27/12/2012 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Passos para a melhoria do mundo, partindo de cada um ...

Cada dia que passa sentimos que o mundo só vai melhorar se quando as pessoas se responsabilizarem mais pelos problemas sociais e ambientais. Neste artigo, o ambientalista friburguense Nilson Dias reflete sobre as mudanças necessárias, sobre a ótica da permacultura, um sistema que busca harmonizar a relação entre o ser humano e o seu ambiente.

Nilson Dias

A Permacultura foi concebida na Austrália na década de 70. O nome permacultura refere-se à cultura permanente e foi elaborada pelo cientista Bill Mollison em parceria com David Holmgren como resultado da criação e desenvolvimento de pequenos sistemas produtivos organicamente integrados.

Muitas práticas ancestrais são associadas às descobertas da ciência moderna a partir da elaboração, implantação e manutenção de ecossistemas produtivos que possam manter a sua diversidade e estabilidade dos ecossistemas naturais.

A permacultura é o planejamento e execução de ocupações humanas sustentáveis, unindo práticas ancestrais aos modernos conhecimentos das ciências agrárias, engenharias, arquitetura e ciências sociais, todas abordadas sob a ótica da ecologia.

A Permacultura promove o aproveitamento de todos os recursos (energias) utilizando a maior quantidade possível de funções em cada um dos elementos de uma dada paisagem, com múltiplos usos no tempo e no espaço. O excesso ou descarte produzidos por plantas, animais e atividades humanas são utilizados para beneficiarem outros elementos do sistema.

Uma ética ecológica

Os fundamentos éticos da Permacultura repousam sobre o cuidado com o Planeta, fortalecendo a sua capacidade de manutenção das formas de vida atuais e futuras. Isto inclui a possibilidade humana de acesso a recursos e provisões sem desperdícios ou acúmulos além de suas necessidades. Observando a regra geral da natureza na qual espécies cooperativas e associação de espécies produzem comunidades saudáveis, os participantes da Permacultura reforçam a cooperação e valorizam a contribuição única de cada pessoa na comunidade.

Permacultura e política

A concepção política da Permacultura é crescente desde o surgimento da consciência da crise ecológica gerando a visão de um futuro onde as comunidades tentam libertar-se de um sistema decadente, usando as terras no entorno de suas casas para prover necessidades básicas.

Objetivos imediatos

Os ativistas permacultores costumam gerar espaços com máxima produtividade e um mínimo desperdício. Trabalham para assentar bases para o surgimento gradual de cooperativas, comunidades ou vilas auto-suficientes como modelos para uma sociedade alternativa. Quanto mais produtivas as áreas dos assentamentos humanos, mais factível será a proteção das florestas e outras áreas silvestres tão necessárias à saúde da Terra.

Alguns exemplos

Podemos ter como exemplo Cuba, onde a permacultura urbana estimulou o cultivo de hortas verticais, hortas em terraços e hortas em terrenos baldios. É impressionante saber que 90% das hortaliças consumidas nas grandes capitais como Havana são produzidas na zona urbana.Uma horta num terraço de um prédio pode servir de exemplo para entendermos um pouco mais os princípios da permacultura. Primeiramente estamos dando duas funções a um mesmo elemento: a horta no terraço serve como teto verde, ajudando a manter o conforto térmico e retendo parte da água das chuvas. Estamos também obtendo um rendimento, pois estamos produzindo alimentos com pouco trabalho e num espaço que estava sub-utilizado.

É importante entendermos que a prática da permacultura no meio urbano é uma alternativa viável para se tornar as cidades locais menos dependentes dos combustíveis fósseis e mais auto-suficientes.

A questão do lixo

Hoje as cidades produzem grande quantidade de lixo, que na verdade pode ser dividido em resíduos orgânicos compostáveis, resíduos secos recicláveis e os não-recicláveis. Se cada cidadão tomar responsabilidade por compostar seu lixo orgânico dentro da área de serviço do seu apartamento ou no quintal de sua casa, teríamos uma redução significativa de volume nos aterros sanitários, menor necessidade de coleta e o cidadão obteria um composto orgânico que poderia ser utilizado para cultivar hortaliças em seu apartamento, numa parede transformada em horta vertical, numa varanda ou até mesmo próximo a uma janela bem iluminada. Muitos utilizam garrafas PET e caixas Tetra-pak para fazer hortas. O resultado são hortaliças frescas e sem agrotóxicos para a família: alface, rúcula, aipo, salsinha, espinafre, tomatinhos e até pepinos e abobrinha. Sem contar que aumentando a ingestão destas hortaliças orgânicas os membros da família estarão melhorando bastante sua qualidade de vida e estreitando seus laços de interação com a Terra ao cuidar dos vegetais.

Consumo consciente

Outro fator que é trazido a debate é o consumo consciente. Quando digo consciente, esta consciência se amplia para um leque de aspectos e perguntas: Quem está produzindo este produto? Como ele é produzido? Eu preciso deste produto? Qual impacto dele em minha vida e saúde? O que estou financiando ao direcionar meus recursos financeiros para adquirir este produto? A população não entende o poder que possui pois somos nós quem mantemos ou não o sistema produtivo funcionando. Quando consumimos produtos orgânicos, que praticam o comércio justo, que possuem seletivos critérios de gestão dos seus resíduos e que fazem bem para nossa saúde, estamos patrocinando um sistema do bem. Quando compramos algo que é tóxico, que faz mal a nossa saúde e de quem trabalha na produção, que fomenta a exploração de trabalho mal remunerado, estamos patrocinando um tumor na sociedade.

Quando debatemos sobre consumo consciente chegamos a conclusão que podemos viver com menos, podemos fazer trocas de bens que não utilizamos mais em “feiras de troca” que promovemos em nossas casas com auxílio das redes sociais, podendo mesmo trocar serviços entre amigos e vizinhos.

No próximo artigo vamos ensinar passo-a-passo como fazer uma composteira doméstica para começarmos a produzir nosso próprio adubo para nossas hortas caseiras, em quintais ou muros, veremos também o passo-a-passo de como iniciar estes plantios. Quem quiser saber um pouco mais sobre permacultura pode acessar o site do Instituto Pindorama no link: www.pindorama.org.br

Nilson Dias é Gerente de Projetos (MBA) do Instituto Pindorama e Permacultor - nilson@pindorama.org.br

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