03/06/2013 Noticia AnteriorPróxima Noticia

O grilhão da usura bancária

Claudio Verbicário

Dia 13 de maio deste ano, o Brasil comemorou 125 anos do suposto fim da escravidão. Sem querer redundar numa retórica alarmista e insensata, afirmo com lucidez que essa comemoração é uma falácia.

Retiraram-se os grilhões e imputaram o fardo da usura bancária sobre os ombros das pessoas livres. Afinal, a escravidão bancária não discrimina sexo, raça ou situação social. É um sistema tão intrincado no modelo mercadológico que parece irrisória a simples contestação de sua operacionalidade ou do valor de sua existência. Sua lógica se tornou tão natural como um ecossistema, onde eles, os banqueiros, estão no topo de uma cadeia predatória que não perdoa os mais fracos.

Em maio deste ano, o percentual da dívida total das famílias em relação à renda média anual foi de 61,2%. Apesar de haverem nítidos esforços por parte da atual gestão do Governo Federal em reduzir o peso tributário no bolso do contribuinte, através de ações como a recente diminuição de 8% para 5% nos proveitos do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (Crescer), os resultados são pífios e a situação dos juros sobre os cartões de crédito e o cheque especial ainda podem ser considerados como um assalto à mão armada. Ora, hoje em dia é impossível ter uma empresa no Brasil sem vinculá-la a algum banco.

Por isso, não é nem uma questão de opção - essas instituições tornaram-se inevitáveis como a morte!

Todavia, o desfalecimento das micro e pequenas empresas não ocorre da mesma forma que aquelas com maior preponderância no mercado. Elas não possuem a pompa ou os privilégios das consagradas: “grandes demais para quebrar”. Se a Petrobrás, por exemplo, comportasse taxas de juros compostos que chegam a mais de 500% ao ano, ela iria rapidamente falir! Isso é inegável!

Sendo assim, por que essa lógica viria a ser diferente com empresas de menor porte? Questiono-lhes, senhores, quanto ainda a porcentagem de endividados deve aumentar nesse país, para que haja uma reforma no sistema tributário? Quantas famílias precisam ainda se desagregar? Quantos meses a mais um cidadão precisará trabalhar para pagar suas contas e ainda conseguir viver com o mínimo de dignidade e conforto?

Por isso, peço encarecidamente aos esforçados defensores oficiais da população que nos esclareça se existe alguma saída para essa situação estarrecedora. Indago-lhes se não deveriam investigar os interesses e operações de figuras escusas que decidem, durante reuniões tenebrosas, a concessão de benefícios a bancos em detrimento do bem estar social do povo brasileiro. E, caso não possuam poder para investigar essa questão, nos digam quem teria...

Claudio Verbicário é presidente da Associação Comercial de Nova Friburgo - ACIANF.

Por: ForumSec21