22/11/2012 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Nova Friburgo necessita de visão de futuro e estímulo às vocações.

Só uma visão de futuro e um estímulo às vocaçõesgerarão um verdadeiro desenvolvimento em Nova Friburgo

O processo de recuperação econômica do município deve evitar os erros do passado, atentar para as transformações de um mundo cada vez mais integrado, identificar e investir nas potencialidades locais, e aproveitar da melhor forma as oportunidades globais.

Bernardo Fonseca

Nos últimos dois anos Nova Friburgo tem vivenciado um verdadeiro inferno astral. A tragédia climática de 2011 trouxe grandes questões para o presente e para o futuro. O desemprego subiu, famílias e empresas encontraram enormes dificuldades, a arrecadação de impostos caiu significativamente e a inadimplência aumentou. Para agravar a situação, a cidade, que tem na indústria mais de 50% de seu PIB (Produto Interno Bruto), encontra problemas para lidar com a concorrência desleal dos produtos asiáticos, principalmente os chineses, no setor têxtil e de moda íntima.

É bem verdade que, apesar do enorme desafio apresentado, graças ao trabalho árduo de milhares de friburguenses, sejam empresários ou trabalhadores, as vagas de emprego perdidas foram recriadas e o processo de retomada da atividade econômica de alguns setores tem apresentado um expressivo desempenho. Porém, em uma análise geral, levando-se em conta todo o período anterior ao da tragédia, o panorama é crítico. O ritmo de crescimento populacional, por exemplo, teve forte desaceleração durante a década passada.

Entre 2001 e 2010, a população da cidade cresceu apenas 5%. Uma forte diminuição em relação às décadas anteriores e um aumento bem abaixo da média estadual e nacional. Isso se explica, em parte, ao evidente esvaziamento econômico do município, processo iniciado durante as crises dos anos 1980 e 1990, que esfacelou a então tradicional indústria têxtil friburguense, restringindo ainda mais o mercado de trabalho a empregos voláteis e de baixa remuneração, além de contribuir para o crescimento do trabalho informal.

Contradição entre possibilidades de estudo e de trabalho

Nova Friburgo vivencia uma contradição. Ao mesmo tempo em que se consolida como polo universitário, a cidade enfrenta a chamada “fuga de cérebros”. Isso ocorre por diversas razões, dentre as quais se destacam a falta de boas oportunidades de trabalho e perspectivas de futuro, além da maior parte dos empregos criados serem de baixa qualificação. A ausência de políticas de geração de trabalho e renda em todos os níveis do poder público contribui para esta situação, ao passo em que o município não consegue se desenvolver adequadamente para absorver o crescente número de pessoas que se formam a cada ano e que acabam migrando para outras cidades.

Os desafios econômicos se somam aos desafios sociais.

É sabido que a chave para o progresso, seja de uma cidade ou de um país, é a educação. Ela remove barreiras, torna o cidadão mais livre para pensar, agir e prosperar, reduzindo a pobreza e as desigualdades sociais. Em Nova Friburgo, ações importantes foram realizadas nos últimos anos, com a chegada não somente de grandes universidades como a Cândido Mendes, Estácio, UERJ e UFF, mas também com o estabelecimento do CEFET no município, por exemplo. Mas se as lideranças de Nova Friburgo desejam vê-la realmente desenvolvida, é preciso atentar mais cuidadosamente para a área educacional sob responsabilidade da rede municipal de ensino, que compreende o Ensino Básico e o Fundamental, onde as estatísticas mostram dificuldades históricas que não serão resolvidas a curto prazo.

Dados do Censo 2010, divulgados pelo IBGE, apontam uma situação preocupante. O índice de analfabetismo é duas vezes menor que o nacional, mas cerca de 60% dos friburguenses têm, no máximo, o Ensino Fundamental completo, e a porcentagem de pessoas que conseguiram concluir algum curso superior é inferior a 8%. Estas estatísticas demonstram um problema que está acima de qualquer tentativa de retomada econômica que inclua novas áreas de trabalho, com oportunidades crescentes e melhorias de salário.

A sociedade do conhecimento e da informação está em plena ebulição e, para evitar um futuro duvidoso, é preciso fazer um importante investimento em educação, mas também estimular a participação dos empresários e da sociedade civil organizada.

Oportunidades locais em uma economia global.

O mundo passa por importantes transformações econômicas. Entre as décadas de 1970 e 1990, a grande maioria dos países ocidentais iniciou uma transição da economia industrial, onde os empregos eram concentrados nas indústrias, para uma economia de serviços, bem mais diversificada, globalizada e com a ascensão do turismo como a principal alternativa para o futuro de diversos lugares.

Essas mudanças tiverame ainda têm um significativo impacto em cidades como Nova Friburgo, que vivencia um processo de desindustrialização, onde fica evidente a falta de visão estratégica por parte das administrações passadas.

Outras cidades de porte semelhante conseguiram trilhar um caminho de maior prosperidade. Um exemplo é Caxias do Sul, na serra gaúcha, que conseguiu triplicar seu PIB na última década, com um bom investimento em educação e boa estratégia econômica. Como consequência direta, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do município aparece entre as melhores colocações do Rio Grande do Sul.

No Rio de Janeiro as perspectivas do ponto de vista econômico são bastante otimistas. Além da localização entre São Paulo e Minas Gerais, importantes regiões industriais do Brasil, o estado possui em curso diversos megaempreendimentos, como o Complexo Petroquímico de Itaboraí - que deve gerar mais de duzentos mil empregos diretos e indiretos, o Superporto do Açu e os grandes eventos internacionais como a Copa do Mundo FIFA 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016.

Neste período decisivo da história de Nova Friburgo, é crucial que a próxima administração municipal atente para a necessidade de se aproveitar ao máximo as oportunidades da atualidade, investindo em educação, estimulando o empreendedorismo, dando condições para o desenvolvimento de novas atividades e tendo visão de futuro. Se a cidade conseguir enxergar um caminho para cultivar suas diversas vocações e potenciais, como por exemplo, o turismo, tornará mais fácil a prosperidade bater à porta dos friburguenses novamente.

Bernardo Fonseca é estudante de Comunicação Social na Universidade Estácio de Sá - fonsecb@gmail.com

Por: ForumSec21