24/06/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Investidores apostam forte nas energias renováveis

O capital de investimento que flui para as energias renováveis, como usinas eólicas, aumentou de 80 bilhões de dólares em 2005 para um recorde de 100 bilhões de dólares em 2006, informa um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep). A análise de tendência cita as preocupações com mudanças climáticas, o maior de apoio governamental e os altos preços do óleo como razões para a elevação dos investimentos.

A tendência continua em 2007, com uma expectativa de 85 bilhões em investimento este ano. O crescimento do setor de energia renovável, apesar de ainda ser volátil, não dá sinais de queda, afirma o relatório.

As fontes renováveis produzem apenas 2% da energia do mundo, mas já recebem 18% do investimento mundial para geração de energia – com a produção eólica liderando o aporte de recursos. As tecnologias solar e de biocombustíveis cresceram mais rápido do que a eólica, mas em uma base menor.

Os renováveis agora competem de igual para igual com carvão e gás em termos de capacidade de geração instalada; e a porção de energia produzida no mundo a partir de fontes renováveis irá aumentar substancialmente com as dezenas de bilhões de novos investimentos em dólar com bons rendimentos.

Enquanto o documento aponta que os altos preços do óleo possam ter levado os investidores a escolher o mercado de energia renovável, o diretor executivo do Unep, Achim Steiner, acredita que essa escolha está ocorrendo independente dos preços. “Uma mensagem fundamental do relatório é que as energias renováveis não mais relacionadas com a alta e a baixa do preço do óleo - estão se tornando uma opção de sistemas de geração para um crescente número de companhias de energia, comunidades e países, independente dos preços dos combustíveis fósseis”, afirma.

O fato desta indústria não ser dominada unicamente por empresas de países desenvolvidos é considerada por Steiner outra mensagem-chave do relatório. Quase 10% dos investimentos estão na China, e cerca de 1/5 do total no mundo em desenvolvimento. “Nós precisaremos dar muitos passos concretos em direção à ‘descarbonização’ da economia global. É claro que em respeito aos renováveis, esses passos estão a caminho”.

O secretário executivo da Convenção de Mudanças Climáticas da ONU, Yvo de Boer, acredita que os países precisam discutir ações para a implementação das novas fontes de energia. “Como os governos estão se preparando para determinar no final deste ano um acordo pós-Kyoto para vigorar a partir de 2012, o relatório claramente mostra que, entre as muitas conversas sobre as tecnologias do amanhã, o setor financeiro acredita que a existência de tecnologias de hoje podem e irão ‘descarbonizar’ o mix de energia existente. As políticas e incentivos devem ser discutidas em nível internacional”.

A consciência crescente dos consumidores sobre energia renovável e eficiência energética – e seu grande potencial para energia barata, além de ecológica – tem se tornado outro impulso fundamental para os investidores, afirma o relatório. “Muitos governos e políticos estão introduzindo legislações e mecanismos de apoio para capacitar o desenvolvimento do setor”.

Por Sabrina Domingos, CarbonoBrasil

Por: Unep/ Environment News Service