04/06/2013 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Museus: necessários ao futuro

"(...) na região serrana existem várias fazendas antigas que proporcionam experiências únicas de conhecimento de nossa história. Sem contar as inúmeras praças de Nova Friburgo, verdadeiros museus de arte a céu aberto."

Luis Alberto Boing *

Em 18 de maio comemora-se o Dia Mundial dos Museus. Está aí um tema de grande interesse para a educação das futuras gerações e isso envolve uma nova compreensão dos papeis da escola e da família sobre as possibilidades educativas desses espaços.

Nas últimas décadas a própria concepção de Museu tem mudado. Em alguns casos, inclusive, prefere-se chamar o espaço de Memorial, especialmente quando se quer vinculá-lo a uma instituição que ainda está viva, pois o Memorial permite um novo olhar sobre o que tal instituição continua a fazer na atualidade.

Museu não é coisa do passado e nem depósito de velharias. As recentes campanhas dos Museus mostram a importância que têm para o presente. Neste ano, o lema do Dia Mundial dos Museus é: “Memória + Criatividade = mudança social”. Dá para perceber que o Museu reúne não somente a cultura passada, mas comporta diferentes alternativas de influência na cultura atual para ser decisivo na produção cultural futura.

O Sistema Brasileiro de Museus assim define Museu: “são casas que guardam e apresentam sonhos, sentimentos, pensamentos e intuições que ganham corpo através de imagens, cores, sons e formas. Os museus são pontes, portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes.” É uma definição aberta, quase poética, que nada nos remete à ideia de depósito de artefatos ou de coisas velhas. Diria até que a mesma definição serviria para Escola. Isso mostra a íntima ligação que existe entre Museu e Escola.

Por parte da escola, há muito tempo se faz um trabalho de valorização dos Museus, tanto os históricos quanto os especializados, especialmente os de arte. Visitas a Museus passaram a fazer parte de projetos e excursões escolares. De início, as escolas criaram sérios problemas para os Museus porque, para aproveitar a ocasião, os professores encostavam vários ônibus na porta do Museu e, não raro, atrapalhavam a rotina da casa. Os projetos foram se aprimorando, com preparação anterior à visita, muitas vezes com orientadores dos próprios Museus a serem visitados, e também com intervenções específicas em determinadas áreas do Museu, durante a visita, e até com trabalhos pós-visita, em articulação com o local visitado, fechando pedagogicamente o ciclo.

Mas a iniciativa das escolas fez com que a visita a Museus passasse a ser entendida como responsabilidade da escola. As famílias já não se sentiam na obrigação de incluir visita a Museus em seus roteiros turísticos. Aliás, fora de excursões escolares, as novas gerações só passaram a visitar Museus em “pacotes turísticos”. Os registros de jovens em Museus em visitas de família tornaram-se incomuns. Como diretor de escola na capital, onde existem Museus para todas as idades e gostos, muitas vezes fui cobrado, em reuniões de pais, pelo fato de a escola fazer poucas visitas a Museus. E estranhavam quando perguntava sobre a rotina de visita a Museu que a família tinha com a criança. Hoje, não tenho dúvidas de que se a criança só visita Museu em excursões escolares dificilmente ela terá esse costume quando sair da escola. É preciso que a família também incentive as visitas, para que a prática seja incorporada como uma rotina de convivência e partilha cultural em casa.

Não sei se escola e família têm objetivos diferentes quando visitam Museus, mas acredito que sejam necessárias as duas modalidades para que as novas gerações valorizem o legado que receberam das antigas, entendam o contexto em vivem e construam o futuro sobre alicerces suficientemente fortes.

A renovação dos Museus não é mera campanha. Estão acontecendo experiências fantásticas em todas as partes. O mais recente Museu no Rio de Janeiro, o Museu de Arte do Rio, ou MAR, acabou de nascer junto com a “Escola do Olhar”, assumindo para si boa parte do trabalho pedagógico que vinha sendo feito pelos professores. Mas também conta com uma equipe de Mediadores Educacionais, que não são a mesma coisa que Guias de Museu, que fazem intervenções pedagógicas muito interessantes para as famílias. Mas não é preciso ir muito longe, na região serrana existem várias fazendas antigas que proporcionam experiências únicas de conhecimento de nossa história. Sem contar as inúmeras praças de Nova Friburgo, verdadeiros museus de arte a céu aberto. Vale a pena percorrê-las com calma, em família.

* O autor é professor e doutor em Educação pela PUC-Rio e Diretor Acadêmico do Colégio Anchieta. E-mail: academico@colegioanchieta.org.br

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Por: Luis Alberto Boing