21/02/2013 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Relatório “Riscos Globais 2013” poderia ser mais profundo.

O Fórum Econômico Mundial registrou que as difíceis condições econômicas mundiais podem se aliar com eventos climáticos extremos para se constituirem em uma perigosa ameaça global.

Dib Curi

O Fórum Econômico Mundial, realizado até o dia 1 de fevereiro em Davos, na Suíça, elaborou um relatório das questões mais importantes para serem levadas em consideração pelos gestores mundiais. O Fórum teve sua primeira reunião em 1971. Seu criador foi o economista alemão Klaus Schwab. De lá para cá, o objetivo foi o de construir comunidades globais e estratégias industriais, tanto globais como regionais.

O estudo realizado pelo Fórum foi chamado de “Relatório Riscos Globais 2013”. Aprincipal preocupação do relatório diz respeito às difíceis condições financeiras mundiais, que aliadas aos eventos climáticos extremos podem representar uma combinação muito perigosa para a economia global.

Não resta dúvida de que muitos eventos climáticos estão acontecendo por conta do Aquecimento Global. Estudos da Universidade da Califórnia consideram que só existe uma maneira garantida de barrar o aumento das temperaturas mundiais: a completa eliminação dos combustíveis fósseis, interrompendo a queima de petróleo, carvão e gás.Segundo estes estudos, a situação não será resolvida coma estabilização das emissões.

Sabemos que para barrar as emissões de CO2 seriam necessários grandes investimentos em uma nova matriz energética, mudando o padrão produtivo e readequando as cidades para rotinas sustentáveis e resilientes. Por outro lado, as previsões dos técnicos nos informam que os prejuízos causados, nas próximas décadas, pelos eventos climáticos extremos podem ocasionar perdas econômicas muito maiores do que os investimentos exigidos paraa transição para uma matriz energética sustentável e renovável.

É bom lembrar algo que o relatório não diz. A excessiva emissão de gases estufa não gera somente o problema doAquecimento Global, mas também uma enorme poluição atmosférica, que está começando a atentar seriamente contra a nossa qualidade de vida. Como exemplo, neste mês de janeiro de 2013, notícias vindas da China informaram que a poluição em Pequim está superando 10 vezes o nível máximo crítico permitido pela OMS. De acordo com o Centro de Vigilância Ambiental de Pequim, as partículas PM 2.5, que são os mais perigosos sub-produtos da poluição por CO2, entram nos alvéolos pulmonares e migram para o sangue, causando problemas respiratórios, cardiovasculares e até mutações genéticas.

A imprensa internacional divulgou que, em alguns lugares de Pequim, ninguém consegue enxergar a uma distância de 50 metros. A nuvem de poluição é tamanha que pode ser vista do espaço. As redes de televisão pediram para que a população não utilizasse bicicletas e desaconselhou a prática de exercícios físicos. Milhares de famílias tem levado suas crianças aos hospitais para combater os sintomas causados pelo excesso de gases poluentes.

Se o ocidente está se preocupando com o futuro, no oriente, o futuro já chegou. Não é a toa que aquela civilização é muito mais antiga do que a nossa. Apesar de tantos pesares, a China tornou-se exemplo de produtividade e competitividade mundial. Caminha para superar todas as nações mundiais nos principais índices econômicos. De minha parte, cada vez mais me pergunto sobre o que realmente importa na vida.

No relatório, faltaram observações sobre a possibilidade de reflorestamento que poderia frear o aquecimento, uma vez que cada árvore plantada pode absorver 163 kg de gás carbônico ao longo de seus primeiros 20 anos. Faltou também citar o problema das águas, principal questão “econômica” do futuro. Pouco foi discutido sobre a necessidade de investimento em fontes alternativas de energia. No item econômico, nada foi discutido como alternativa ao atual perfil econômico competitivo, imediatista e predador. Se a principal expectativa econômica continuar mesmo na exploração indiscriminada do meio ambiente e na pura e simples multiplicação de mercadorias, de pouco adiantará o discurso crítico ao consumismo, pois o que vemos é um acirramento dos ímpetos de ganância e de materialismo.

O relatório “Riscos Globais 2013” contou com a parceria da revista científica “Nature”. Ocapítulo sobre os “Fatores X” tem em vista alertar os decisores políticos para cinco problemas emergentes:

• Alterações climáticas: É possível que já tenhamos passado do ponto de irreversibilidade e que a atmosfera da Terra esteja caindo num estado de inospitabilidade.

• Ampliação significativa de conhecimentos: A busca de uma maior produtividade no trabalho e nos estudos nos levam a dilemas éticos semelhantes aos do doping nos esportes que se alargam e que podem chegar à corrida armamentista.

• Desenvolvimento descontrolado da geoengenharia: Está sendo desenvolvida, inclusive, uma tecnologia para manipular o clima; será que um Estado ou um indivíduo poderão usar isso unilateralmente?

• Custos da longevidade: As conquistas médicas estão prolongando a vida, mas os cuidados paliativos de longo prazo são caros. Cobrir os custos sociais associados ao envelhecimento acarretará dificuldades.

Mas a grande surpresa do relatório ficou por conta de algo muito peculiar e estranho para um orgão tão utilitário e pragmático como o Fórum Econômico Mundial. Para o relatório, devemos no preocupar com as implicações psicológicas da descoberta de vida em outros planetas, pois tal descoberta poderia causar um choque profundo nos sistemas de crenças humanos, desafiando as religiões e a Filosofia. A pergunta que fica é a seguinte: Será que os economistas do Fórum Econômico Mundial sabem de algo que nós ainda não sabemos?

Dib Curi é diretor do Jornal Século XXI

Por: ForumSec21