18/04/2014 Noticia AnteriorPróxima Noticia

O que mais devemos saber sobre o desastre nuclear de Fukushima?

Monitoramento de outubro de 2013 mostrava a radiação próxima da costa oeste dos EUA

O desatre na Usina Atômica de Fukushima, no Japão, acontecido após o terremoto e o Tsunami de 2011, está há algumas semanas de se tornar o maior desastre da história da humanidade. Em alguns meses, com a continuidade do vazamento da radiação nuclear no oceano pacífico, as coisas ficarão ainda mais graves, podendo causar a evacuação de grande parte do leste do Japão e a contaminação radioativa das águas dos oceanos de todas as ilhas, inclusive a costa oeste dos EUA.

O renomado cientista David Suzuki alertou sobre a natureza da bomba-relógio em Fukushima, Suzuki reiterou que é a maior ameaça para a humanidade e para o planeta a que teremos de enfrentar no futuro imediato. “Fukushima é a situação mais terrível que podemos imaginar”, disse ele”

“Três dos quatro reatores foram destruídos no terremoto e no tsunami, e o quarto foi danificado de tal forma que, se houver outro terremoto de magnitude sete ou mais, a construção entrará em colapso desencadeando um inferno. A probabilidade de um terremoto nos próximos três anos é de 95%”, disse Suzuki.

Vencedor de 16 grandes prêmios acadêmicos e uma série popular na CBC, intitulada “The Nature of Things”, Suzuki participou de um simpósio na Universidade de Alberta, CA, sobre estudos científicos da ecologia da água, mas ao invés de simplesmente discutir os ecossistemas marinhos ou de água doce, lançou um aviso muito sério sobre o futuro de Fukushima e suas conseqüências.

Já o Primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, disse que situação está “sob controle”. Para muitos cientistas, isto faz lembrar a história do homem que saltou de um edifício de dez andares e, à medida que ia passando por cada andar, dizia: “Até aqui, tudo bem”

Os porta-vozes do governo japonês defendem a afirmação de Abe, dizendo que os níveis de radiação no oceano Pacífico ainda não ultrapassaram os limites máximos das normas de segurança. Todavia, isto deve ocorrer em alguns meses.

Há seis coisas que todos devem saber:

1 . A quantidade de água radioativa de rejeitos nucleares está aumentando cerca de 400 toneladas por dia. O combustível nuclear dos reatores avariados continua a gerar um enorme calor, o que requer um resfriamento constante com a água do mar para evitar uma explosão nuclear. Por isto é que existe uma grande contaminação da água que é usada. Além disto, há dezenas de vazamentos no sistema. A água subterrânea que desce das montanhas, se infiltrou também nos reatores, aumentando a quantidade do líquido contaminado para 430 mil toneladas.

2. Na zona verde residencial de Tóquio, a 230 quilômetros de Fukushima, descobriu-se que a terra tinha um nível de radiação de 92.335 bécquerels por metro quadrado. Esse é um nível perigoso, comparável ao que se encontrou ao redor de Chernobyl. A razão pela qual na capital se descobre tal nível de contaminação é que entre Tóquio e Fukushima não há montanhas suficientemente altas para bloquear as nuvens radioativas.

3. No interior dos reatores nucleares 1 e 3, as canalizações (pelas quais circulava a água fria) romperam-se, o que causou uma fusão. Isto significa que o combustível nuclear superaqueceu, derreteu-se e continuou a derreter qualquer coisa que aparecesse no caminho. Daí continuou para o fundo do reator e depois para o próprio solo do edifício, onde se afundou solo abaixo.

4. Os jornais e as cadeias de televisão que antes se esforçavam em esconder os perigos da energia nuclear, agora informam todos os dias. A notícia principal é que a água altamente radioativa está se infiltrando e misturando-se com a água do subsolo.

5. No Japão, a única radiação provinda dos reatores nucleares Daiichi de Fukushima que se mede é o Césio radioativo. Não obstante, grandes quantidades de Estrôncio 90 e Trítio estão espalhando-se pelo Japão. A radiação do estrôncio e do trítio é de raios beta, e são muito difíceis de medir. Ambos são extremamente perigosos.

6. Para se livrar da contaminação que invadiu a zona do Leste do Japão, estão raspando a camada superior da terra e a armazenando em sacos plásticos, como se fosse lixo. Grandes montanhas destes sacos plásticos, todos expostos às inclemências climáticas, amontoam-se em campos do Leste do Japão, expostas ao ataque de chuvas torrenciais e tufões. O plástico pode rasgar-se e o seu conteúdo espalhar-se. Quando isso ocorrer, não haverá qualquer outro lugar onde os levar.

Em setembro, a empresa Tepco, operadora da usina, despejou no mar 1.130 toneladas de água radioativa após a passagem do Tufão Man-yi, que atingiu o Japão. Nos ultimos dias de novembro, a TEPCO, começou a remover os bastões de combustível, que têm emissão de radiação equivalente a 14 mil bombas de Hiroshima. Uma equipe de especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) iniciou no dia 25/11 uma missão na qual analisará o desmantelamento da usina nuclear de Fukushima e os níveis de contaminação radioativa do oceano, do ar e dos lençóis freáticos. Depois disto, um enorme silêncio se fez "ouvir" na imprensa internacional. O que está acontecendo agora?

Por: Texto elaborado com informações da Revista Fórum, Agencia Estadão, Bastidores do Planeta e G1.