01/04/2013 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Pesticidas comprometem atividade cerebral de abelhas

Pesquisadores europeus analisaram os impactos gerados pelos pesticidas nas colmeias de abelhas melíferas, aquelas que produzem mel. O resultado mostrou que os agentes químicos atingem diretamente as funções cerebrais destes insetos.

Os dois tipos de pesticida analisados são usados em atividades que impactam as abelhas. O neonicotinoides é aplicado em lavouras e o coumafos, um dos inseticidas mais comuns no mundo, é aplicado nas próprias colmeias para combater os ácaros.

De acordo com o estudo, publicado na revista Nature Communications, a memória e a capacidade de localização das abelhas são totalmente comprometidas em consequência com contato com os pesticidas. Por causa disso, muitas colônias podem ser afetadas profundamente.

“As [abelhas] polinizadoras têm comportamentos sofisticados enquanto se alimentam que exigem que aprendam e se lembrem de tratos florais associados à comida. A interrupção desta importante função tem implicações profundas na sobrevivência de colônias de abelhas produtoras de mel porque as abelhas que não conseguem aprender, não conseguirão encontrar comida”, explicou Geraldine Wright, do Centro de Comportamento e Evolução da Universidade de Newcatle, em declaração à AFP.

Não somente as abelhas devem sofrer com a consequência do contato com pesticidas, mas também os humanos que dependem do mel e da ação polinizadora destes insetos. Os pesquisadores alertam que, sem que as abelhas exerçam esta função básica, muitos cultivos seriam comprometidos e necessitariam de polinização a mão.

Ainda estão em estudo quais seriam os impactos sentidos nas abelhas quando em contato com uma quantidade mínima dos inseticidas. Os pesquisadores também estudam alternativas sustentáveis para a contenção de pragas. Com informações da AFP.

Fabricantes de pesticidas propõem plano para salvar abelhas

A polêmica sobre o uso de pesticidas e seu efeito nas colônias de abelhas fez com que nos últimos meses a União Europeia cogitasse banir o uso desses produtos em seu território. Visando afastar essa possibilidade, fabricantes de pesticidas estão propondo iniciativas para recuperar a população de abelhas, que nos últimos anos tem diminuído drasticamente.

A Syngenta e a Bayer, duas das maiores produtoras de pesticidas, sugerem a criação de campos mais floridos para fornecer mais habitats para as abelhas. Além disso, as fabricantes também recomendam um programa de monitoramento de campo para detectar os pesticidas neonicotinoides, responsabilizados pela redução nas comunidades de abelhas.

As fabricantes alegam que antes de banir os produtos, é necessário desenvolver mais pesquisas para provar se eles realmente causam dano às abelhas, algo que as produtoras até hoje negam.

“Esse plano abrangente trará visões valiosas para a área da saúde das abelhas, enquanto que a proibição dos neonicotinoides simplesmente fecharia a porta para entender o problema”, comentou John Atkin, diretor do escritório de operação da Sygenta, em uma declaração.

“Mesmo que todas as evidências apontem para vários parasitas e doenças sendo a verdadeira causa da falta de saúde das abelhas, estamos ansiosos para fazer tudo em nosso poder para dar aos consumidores confiança em nossos produtos”, observou Ruediger Scheitza, diretor de estratégia da Bayer CropScience.

Outra proposta das produtoras é aumentar o investimento em novas tecnologias para reduzir as emissões de poeira do plantio de sementes tratadas com produtos neonicotinoides e desenvolver mais pesquisas sobre formas de combater parasitas de abelhas.

Segundo elas, o banimento dos neonicotinoides representaria uma queda nas exportações de trigo de 16% e levaria a um aumento de 57% nas importações de milho, custando à economia da União Europeia cerca de 4,5 bilhões de euros por ano.

Mas apesar de as fabricantes de pesticidas defenderem a hipótese de que são parasitas e doenças que estão prejudicando a população de abelhas, não é o que indica um novo estudo publicado na Nature.

Segundo a pesquisa, pesticidas comuns, entre eles o próprio neonicotinoide, são sim responsáveis por prejudicar abelhas, causando problemas na fisiologia do cérebro, por exemplo. Isso pode levar à extinção de colônias inteiras, ou ser pelo menos parcialmente responsável pelo distúrbio do colapso das colônias (CCD).

Para chegar a essa conclusão, os cientistas expuseram abelhas a dois pesticidas, o neonicotinoide e o miticida, este último criado para defender as abelhas do parasita Varroa destructor.

Avaliando a atividade cerebral das abelhas após a exposição, os pesquisadores descobriram não só que ambos os pesticidas alteravam a atividade cerebral das abelhas, mas que os efeitos disso podem ser muito piores dos danos causados pelos parasitas.

Apesar de outras pesquisas anteriores já indicarem que os pesticidas causavam uma mudança de comportamento e a redução nas colônias de abelhas, esta pesquisa é a primeira a apontar os impactos diretos desses produtos no cérebro desses animais.

“Muitas discussões sobre os riscos apresentados pelos inseticidas neonicotinoides levantaram questões importantes sobre sua adequação para o uso em nosso ambiente”, disse Christopher Connolly, da Universidade de Dundee, na Escócia.

“No entanto, pouca consideração tem sido dada aos pesticidas miticidas introduzidos diretamente nas colmeias de abelhas para proteger as abelhas do ácaro Varroa. Descobrimos que ambos têm um impacto negativo na função cerebral das abelhas”, concluiu Connolly.

Os autores esperam que esses resultados influam positivamente na proibição dos pesticidas, já que apesar de alguns países, como a França e a Eslovênia, já terem adotado total ou parcialmente a proposta da UE de uma suspensão do uso desses produtos por dois anos, outras nações, como o Reino Unido, ainda se opõem à decisão.

Nos Estados Unidos, as discussões também continuam infrutíferas, e recentemente nove grupos ambientalistas processaram a Agência de Proteção Ambiental do país (EPA) por não tomar atitudes para proteger as abelhas.

Atualmente, sabe-se que a polinização das abelhas tem uma grande importância não só para os ecossistemas, mas para a economia. Estima-se que só nos EUA ela valha entre US$ 8 e 12 bilhões, na UE, US$ 22 bilhões, e no mundo todo, US$ 153 bilhões por ano.

Jéssica Lipinski

Por: Jornal do Meio Ambiente e Instituto CarbonoBrasil