19/11/2012 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Entrevista com o prefeito eleito Rogério Cabral

"Estou disposto a sentar à mesa e dialogar com todos os grupos,

com todos os friburguenses que tenham ideias interessantes, viáveis e produtivas."

Rogério Cabral. Prefeito eleito de Nova Friburgo nas eleições 2012.

Confira a entrevista:

SéculoXXI – As eleições tiveram um resultado apertado. Como pretende governar a partir deste equilíbrio de forças?Por outrolado, o que espera realmente das instâncias estaduais e federais?

RogérioCabral: Você deve lembrar que nosso jingle dizia “chega de dividir, chega de andar pra trás...” e que nosso slogan era “unir para transformar”. Pois pode acreditar que estavamos falando a verdade. Nova Friburgo viveu um longo período dividida entre grupos políticos que se odiavam. Não havia diálogo e, às vezes, nem respeito. Com isso a cidade perdeu o rumo. A cada troca de governo tudo mudava. O que um tinha feito desfazia ou interrompia. Chega! Se for objetivo é comum, estou disposto a sentar a mesa e dialogar com todos os grupos, com todos os friburguenses que tenham ideias interessantes, viáveis e produtivas.

Não estou dizendo que vou negociar apoios, estou reafirmando que não me importa em quem o cidadão friburguense tenha votado, todos terão o mesmo tratamento, todos serão ouvidos e respeitados. Durante a campanha cansei de repetir que a felicidade de um de nós será a felicidade de todos nós. Os friburguenses podem acreditar em tudo o que eu disse, não foi só propaganda, é a verdade.

Quanto ao relacionamento com os governos estadual e federal reafirmo que o alinhamento é imprescindível. Precisamos das verbas deles, não temos arrecadação própria suficiente para recuperar a cidade, mante-la de forma adequada e ainda fazer os investimentos necessários para a Recriação de Nova Friburgo. Repare, que eu falei em “alinhamento” e não obediência aos governos estadual e federal. Eles são nossos parceiros e saberão respeitar as nossas idéias e a nossa definição de prioridades para aplicação dos recursos. Veja o que está acontecendo no Rio de Janeiro com o alinhamento do Paes, do Sergio Cabral e da Dilma. É obra para todo lado. O Rio está em plena tansformação. É isso que vamos fazer aqui. Projetos bem elaborados, processos bem acompanhados e muito contato meu com o Governador, com o Pezão, com os deputados e com o governo federal. Minha experiência na Alerj e as amizades que fiz lá vão ser muito úteis.

Século XXI – Em se tratando de desenvolvimento econômico, quais são os principais potenciais de Nova Friburgo e de que maneira pretende trabalhar?

Rogério Cabral: Nova Friburgo já tem várias vocações. Vamos desenvolvê-las e, ao mesmo tempo, vamos descobrir novas vocações. Não adianta tentar voltar no tempo. As indústrias que foram embora daqui dificilmente voltarão. O mundo mudou, nós é que não nos antecipamos às mudanças e acabamos perdendo espaço na economia. Agora, vamos planejar e agir pensando no presente e no futuro. Indústria metal mecânica, moda íntima,turismo, floricultura, agricultura e diversos outros setores precisam de políticas públicas que deem suporte ao seu desenvolvimento de forma sólida. O distrito industrial será decisivo. Precisamos de infra-estrutura para que os novos negócios aconteçam. Novas e boas estradas e ruas; energia, água, esgoto, coleta de lixo e transportes públicos de alta qualidade; boas moradias para nossos trabalhadores; Internet e telecomunicações no nível dos grandes centros; tudo isso cria um ambiente favorável à atração de novos negócios e à expansão dos que já existem. A recriação de Nova Friburgo passa pela formação de uma nova imagem do município em níveis regional, nacional e internacional. É preciso que a “marca” Nova Friburgo encante as pessoas, transmita segurança e desperte o interesse por seus potenciais. Isso é fundamental para que os produtos de Friburgo sejam bem recebidos em qualquer lugar, para que os turistas vejam Friburgo como um destino interessante, para que os investidores enxerguem boas oportunidadesepara que as portas dos gabinetes do governador, dos deputados, dos ministros e da presidenta se abram para nós.

Século XXI– Muitos cidadãos consideram que Nova Friburgo tem perdido sua qualidade de vida nos últimos 30 anos.Quais as principais razões desta queda e o que pretende fazer na preservação do meio ambiente e na promoção da qualidade de vida?

Rogério Cabral: É verdade. Os problemas da cidade não começaram em 2011, nem há quatro anos. O problema vem de longe. Pergunte a alguém que conheceu Nova Friburgo há 20 ou 30 anos atrás, e não esteve mais aqui depois, qual é a imagem que ele tem de Friburgo. Você vai se surpreender. Vocêsabia que no passado uma comissão de Gramado veio aqui estudar como nós trabalhavamos nosso turismo? Naquela época, tínhamos o segundo parque hoteleiro do estado. Tinhamos uma indústria fortíssima. Tínhamos um identidade. Todos remavam numa só direção. Quando começaram as grandes mudanças econômicas no país e no mundo nós estávamos parados, cuidando de brigas políticas internas, locais. Enquanto isso outras cidades se preparavam para receber novos negócios.

Precisamos agora mapear quais são os bons negócios para Nova Friburgo. É preciso conciliar nossos interesses com nossos potenciais. Por exemplo, não quero aqui grandes indústrias poluidoras, vamos deixar isso para o Comperj. Mas podemos desenvolver indústrias de mecânica de precisão e fornecer para o Comperj e para a região do petróleo.

