04/06/2013 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Uma nova visão política, social e urbana

“Hoje é extremamente necessário o conhecimento compartilhado de como as cidades estão funcionando, da natureza essencialmente democrática do espaço público urbano e de uma estética paisagística que também seja um sistema ecológico e ético” Ken Worple

Cacau Rezende

Caro cidadão, esta é a sua cidade, é fundamental sua presença na discussão sobre como ela deve ser organizada. Para isto, estamos iniciando uma série de artigos buscando oferecer para você uma base para entender seu processo de formação e funcionamento. Sua configuração não envolve apenas as edificações, as questões políticas, econômicas e sociais, mas principalmente, pessoas, suas tradições e história. Esperamos sua participação com críticas, sugestões e ideias sobre os temas abordados, quando desejar, para juntos encontrarmos caminhos e soluções para seu desenvolvimento e da sua cidade.

Um breve histórico da evolução urbana

Conforme deixa de caçar e viver do cultivo do solo o homem percebe que é melhor se juntar e viver em adensamentos urbanos. Assim, as necessidades de transporte, o comércio, a comunidade e sua segurança passam a determinar a forma do espaço em que vive, e na medida que ampliam e se transformam, os espaços vão mudando até chegarem, após milênios, nas formas das cidades que vivemos. As primeiras cidades surgiram na região da Mesopotâmia antiga, e apesar de pequenas, com algumas ruas e moradias voltadas para um pátio interno, era evidente a existência de algum plano. Mas foi na Grécia antiga que surgiu o pai do planejamento, Hipódamo de Mileto, considerado o inventor do traçado modular.

Entre as necessidades, o comércio foi talvez o que mais contribuiu para o desenvolvimento urbano, e grandes cidades mercantis, como Bugres e Florença, foram fundadas a partir dele.

Além destas necessidades, a arte e a cultura também tiveram uma enorme influencia nas suas configurações.

Mas nada mudou tanto e tão rápido quanto o período da Revolução Industrial. As cidades enfraquecidas, poluídas pela fumaça, superpopulação, fome e doenças exigiram dos planejadores novos modelos com respostas aos problemas emergentes. A partir de então vimos o avanço em muitos aspectos da vida urbana, gerando progresso e lançando as bases para o movimento Modernista com abandono das formas tradicionais em troca de espaços construídos para o uso dos automóveis.

No final da década de 50, surge um movimento contrário, reconhecendo os valores das comunidades, suas tradições e paisagens locais, marcando uma nova perspectiva para o desenho urbano.

Hoje, no início do século XXI o imaginário continua a habitar as cabeças dos nossos urbanistas na busca de novas formas e soluções dos problemas das cidades.

Porque apesar de todos os esforços e avanços, vimos desenvolver uma enorme desigualdade nas nossas cidades, produzindo favelas gigantescas, segregação, desigualdade ambiental e social e espaços urbanos servindo ao uso do automóvel em detrimento do cidadão?

A migração rural-urbana, os poucos recursos e principalmente a incapacidade e desonestidade dos nossos políticos estão entre as principais causas desta desigualdade.

O que podemos fazer?

• Gestão pública participativa

Estamos procurando respostas, talvez a solução esteja numa nova forma de lidar com estas questões, analisando e refletindo sobre a história do Urbanismo e todas as técnicas até aqui utilizadas. Mas estamos conscientes que deve ser através de um processo mais criativo e sobretudo, muito mais colaborativo. Por isto apostamos numa gestão pública que possibilite a criação de uma aliança de toda a sociedade para encontrar os meios necessários para promover uma mudança, uma gestão fundamentalmente participativa.

• Planejamento de Bairro

Um caminho nesta direção, que tem sido utilizado por diversos urbanistas, é o planejamento de bairro com a participação do cidadão comum desde o início de sua elaboração até o final de sua aplicação. Trata-se de um processo desenvolvido em conjunto, sociedade civil, governo, técnicos e cidadão a partir do local em que vive, sua rua, em busca de soluções factíveis até chegarmos aos problemas maiores do bairro e da cidade.

• Alfabetização urbana

Acontece que as cidades sofrem o que muitos urbanistas chamam de analfabetismo urbano, pela falta de informação da população sobre seu funcionamento e das possibilidades de soluções dos seus problemas.

É necessária uma mudança deste quadro que a impede de compreender melhor sua realidade social, e a do governo, para que juntos, através de um processo democrático participativo, possam encontrar os meios e as ações necessárias às resoluções dos problemas.

• Combate à especulação imobiliária e ao clientelismo

Além disto tudo, precisamos colocar em prática medidas de combate à especulação imobiliária, a qual serve ao capitalismo predatório, e um combate a política clientelista opositora ao processo democrático participativo, e principalmente, da presença da população no poder decisório sobre a utilização do dinheiro público.

Cidadão, estamos preocupado com a definição da nossa cidade, repensar as possibilidades de novos desenhos para os bairros e encontrar o equilíbrio entre nossas necessidades e a preservação do meio-ambiente que vivemos. Mas queremos você inserido no processo decisório da sua organização. Esta é a nossa missão.

E vamos caminhar neste sentido, um abraço,

* Cacau Rezende é engenheiro e artista plástico

Por: