Amanda Mota

Repórter da Agência Brasil

Manaus - Integrantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetagri) no Amazonas preparam-se para trazer novamente à pauta das discussões políticas locais a questão da criação de três reservas extrativistas (Resex) no estado - uma a região dos rios Baixo Rio Branco e Jauapery, em Novo Airão, e duas em Lábrea, nas proximidades dos rios Ituxi e médio Purus.

O secretário de Política Agrícola e Desenvolvimento da Fetagri-AM, Aldenor Barbosa, informou que o objetivo é reunir-se, até o final deste mês, com representantes do governo estadual e definir a situação das mais de três mil famílias que vivem na região avaliada para a criação das reservas. Segundo ele, essas famílias esperam uma resposta do poder público sobre a criação das reservas, ainda em andamento na esfera governamental.

"Há pelo menos dois anos o governo estadual vem postergando essa situação da criação das reservas. O estranho é que eles nem se manifestam contra, nem a favor da criação. O problema é que as comunidades desses locais sofrem porque estão longe dos centros urbanos, sem escolas e trabalho, mas tudo isso pode mudar se a Resex for aprovada", ressalta.

Barbosa explica que a reivindicação está relacionada ao uso racional do meio ambiente e apermanência do homem do interior nas comunidades amazônicas, mas com condições e oportunidades de subsistência e educação.

"Em Lábrea, que fica no sul do Amazonas, por exemplo, o problema antigo da grilagem de terras pode ser resolvido ou amenizado com a resex, porque a política ambiental promove a ocupação e exploração regular da região e pode impedir conflitos e o desmatamento local."

A coordenadora da CPT/AM, Marta Valéria Cunha, disse que os representantes dos movimentos sociais do estado estão mobilizados com essa causa e dispostos a levar as reivindicações às conseqüências necessárias. Para Marta, o local está abandonado pelo poder público.

"Se a conversa com o governo do estado não for positiva, vamos continuar nosso protesto e, se for necessário tomar outras iniciativas, como acampar em frente ao palácio do governo estadual, vamos fazer. Está faltando dizer a essas autoridades que o povo espera a atuação do poder público nas comunidades mais distantes do Amazonas", reclama Marta.

Em nota, a assessoria de comunicação da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (SDS) informou que "a política de implementação das Unidades de Conservação (UC) sempre foi voltada às demandas das comunidades, com respeito às especificidades das comunidades e suas reivindicações e que o atual governo não se opõe à proposta da categoria de Reservas Extrativistas".

A SDS destacou ainda que continua o diálogo com o Governo Federal sobre a criação de UCs federais nos termos do patrimônio público estadual, mas que, de acordo com o entendimento da Procuradoria Geral do Amazonas, cabe ao Governo Estadual a criação de UC em áreas de domínio do estado

Por: Agencia Brasil