Em relação ao turismo, ao invés de eventos monumentais que criam graves problemas de trânsito, estacionamento, barulho, limpeza, segurança e etc, podemos incentivar o turismo familiar que é muito mais rentável para o setor. Para isso precisamos ter dezenas de pequenos eventos de vários tipos promovidos pelo setor privado, ancorados por eventos maiores promovidos (ou apoiados) pela prefeitura. Ou seja, a prefeitura promove o Festival de Inverno e, em paralelo, os hoteis, restaurantes, bares, clubes e produtores culturais ou esportivos promovem pequenos eventos. Assim quando a família de turistas chega, o pai, a mãe, o adolescente, a criança, todos tem atrações adequadas. Várias outras ações serão necessárias, citei esses exemplos apenas para que você possa entender nossa linha de raciocínio.

Meio ambiente e qualidade de vida estão intimamente ligados. Temos alguns problemas graves na preservação dos nossos rios, montanhas e matas que precisam ser imediatamente corrigidos. Nosso patrimônio ambiental tem um grande potencial turístico (inclusive internacional), mas precisa de atenção e investimento. Nossa agricultura, se apoiada, pode se desenvolver muito de maneira sustentável. O agricultor friburguense dá muito valor à preservação ambiental e os produtos que ele produz podem contribuir muito para a saúde dos que vivem na cidade. Óbvio que os problemas de infra-estrutura da cidade vem influenciando negativamente avida do cidadão. Os nossos projetos para melhoria do transito, criação de novos bairros e crescimento da economia (entre outros) irão contribuir em muito na melhoria da qualidade de vida.

Repito um conceito de campanha: tudo está ligado. Não adianta tentar resolver os problemas de forma isolada.

Século XXI– Qual a sua visão sobre os problemas da saúde no município? E na questão do trânsito? Que encaminhamentos enxerga para estas duas áreas?

Rogério Cabral:Saúde é prioridade máxima. Vamos começar com um tratamento de choque com o apoio do governo estadual, que enviará profissionais e recursos, colocando em dia exames e cirurgias que estão atrasados. Ao mesmo tempo, estaremos reorganizando toda a estrutura administrativa da Saúde para que toda a rede funcione de forma efetiva. Equipe de medicina preventiva nas escolas, Sáude da Familia, Postos de Saúde e Raul Sertã. Tudo tem que funcionar para que não se sobrecarregue um dos “estágios” da rede. Precisamos resolver a questão do concurso de 99 e contratar pessoal suficiente por salários competitivos no mercado.

Só assim teremos bons profissionais e motivados. Destaco que hoje, já temos alguns bons profissionais, que mesmo com as dificuldades continuam cuidando da saúde dos friburguenses. Vou valoriza-los. Eles são um exemplo de dedicação e idealismo.

O Hospital Estadual que será contruído aqui nos possibilitará não só melhorar o atendimento aos friburguenses e cidades vizinhas, mas também economizar recursos que nos fazem muita falta hoje para melhorar toda a rede de saúde e investir em urbanização, educação e outras áreas.

O projeto que chamamos de “Novos Caminhos” será uma das principais açoes que tomaremos para melhorar o trânsito. Não é possível que todo o transito de Nova Friburgo tenha que passar pelo Paissandu, pelo centro da cidade e pela Roberto Silveira. Vamos abrir novas ligaçoes como por exemplo de Ponte da Saudade à Olaria. Vamos colocar em prática os projetos da Av Nossa Sra. do Amparo e Ferroviários e vamos cobrar da Rota 116 a Av Brasil. A Estrada do Contorno também vai sair em breve. Além disso, precisamos fazer um estudo profundo do trânsito que passa inclusive pelas rotas e horários de ônibus, controle do tráfego de carretas com horários limitados,ciclovias, e outros pontos.

Século XXI – Na questão da fragilidade de Friburgo aos eventos climáticos, o que tem em mente? Como pretende encaminhar o problema da população nas áreas de risco e o déficit habitacional do município?

Rogerio Cabral: Novos caminhos levarão a novos bairros. Nova Friburgo precisa se expandir geograficamente. Voce deve se lembrar do tempo em que a Barra da Tijuca, no Rio, era um “deserto”. Pois, com a saturação das áreas urbanas, na época, o Rio precisou encontrar novos espaços. Veja a Barra hoje, é um lugar fantástico para se viver. Nós não podemos continuar com tudo e todos concentrados no vale espremido que é o nosso centro da cidade. Vamos encontrar novos espaços, urbanizá-los, equipá-los com escolas, postos de saúde, comérico, etc e ligá-los aos bairros que já existem através de nova ruas. Só assim teremos novas moradias seguras que ofereçam qualidade de vida às pessoas. O sistema de transporte com integração será imprescindivel para que isso se torne viável, por isso estamos trabalhando no projeto do fundo de compensação tarifária, que reduzirá consideravelmente o preço da passagem para o usuário. Encaramos o transporte não como um serviço qualquer, mas como uma política pública capaz de desenvolver novos polos de crescimento urbano no município.

Existem açoes emergenciais de reconstruçao, contençoes de barreira, dragagem de rios e construção de casas populares que serão iniciadas com a maior rapidez possível. Algumas já estão acontecendono governo atual, outras começarão em 2013, mas ninguém vai ser esquecido em Nova Friburgo.

Por: ForumSec21