21/02/2013 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Novas teorias explicam benefícios da meditação

As novas teorias foram apresentada pelos cientistas ao Dalai Lama, que acompanha de perto todas as pesquisas científicas envolvendo a meditação em particular, e as neurociências em geral.

Alcançar o estado conhecido como mente alerta ou atenção plena, através da meditação tem ajudado as pessoas a manterem uma mente saudável, ensinando-lhes como enfrentar as emoções e os pensamentos negativos.

Isso inclui minimizar os efeitos da raiva e ansiedade, e incentivar disposições positivas como empatia, compaixão e perdão.

Cientistas propõe um novo modelo que muda a forma como o mundo ocidental tem pensado sobre a atenção.

Em vez de descrever a atenção plena como uma única dimensão da cognição, os pesquisadores demonstraram que a mente alerta na verdade envolve um amplo quadro de mecanismos complexos no cérebro.

Este novo modelo de atenção foi publicado no exemplar mais recente da revista científica Frontiers in Human Neuroscience por uma equipe do Brigham and Women’s Hospital (EUA).

Teoria S-ART

Os pesquisadores identificaram várias funções cognitivas, que ficam ativas no cérebro durante a prática da meditação da atenção plena.

Essas funções cognitivas ajudam o praticante a desenvolver a autoconsciência, o autocontrole e a autotranscendência, que compõem o quadro transformativo para o processo de autoconscientização, levando ao estágio de mente alerta, ou atenção plena.

Os cientistas batizaram sua teoria de S-ART, pelas iniciais em inglês das três funções cognitivas envolvidas - Self-Awareness, self-Regulation, and self-Transcendence.

Mente saudável sustentável

A S-ART explica os mecanismos neurobiológicos subjacentes pelos quais a meditação da mente alerta pode facilitar a autoconsciência; reduzir os preconceitos e os pensamentos negativos; melhorar a capacidade de regular o próprio comportamento; e aumentar as relações positivas consigo mesmo e os outros, criando uma mente saudável sustentável.

Os pesquisadores destacam seis processos neuropsicológicos que são mecanismos ativos no cérebro durante a prática da meditação:

Estes processos incluem:

- intenção e motivação;

- regulação da atenção;

- regulação emocional;

- extinção e reconsolidação;

- comportamento pró-social, e

não-apego (desligamento do ego).

Estes processos começam com uma intenção e motivação para querer atingir a plena consciência, seguidos por uma consciência dos maus hábitos.

Uma vez que estes maus hábitos são identificados, a pessoa pode começar a domar a si mesma para se tornar menos reativa e se recuperar mais rapidamente de emoções perturbadoras.

“- Através da prática contínua, a pessoa pode desenvolver uma distância psicológica de todos os pensamentos negativos e pode inibir os impulsos naturais que constantemente alimentam os maus hábitos,” disse David Vago, primeiro autor do estudo.

Um novo Você

O Dr. Vago afirma que a prática da meditação também pode aumentar a empatia e eliminar nossos apegos às coisas de que gostamos, e as aversões às coisas de que não gostamos.

- “ O resultado da prática é um novo Você, com um novo conjunto de habilidades multidimensionais para reduzir os preconceitos que cercam a própria experiência interna e externa, e para manter uma mente saudável,” disse Vago.

Estudos sobre os benefícios da Meditação também consolidam conclusões sobre redução de mortes por ataques cardíacos e derrames.

Pacientes cardíacos que praticaram Meditação regularmente apresentaram 48% menos probabilidade de ter um ataque cardíaco ou derrame.

Os médicos fizeram a comparação com outros pacientes cardíacos que participaram de aulas de educação e mudança de comportamento em relação à manutenção da própria saúde.

Ainda que os participantes deste segundo grupo tenham recebido orientações e incentivos para adotar hábitos mais saudáveis, aqueles que praticaram meditação tiveram benefícios significativamente superiores.

O estudo foi publicado pela r Associação Americana do Coração.

Os pacientes que praticaram meditação também apresentaram uma diminuição na pressão arterial e relataram menos estresse e menos raiva.

