21/11/2012 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Vamos à Feira Orgânica de Nova Friburgo?

A Feira Orgânica de Nova Friburgo é uma grande oportunidade de melhorarmos a nossa saúde, consumindo produtos sem agrotóxicos. Também é uma ótima possibilidade econômica para Nova Friburgo, uma vez que somos referência em agricultura e o consumo de orgânicos cresceu 40% no último ano no Brasil. Trata-se de uma grande mudança de mentalidade que traz melhoria na saúde, na qualidade de nosso meio ambiente e pode gerar também muitos recursos econômicos para o nosso município. Além disto, na Feira, os produtos são mais baratos do que no comércio, pois são vendidos diretamente do produtor para o consumidor. Saiba mais lendo a matéria abaixo.

A Feira Orgânica de Nova Friburgo acontece todo sábado de 7 às 12 horas, na Praça do Suspiro.

Nos anos 80, o município de Friburgo foi pioneiro na produção orgânica no Rio de Janeiro. Produtores e técnicos, inconformados com a degradação e poluição causada pelos agrotóxicos, se organizaram para produzir alimentos sem impacto no meio ambiente, nos trabalhadores rurais e nos consumidores. Introduziram o manejo agroecológico e criaram, em 1984, a “Feirinha da Saúde”. No ano seguinte, foi fundada a ABIO (Associação dos Agricultores Biológicos-RJ), a primeira associação de agricultores orgânicos do pais.

A agricultura orgânica no país

Embora o Brasil seja o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, a busca por uma alimentação mais saudável faz com que também esteja aumentando bastante o consumo de produtos orgânicos no país. Números do Projeto “Organics Brasil” apontam que o consumo no setor cresceu 40% no último ano.

Resultado de uma produção sem agrotóxicos e que respeita os aspectos ambientais, sociais e culturais, os orgânicos ganham espaço na mesa dos brasileiros. Hoje já são frutas, verduras, mel, cereais, cosméticos e tecidos produzidos a partir de matérias-primas sem o uso de químicos.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) apoia a prática, por meio da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), instituída pelo governo federal no mês de agosto.

“Estamos também apoiando a formação da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na elaboração de um edital para assistência técnica e extensão rural, a partir de 2013, para atender a 50 mil famílias em bases agroecológicas”, diz o coordenador da Gerência de Agroextrativismo da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA João D’Angelis.

Contaminação por agrotóxicos

D’Angelis destaca, ainda, os benefícios do consumo de orgânicos:

“Esse tipo de alimento faz muito bem a saúde, para a natureza e para a economia local, garantindo a sustentabilidade da produção”.

Segundo D’Angelis, são alarmantes os dados de contaminação de alimentos por agrotóxicos. “Estudos da Anvisa mostram que, em 2010, 75% das amostras de 18 alimentos apresentaram resíduos de agrotóxicos”.

Um dos objetivos da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânicaé ampliar o número atual de 200 mil para 300 mil famílias envolvidas com produção orgânica em bases agroecológicas até 2014. Além disso, o governo busca incentivar o consumo desses produtos pela população.

A PNAPO pretendearticular e adequar políticas públicas e programas indutores da transição agroecológica e da produção orgânica, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida da população.

Os agrotóxicos e o cancer

Dois documentos divulgados no final de abril de 2012 alertam para o risco de surgimento de câncer pelo uso dos agrotóxicos no Brasil. No dia 29, a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO) lançou a primeira parte do dossiê “Um alerta sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde”, que busca, através de evidências científicas, chamar a atenção às doenças causadas pela exposição a esses produtos químicos. Conforme o dossiê da Abrasco, além dos efeitos imediatos, como intoxicação e morte, os efeitos crônicos podem ocorrer meses, anos ou décadas após a exposição aos agrotóxicos, manifestando-se em várias doenças como cânceres, má formação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais.

Já o Instituto Nacional do Câncer (INCA) divulgou, no dia 30 de outubro, um documento em que também relaciona a ocorrência de câncer ao uso dos agrotóxicos. De acordo com o estudo do Inca, o Brasil registra em torno de 500 mil casos de câncer por ano, muitos deles relacionados ao aumento do uso de agrotóxicos, seja na sua aplicação e exposição, mas sobretudo ao acúmulo dentro dos alimentos.

Em direção aos orgânicos

Não resta dúvida que os orgânicos são produtos mais saudáveis, pois os agrotóxicos estão dando todas as provas de serem um veneno para a saúde humana.

O Ministério do Meio Ambiente destaca dez motivos para consumir mais produtos orgânicos:

1. Evitam problemas de saúde causados pela ingestão de substâncias químicas tóxicas;

2. São mais nutritivos. Solos ricos e balanceados com adubos naturais produzem alimentos com maior valor nutritivo;

3. São mais saborosos. Sabor e aroma são mais intensos – em sua produção não há agrotóxicos ou produtos químicos que possam alterá-los;

4. Protegem futuras gerações de contaminação química. A agricultura orgânica exclui o uso de fertilizantes, agrotóxicos ou qualquer químico e tem como base de seu trabalho a preservação dos recursos naturais;

5. Evitam a erosão do solo. Através das técnicas orgânicas como rotação de culturas, plantio consorciado, compostagem, etc., o solo se mantém fértil e permanece produtivo ano após ano;

6. Protegem a qualidade da água. Os agrotóxicos utilizados nas plantações atravessam o solo, alcançam os lençóis d’água e poluem rios e lagos;

7. Restauram a biodiversidade, protegendo a vida animal e vegetal. A agricultura orgânica respeita o equilíbrio, criando ecossistemas saudáveis;

8. Ajudam os pequenos agricultores. Em sua maioria, a produção orgânica provém de pequenos núcleos familiares que tem na terra a sua única forma de sustento. Mantendo o solo fértil por muitos anos, o cultivo orgânico prende o homem à terra e revitaliza as comunidades;

9. Economizam energia. O cultivo orgânico dispensa os agrotóxicos e adubos químicos, utilizando a cobertura morta, a incorporação de matéria orgânica ao solo e o trato manual dos canteiros. É o procedimento contrário da agricultura convencional que se apoia no petróleo como insumo de agrotóxicos e fertilizantes e é a base para a intensa mecanização;

10. O produto orgânico é certificado. A qualidade do produto orgânico é assegurada por um Selo de Certificação emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e garante ao consumidor estar adquirindo produtos mais saudáveis e isentos de qualquer resíduo tóxico.

Matéria: Dib Curi

Por: ForumSec21