21/03/2012 Noticia AnteriorPróxima Noticia

A ascensão das redes sociais na internet: porque você deve prestar mais atenção a elas

De Nova York a Cairo. De Atenas a Reykjavík. As redes sociais cada vez mais ganham importância como um espaço democrático de debate, informação e comunicação. Em Nova Friburgo é local para o cidadão discutir o futuro da cidade e também é um bom meio de mobilização popular.

Bernardo Fonseca

Nos últimos anos o mundo tem experimentado uma mudança nas relações entre os seres humanos. Se no passado o contato entre duas pessoas ou entre um grupo de pessoas que não estavam no mesmo lugar era via telefone ou carta, na última década passou a ser protagonizando pelo e-mail. Mas em um mundo que passa cada vez mais por transformações que parecem ocorrer ao piscar dos olhos, hoje são as redes sociais os grandes meios de comunicação à distância.

Sites como Facebook, Twitter, Orkut ou YouTube tem cada vez mais desempenhado o papel de e-mail, de “telegrama virtual” através dos recados, e recentemente até mesmo de telefone como o Gmail por exemplo.É um verdadeiro turbilhão de informações onde cada segundo significa mi-lhares de postagens, curtições ou compartilhamentos.

Modificações Sociais

Mas não é só como meio de comunicação instantânea que esses espaços são caracterizados. São verdadeiros fóruns, que vão desde um meio para debater uma proposta de lei polêmica a um meio de organização de eventos, protestos, movimentos etc. No Egito foi o caminho para organizar as mega manifestações que derrubaram mais de três décadas da ditadura de Hosni Mubaraki. Na Islândia depois da quebra do país durante a crise financeira de 2008 e aos subsequentes protestos, uma comissão de 25 cidadãos foi eleita para redigir uma nova constituição. Após meses de trabalho, uma prévia do documento foi apresentada ao povo e aberta a discussão e a cons-trução coletiva através da internet. O Facebook está sendo um dos meios utilizados pelo governo para promover a participação popular em uma ação histórica.

A internet após 11 de janeiro

Em Nova Friburgo, após a tragédia de 11 de janeiro, foi através das redes sociais que boa parte da população encontrou um meio de acompanhar o processo de reconstrução da cidade. Assim surgiram grupos como o Transparência Nova Friburgo, Eco-reconstrução da região serrana, GNF Informação de Nova Friburgo, Debatendo com Denise Lopes, Reforma Política em Friburgo JÁ, entre outros. Nessas comunidades virtuais centenas de pessoas passaram a postar suas angustias, indignações, informações, questionamentos, ideias e notícias.

Com o passar do tempo, os debates virtuais deram lugar a ações presenciais. Surgiram então novos grupos como o Nova Friburgo em Transição cujo objetivo é inserir o município na rede internacional de Cidades em Transição através da promoção de atividades que levem a uma cidade mais sustentável. Também surgiu o Movimento Absurdo após o aumento da passagem decretado no final de maio pelo então prefeito Dermeval Barboza Moreira Neto enquanto a cidade ainda se recuperava do susto de janeiro.

Esses grupos conseguiram tirar da frente do computador os cidadãos que antes apenas “comentavam” ou “curtiam”. Através da rede ocorreram mobilizações como a que levou a população a lotar a Câmara Municipal no dia 12 de julho de 2011 que, após intensa pressão, aprovou a instauração da “CPI da Tragédia”. Manifestações inspiradas no movimento “Occupy Wall Street”como as ocupações da Praça Getúlio Vargas em outubro e novembro também foram elaboradas através da internet. E o surgimento do EU LUTO, onde cidadãos revoltados, após um temporal que inundou o centro da cidade no final de outubro, se uniram e foram até a CMNF (Câmara Municipal de Nova Friburgo) cobrar ações urgentes para pedir uma garantia de segurança ao povo com a chegada da temporada de chuvas.

Tudo tem seu bônus e seu ônus.

Apesar de todo esse otimis-mo, a novidade também tem seus pro-blemas. De olho no crescimento desses espaços virtuais, os políticos não perdem uma oportunidade. Recentemente um vereador da cidade se envolveu em uma briga virtual com um eleitor utilizando palavrões e xingamentos. Também surgiram os chamados “fakes”: perfis falsos que tentam se passar por uma determinada pessoa ou um perso-nagem e que são usados para denegrir alguém, algum grupo ou também determinados políticos. Foi o que ocorreu no Movimento Absurdo e no Transparência Nova Friburgo, por exemplo. Além disso, esses espaços virtuais tem demons-trado pouca força em conseguir manter a mobilização popular. Isso ocorreu em quase todos os grupos que viram a capacidade de levar a população para o encontro presencial desaparecer.

Jovens se uniram para fundar o GAM

A aparente desmobilização levou ao surgimento de um novo grupo chamado GAM (Grupo Articulação dos Movimentos), cujo objetivo é reunir os grupos virtuais, presenciais e organizações não governamentais como um meio popular para somar forças na reconstrução da cidade. De um grupo online surgiu um movimento social. Fazem parte o Nova Friburgo em Transição, Movimento Absurdo, Anonymous Região Serrana, Movimento Democracia Real (MDR) e também as ONGs Diálogo e Eccosocial da Região Serrana.

Foi o GAM que em outubro e novembro organizou as acampadas na Praça Getúlio Vargas e hoje, o grupo é parceiro na construção do PESC (Plano de Emergência da Sociedade Civil) encabeçado pelas ONGs Diálogo, Eccosocial da Região Serrana e Care Brasil que promovem reuniões mensais em dezenas de bairros para ouvir as demandas das comunidades.Além disso, o grupo vem apoiando a organização da I Feira da Terra de Nova Friburgo a ser realizada no final de março na Praça Dermeval Barbosa Moreira e se prepara para participar da Cúpula dos Povos na Rio+20, apresentando o caso de Nova Friburgo e como a população vem lidando com o processo de recuperação.

Um exemplo de como cidadãos comuns, agindo de forma livre e voluntária se conheceram pela internet e passaram a contribuir com o desenvolvimento da cidade. Com as eleições chegando o GAM tem em mãos um abaixo-assinado com cerca de 3.500 assinaturas coletadas em praça pública que será entregue aos candidatos a prefeito. O documento exige uma mudança de postura do próximo governo para umaadministração mais transparente, mais participativa, que promova de fato a melhora da qualidade de vida da população, restaure a economia sob novos víeis e insira definitivamente o município no século XXI, no rumo do desenvolvimento sustentável.

Certamente as redes sociais da internet chegaram para ficar e prometem abrir caminho para mais participação popular nas decisões. É precisoatentar para este fato e enxergar o quão significativo é o momento para não ficar para trás. A transformação para um sistema democrático mais verdadeiro, onde o cidadão é quem realmente discute o seu futuro e participa das decisões.

Bernardo Fonseca é estudante de Comunicação Social na Universidade Estacio de Sá - fonsecb@gmail.com

Por: ForumSec21