19/06/2012 Noticia AnteriorPróxima Noticia

ONU lança iniciativa global para cidades inteligentes

A cada ano a população mundial se torna mais e mais urbana, as projeções indicam que até 2050, 80% das pessoas viverão em cidades e o desafio é melhorar a eficiência no uso de seus recursos como água e energia, além de reduzir os níveis de poluição responsável pela piora da qualidade de vida.

Como forma de favorecer o crescimento mais sustentável das cidades e melhor aproveitar os recursos, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou, nesta segunda-feira, dia 18 de junho, na Rio+20, a Iniciativa Global para Cidades Eficientes no Uso de Recursos (em inglês Global Initiative for Resource Efficient Cities).

O objetivo é atrair a adesão voluntária de cidades mundiais com mais de 500 mil habitantes para estabelecer metas a serem perseguidas até 2020 como a melhora na eficiência hídrica e energética em edifícios, indústrias e nas cidades em 50% de seu consumo atual, assim como expandir as redes de reciclagem e o tratamento de resíduos sólidos.

“É possível reduzir o consumo sem a necessidade de investir volumosos recursos, é apenas uma questão de mudar hábitos de vida. Muitas cidades no mundo desperdiçam um terço de sua água devido à má gestão”, afirmou Arab Hoballah, coordenador da iniciativa do PNUMA.

Apesar de as cidades ocuparem uma área de apenas 3% da superfície da Terra, elas respondem por metade da geração de todo o lixo, geram entre 60% e 80% de todas as emissões de gases de efeito estufa e ainda são responsáveis por consumir 85% dos recursos naturais.

Em 20 anos, os investimentos urbanos em infraestrutura necessários para tornar as cidades mais eficientes e sustentáveis são de de U$S 41 trilhões com enfoque especial no planejamento urbano mais inteligente como a melhoria dos transportes públicos, áreas para pedestres, ciclovias e adoção de tecnologias verdes.

Contudo, segundo as Nações Unidas, é possível fazer uma economia no uso de água em 30% e reduzir até mesmo pela metade o consumo de energia nas grandes cidades apenas adotando hábitos e comportamentos de consumo no dia a dia.

Cidades como São Paulo, no Brasil; Copenhague, na Dinamarca; Malmö, na Suécia; e Gwangju, na Coréia do Sul; já aderiram à iniciativa. O Rio de Janeiro, anfitrião da Conferência Rio+20, também pretende ingressar na iniciativa.

Os governos dos Estados Unidos e do Japão também anunciaram seu apoio na Rio+20. “Esta iniciativa é oportuna, pois no Japão, depois do terremoto, muitas cidades estão se reconstruindo e queremos que sejam amigáveis ao meio ambiente e de baixo carbono. Já traçamos uma estratégia de crescimento verde. Estamos trabalhando na ideia de eficiência energética e menos emissões”, enfatizou o assistente especial do Ministério de Relações Exteriores do Japão, o embaixador Masahiko Horie.

Hoballah do PNUMA garantiu ainda que haverá um mecanismo para monitorar o desempenho das cidades que aderirem à iniciativa global e incentivar medidas inovadoras de sustentabilidade.

Metas sustentáveis para as cidades

Segundo disse à IPS o engenheiro ambiental da Escola Politécnica da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), Haroldo Mattos de Lemos, só no Brasil, 85% da população vive hoje nas cidades, 161,5 milhões, diferentemente de 50 anos atrás, quando apenas 30% da população brasileira era urbana.

O pesquisador defende que sejam criadas metas específicas de eficiência no uso dos recursos de acordo com cada cidade. “Nós, até hoje, demos pouca importância ao meio ambiente urbano e à qualidade de vida urbana como praças, arborização, qualidade do ar boa, se o lixo é coletado e tratado de forma correta, assim como o tratamento de esgoto”, afirmou Mattos de Lemos.

Apesar das expectativas em torno da definição de metas do desenvolvimento sustentável (as chamadas SDGs em inglês,Sustainable Development Goals), o engenheiro ambiental já não alimenta esperanças que da Rio+20 saiam metas estabelecidas.

“É importante criar metas para os centros urbanos, mas não acreditamos mais que seja possível, desta reunião da Rio+20, que os governos aprovem medidas concretas. No processo para desenvolver as SDGs até 2015 para substituir as metas do milênio, as cidades tem que estar incluídas”, defendeu.

Fabíola Ortiz

Por: TerraViva