E, quanto mais regularmente os pacientes meditavam, maior foi o aumento de sua sobrevida, afirmam os cientistas que realizaram o estudo, na Faculdade de Medicina de Wisconsin (EUA).

- “Trabalhamos com a hipótese de que a redução do estresse pelo gerenciamento da conexão mente-corpo é responsável pelos resultados benéficos em relação a essa doença epidêmica,” disse o Dr. Robert Schneider. “Parece que a Meditação é uma técnica que aciona a farmácia do próprio corpo, para que ele repare-se e mantenha a si próprio.”

Vida ativa e vida contemplativa

Os participantes do programa de meditação sentavam-se com os olhos fechados por cerca de 20 minutos, duas vezes por dia, permitindo que suas mentes e corpos descansassem profundamente, mas permanecendo alertas.

Já os participantes do grupo de educação em saúde, foram orientados a passar 20 minutos por dia em casa praticando comportamentos saudáveis para o coração, como exercícios, refeições saudáveis e relaxamento em geral.

Os pesquisadores avaliaram os participantes no início do estudo, durante os três primeiros meses, e depois de seis em seis meses, avaliando o índice de massa corporal, dieta, aderência ao programa, pressão sanguínea e hospitalizações por problemas cardiovasculares.

O estudo chegou às seguintes conclusões:

- Houve 52 eventos definitivos durante o estudo, que incluíram a morte por ataque cardíaco ou ocorrência de acidente vascular cerebral. Destes, 20 eventos ocorreram no grupo de meditação e 32 no grupo de educação em saúde.

- A pressão arterial foi reduzida em 5 mm Hg e a raiva diminuiu significativamente entre os participantes da Meditação em relação ao outro grupo.

- Ambos os grupos apresentaram alterações benéficas nas atividades físicas e no consumo de álcool.

- O grupo de meditação mostrou uma tendência para fumar menos.

- Não se verificaram diferenças entre os grupos nas dietas e nas variações de peso corporal;

Por que a meditação tem tantos efeitos positivos?

Em tempos de estresse, muitas vezes somos incentivados a fazer uma pausa e simplesmente ficar no “agora”.

Este tipo de consciência, ou “mente alerta”, uma parte essencial das tradições budista e da ioga indiana, transformou-se em um comportamento predominante conforme as pessoas tentam encontrar formas de combater o estresse e melhorar a qualidade de vida.

E as pesquisas sugerem que a meditação pode ter benefícios para a saúde e o desempenho individual, incluindo melhorias na função imunológica, redução da pressão sanguínea e melhorias nas funções cognitivas.

Efeitos positivos da meditação

Estudos da Universidade de Harvard identificaram especificamente quatro componentes-chave de atenção que podem ser responsáveis pelos efeitos da meditação:

- a regulação da atenção

- a consciência corporal

- a regulação da emoção

- o sentido do self

Juntos, esses componentes nos ajudam a lidar com os efeitos mentais e fisiológicas do estresse por métodos que não envolvem julgamentos.

A melhoria na atenção pode facilitar a consciência do nosso estado fisiológico.

A consciência corporal, por sua vez, nos ajuda a reconhecer as emoções que estamos experimentando.

Compreender as relações entre esses componentes e os mecanismos cerebrais vai permitir aos médicos adequar melhor as intervenções da meditação para os pacientes, diz a Dra. Hölzel, da Universidade Harvard.

Treinamento e prática

No nível mais fundamental, o trabalho reforça a visão de que a meditação não é uma panaceia, capaz de curar qualquer coisa.

Uma meditação eficaz requer treinamento e prática, e tem diferentes efeitos mensuráveis sobre nossas experiências subjetivas, nosso comportamento e nossas funções cerebrais.

Os autores esperam que a pesquisa “permita que um conjunto muito mais amplo de indivíduos utilize a meditação como uma ferramenta versátil para facilitar mudanças - tanto na psicoterapia quanto na vida cotidiana.”

Uma parcela da matéria foi publicada no Diário da Saúde. Outros dados foram coletados de diversas fontes.

Por: ForumSec21