07/07/2014 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Concentração de CO2 na atmosfera fica acima das 400ppm por três meses consecutivos

Abril e maio tiveram concentrações médias de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera acima das 400 partes por milhão (ppm), e já se pode afirmar que junho repetirá a marca, fazendo destes três meses um recorde histórico que não encontra paralelo nos últimos 800 mil anos, pelo menos. Os dados são do Instituto Scripps de Oceanografia, da Universidade de San Diego, que monitora a estação de Mauna Loa, no Havaí, uma das mais importantes do mundo.

O Instituto alerta ainda para a velocidade com que as 400ppm se estabeleceram como um novo “normal”.

O primeiro dia na história da humanidade a ultrapassar as 400ppm foi nove de maio de 2013. Isso significa que em menos de um ano fomos de algo inédito na nossa civilização para uma nova realidade sob a qual a concentração de gases do efeito estufa (GEEs) na atmosfera é muito superior ao que experimentamos no passado.

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a maior presença de GEEs na atmosfera já teria resultado em um aquecimento de 0,8ºC desde a Revolução Industrial, e, se nada for feito, teremos até o fim do século uma elevação de pelo menos 3ºC.

Ainda de acordo com o IPCC, um planeta mais quente significa que mais energia é movimentada pelo sistema climático, o que resulta no aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos, como secas, enchentes, ondas de calor e tempestades.

“Nós, como planeta, não fizemos o bastante para lidar com as mudanças climáticas (...) O ponto central, e mais difícil, é reduzir a queima de combustíveis fósseis. Eu não tenho uma visão clara de como isso deve ser feito, mas é evidente que, se mantivermos o mesmo curso atual, estaremos nos encaminhando para um planeta muito diferente no futuro. E isso representa muitos riscos” disse Ralph Keeling, responsável pela estação de Mauna Loa, em abril.

Por: Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil / Climate Central