22/06/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

O que é a Metareciclagem ou Ecologia 2.0

Cláudio Prado, coordenador de políticas digitais do Ministério da Cultura, fala sobre conceito inovador que propõe ponte entre mundo digital e ecologia.

Carlos Minuano*

SÃO PAULO - Cansado das previsões ambientais apocalípticas, um grupo de pessoas decidiu avançar, colocando a criatividade a serviço de soluções ecológicas sustentáveis e modernas. O resultado é uma proposta visionária: a metareciclagem. Como o nome pode sugerir, trata-se mesmo de um conceito complexo.

Cláudio Prado, coordenador de políticas digitais do Ministério da Cultura, é um dos integrantes do coletivo inovador que topou bancar o projeto. Na tentativa de explicar a idéia, ainda em fase embrionária, ele pega carona na onda recente da web 2.0, nome dado à segunda geração da internet, que avança nas possibilidades de troca de informações e de interatividade entre usuários e a rede (leia mais). “Metareciclagem é algo do tipo, reciclagem 2.0 ou ecologia 2.0, ou seja, uma visão mais ampla sobre as questões ecológicas, que pressupõe uma compreensão holística sobre o assunto”.

Em resumo, o plano é o de criar uma ponte entre o mundo digital e a ecologia que começa pela transformação da sucata digital em tecnologia de ponta, indo além da superfície rasa do assistencialismo. “Não é simplesmente pegar computador velho e botar ele funcionando para doar aos pobres” ressalta Prado. É um processo que, segundo ele, implica em transformações.

“Em primeiro lugar, é preciso entender que não existe lixo digital, essa idéia foi estruturada pelo sistema para criar o mito de que, a cada dois anos, é preciso trocar o equipamento porque ele envelhece muito rápido e deixará de comportar softwares mais modernos que servem para fazer um monte de coisas que as pessoas não usam. Por outro lado, joga-se fora o que poderia funcionar”, observa Prado.

O pontapé inicial já foi dado. O conceito já está sendo colocada em prática na cidade de São Paulo em oficinas experimentais nos vários pontos de cultura - ação do Programa Cultura Viva do MinC que agrega agentes culturais para articulação de ações em suas comunidades. Nestes locais, máquinas antigas, por exemplo, do modelo Pentium 100 podem transformar-se em servidores para uso dos telecentros.

“Estamos construindo a possibilidade de remanejar essa tecnologia velha junto com uma molecada que começa a perceber que aquilo não é um bicho de sete cabeças, e que também não precisa de diploma universitário para manejar”, salienta Prado.

Contra o fim da diversidade, sustentabilidade digital

Para Cláudio Prado, tanto a cultura digital quanto o meio ambiente são questões transnacionais, que estão ameaçadas pelo extermínio da diversidade. O modelo de repetição, utilizado à exaustão pelas TVs é um exemplo desse problema. “Que diferença há entre Faustão e Gugu?”, questiona. A base tosca deste tipo de entretenimento estimula uma relação perniciosa, na opinião de Prado. “O artista que está no programa de um, logo depois já está no do outro, e repetem essa fórmula infinitamente, criando expectadores burros, na medida em que tira deles a oportunidade de acesso a uma programação mais diversa”. Para ele, o atual cenário impõe um desafio: a urgência de mudanças éticas.

O acesso da periferia ao mundo digital tem mostrado que essas transformações são possíveis e, melhor, já estão ocorrendo. “Os portais mais acessados são aqueles construídos por eles mesmos, não vão para uol ou globo.com”. O motivo? É simples. Eles estão interessados nas questões locais, no hip-hop, e em outros elementos negligenciados pela grande indústria de entretenimento.

Prado lembra que, na outra ponta, a ecologia aguarda que algo semelhante ocorra. “Os ambientalistas são contra o desmatamento, queimadas, soja, e são a favor de quê? É preciso haver troca de informação, troca de conhecimentos, em busca de novas formas de gestão e crescimento, existem inúmeras possibilidades sustentáveis a partir do digital”, conclui.

Por: Carta Maior