03/07/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Delegação do PV alemão vem ao Brasil discutir biocombustíveis

Deputados querem conhecer de perto realidade do etanol e do biodiesel no Brasil e farão visitas à usinas e cooperativas de trabalhadores, além de contatos com políticos, empresários e ativistas. TV Carta Maior transmitirá debate com os alemães no dia 10 de julho.

Maurício Thuswohl e Verena Glass - Carta Maior

RIO DE JANEIRO – Uma delegação composta por figuras de proa do Partido Verde da Alemanha chegará ao Brasil na semana que vem para conhecer de perto o que pensam os políticos, empresários, dirigentes sindicais e ativistas sociais brasileiros sobre a expansão dos biocombustíveis no país e no mundo. A agenda dos alemães inclui encontros com os ministros Marina Silva (Meio Ambiente) e Gilberto Gil (Cultura), além do governador da Bahia, Jacques Wagner. Também está programado o contato direto com trabalhadores do setor e com líderes empresariais e dirigentes de ONGs ambientalistas.

O político mais conhecido da delegação do PV alemão, que chega ao Brasil no dia 8 de julho, é o ex-ministro Jürgen Trittin, que atualmente é vice-líder da bancada do partido no Bundestag (Parlamento, Federal), onde também coordena a área de política externa. Além de Trittin, virão Barbel Höhn, ex-ministra estadual de Meio Ambiente da região de Westfalen e também vice-líder do PV no Bundestag, onde coordena a comissão de Meio Ambiente e Política Energética, e o deputado federal Thilo Hoppe, presidente da Comissão de Cooperação e Políticas de Desenvolvimento Internacional. Completa o grupo Karl-Heinz Stecher, que é assessor de Hoppe na Comissão.

No dia 10 de julho, Jürgen Trittin e Barbel Höhn irão participar do debate “Álcool – Produção Sustentável e Comércio Internacional”, organizado pela Fundação Heinrich Böll em parceria com a Carta Maior. Também farão parte da mesa de debates o secretário de Meio Ambiente da CUT e secretário-executivo do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS), Temístocles Marcelos, e o empresário Marcos Jank, presidente da indústria de açúcar Unica. Mediado pelo jornalista Bernardo Kucinski, o debate se realizará no Hotel Renaissance, em São Paulo, e terá transmissão ao vivo pela TV Carta Maior.

Ansioso pelo contato com os brasileiros, Trittin afirma que a questão dos biocombustíveis precisa ser tratada de maneira global: “Internacionalmente, nós necessitamos de uma estratégia _ realista, mas ousada _ para a bioenergia. Assim, além da produção doméstica de biocombustíveis, a importação do produto de países em desenvolvimento tem um papel importante nos mercados europeu e americano. Estes biocombustíveis devem se originar de uma produção sustentável e serão especialmente relevantes se, em relação à cadeia produtiva e comercial e no tocante às vantagens para o clima, tiverem um desempenho melhor do que as culturas de agroenergia da Europa e Estados Unidos”, diz.

Segundo o deputado, os Verdes na Alemanha reconhecem “a larga experiência técnica e logística do Brasil no campo do etanol”. Ele afirma, no entanto, que o país “precisa vencer importantes desafios sociais e ambientais” se quiser realmente ocupar um lugar de destaque nesse mercado emergente e cita o exemplo da produção de cana-de-açúcar para etanol: “A queimada dos canaviais facilita a colheita manual, mas é altamente impactante ambientalmente. Do ponto de vista da questão climática, não é justificável que, ano a ano, 10% do território do estado de São Paulo passe por essas queimadas. Diante dos impactos negativos, as queimadas deveriam ser urgentemente abolidas”, diz.

Trittin chama a atenção também para a necessidade de o Brasil “melhorar sensivelmente as condições sociais da produção” no campo: “A excessiva carga de trabalho nos canaviais aumentou muito nos últimos anos. Frequentemente ocorrem casos de morte por exaustão, péssimas condições de trabalho e insalubridade. Os orgãos públicos de controle têm agido no combate aos abusos extremos aos trabalhadores. Isto é positivo, mas tem que ser ampliado. A aceitação do biocombustível brasileiro junto à opinião pública internacional depende fortemente de uma melhora nas condições de trabalho nos canaviais”.

Agenda cheia

A agenda da delegação do PV alemão no Brasil começa em 9 de julho pelas cidades paulistas de Cosmópolis e Piracicaba, onde os parlamentares farão uma reunião com dirigentes do Sindicato dos Canavieiros e visitarão uma usina de açúcar e álcool. No dia seguinte, além do debate, estão programados encontros com representantes do PV brasileiro, como o ex-deputado Fábio Feldmann, que estará acompanhado por membros do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e Biodiversidade, e o ex-secretário de Meio Ambiente de São Paulo, José Goldemberg.

O dia 10 de julho também servirá para o contato com o empresariado. Na hora do almoço, está programado um grupo de trabalho com as participações do presidente da Abag, Carlo Lovatelli, e dos representantes da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha Thomas Timm (presidente), Ingo Plöger (ex-presidente e atual coordenador do Encontro Econômico Brasil-Alemanha) e Ricardo Rose (diretor do Departamento de Meio Ambiente). Na parte da tarde, está agendada uma reunião com o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que é um dos maiores entusiastas do etanol no Brasil. No fim da tarde ocorrerão contatos com dirigentes de ONGs ambientalistas e uma coletiva de imprensa no Hotel Marriot.

Na Bahia, os alemães tentarão ver com os próprios olhos os componentes sociais que o governo brasileiro afirma estar introduzindo na produção de etanol. Acompanhados pelo governador Jacques Wagner, eles visitarão, nas cidades de Lapão e Iraquara, cooperativas de pequenos agricultores que montam uma indústria de processamento com a ajuda do governo e da Petrobras: “O programa de biodiesel do governo brasileiro é relativamente recente, e é muito interessante que tenha sido incutido nele um forte componente social, com a participação no processo de pequenos agricultores das regiões mais pobres do país. O selo social vinculado ao programa do biodiesel chama a atenção, e estou curioso em ver a sua aplicação real no Nordeste”, adianta Jürgen Trittin.

No dia 13 de julho, os parlamentares alemães participarão de um seminário sobre o Programa Brasileiro de Biodiesel com a participação de Wagner e da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Também participarão Arnoldo Campos, coordenador do programa, e os dirigentes da Petrobras Ildo Sauer (diretor de Gás e Energia) e Mozar Schimidt (coordenador do programa de biodiesel da empresa). No dia 14, véspera do retorno à Alemanha, está programado um encontro político com o ministro da Cultura, Gilberto Gil, único representante do PV brasileiro no ministério do governo Lula.

Para obter mais informações sobre o debate, contacte José Paulo: (11) 8413 1413 ou (11) 3281 7087.

Por: Carta Maior