20/04/2020 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Jogos de Poder

Sueli Merelles:

Quando rememoramos a história da humanidade, percebemos que a disputa pelo poder vem percorrendo a esteira do tempo, até os nossos dias, apesar de nos considerarmos muito mais evoluídos do que os povos primitivos, que viviam focados em intermináveis guerras, para pilhagens, conquista de terras e escravos para o trabalho duro.

Quando buscamos compreender o comportamento humano sob o enfoque da Psicologia Transpessoal, que aborda o ser humano em sua totalidade corpo-mente-espírito, duas palavras emergem como tema de reflexão: Poder e ordem, ambas palavras polissêmicas[1]: A palavra “poder” pode ter o sentido de dominação ou de possibilidade, dependendo do modo como seja utilizada; da mesma forma, a palavra “ordem” pode ter o sentido de imposição ou de organização. Se através do processo evolutivo, transitarmos do poder dominação para a possibilidade de organizar uma nova sociedade, tal proposição se afigura como desejo essencial de todos que se propõe a resgatar a qualidade de vida no Planeta.

Mas, por que é tão difícil colocarmos este ideal em prática? Para isso, é preciso conhecermos o Ser Humano mais a fundo: Nossa Personalidade é regida por quatro desejos: Desejo material, desejo sexual, desejo de poder e apego afetivo. Nossa alma, restrita ao período entre nascimento e morte é egoísta; comandada pelo Ego, quer tudo para si. Nossa Individualidade, como parte imperecível, é regida pelos nossos ideais, intuições e essência espiritual, completando os nossos sete níveis de funcionamento evolutivo, relacionados aos nossos chacras e sistema glandular, fazendo com que as relações humanas aconteçam, simultaneamente, em diferentes realidades, dependendo do estado de consciência em que cada pessoa vibra.

Temos assim, a explicação do caos social em que vivemos: A humanidade luta por dinheiro, sexo, poder e seus apegos. Ama o Poder, agarrando-se com unhas e dentes àquilo que considera primordial para a sua felicidade. Neste nível de lutas entre as personalidades, as lideranças que comandam a estrutura sócio-econômica e política do Planeta, com suas percepções atreladas ao mundo tridimensional, não amam, não sabem, não intuem nem transcendem, até que chegue o momento de despertar, geralmente por força de uma grande dor emocional ou perda, que os leva a perceberem aquilo que é realmente essencial para a evolução do ser humano e que todos nós iremos levar, como aprendizagem de nossa breve passagem terrena. Talvez esta seja a função do pequenino vírus, o qual não podemos abater com as armas da velha estrutura social, em nome do poder temporal, status, riquezas... Mas que somente poderemos eliminar com a elevação de nossas consciências, a partir do Amor Incondicional, que nos permite reconhecer o Eu no Outro, com as mesmas necessidades de cuidados e qualidade de vida. Quantas Pandemias serão necessárias, para que possamos aprender?...

Por: Sueli Meirelles é psicóloga transpessoal e articulista do Jornal Século XXI