25/04/2012 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Modelo de crescimento está perto do esgotamento, diz Octavio de Barros

SÃO PAULO - O modelo de crescimento brasileiro - apoiado na inclusão social, expansão robusta do crédito, câmbio valorizado e carga tributária em alta - ainda não se esgotou, mas está próximo do fim, na avaliação do economista Octavio de Barros, diretor do departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco.

A saída, disse Barros, é a promoção pelo governo de novas e necessárias reformas, que agreguem competitividade à economia. O economista ministrou nesta quinta-feira palestra sobre a crise externa e perspectivas para a economia brasileira em 2012.

"As taxas de juros estão caindo de forma pronunciada. Não dá para imaginar uma nova onda de choque de commodities que valorize ainda mais a nossa moeda. As políticas sociais não vão continuar incluindo novos 50 milhões de consumidores na classe média a cada dez anos. Além disso, o crédito não vai mais crescer a 25% ao ano. Projetamos 13,6% para o ano que vem", pontuou o economista do Bradesco durante o evento, promovido pelo Centro de Integração Empresa Escola (CIEE).

A solução para um crescimento sustentável nos próximos anos, na opinião de Barros, passa por um aumento dos investimentos públicos e privados, diminuição dos gastos de custeio da máquina pública, melhores condições de financiamento, juros ainda menores e reformas que deem mais competitividade e produtividade à economia do país. "Não há alternativa fora da opção reformista", disse.

Em sua avaliação, a presidente Dilma Rousseff está no caminho certo, ao iniciar uma política industrial "menos envergonhada", de protecionismo ainda "elegante", além de promover mudança na política cambial para conter a apreciação do real e tentar alavancar o crédito por meio dos bancos públicos. "Política de desenvolvimento não é para amadores. Este será o norte."

(Arícia Martins)

Por: Valor Econômico - UOL