28/01/2012 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Começam negociações sobre documento que vai pautar a Rio+20

O primeiro rascunho do documento que vai pautar a Rio+20, a cúpula das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, começou a ser debatido na quarta-feira (25), em Nova York. Sha Zukang, secretário-geral da conferência, avaliou que esta primeira rodada de negociações precisa chegar a um resultado prático, o que aumentaria as chances de sucesso do evento. A Rio+20 está prevista para ocorrer de 22 a 26 de junho no Rio de Janeiro, 20 anos após a Cúpula da Terra (Rio 92).

“Quando os líderes mundiais se reunirem no Rio daqui a cinco meses, precisaremos apresentar a eles um resultado ambicioso e prático, que equivalha à magnitude dos desafios da atualidade”, disse Zukang, segundo a Agência ONU. “Precisamos de um resultado robusto da Rio+20, com compromissos políticos revigorados por todos os países”.

Chamado de “Rascunho Zero”, o documento foi divulgado em 11 de janeiro. Com 19 páginas, ele foi elaborado a partir de mais de 6 mil páginas de propostas submetidas por países, organizações internacionais e sociedade civil.

O rascunho convoca os países a criar soluções para erradicar a pobreza no mundo, reduzir o impacto na biodiversidade, além de resolver questões diplomáticas como a criação de uma “agência ambiental” independente, que seria sediada no Quênia. O documento também afirma que, entre 2012 e 2015, as nações terão que criar metas para se chegar a uma economia verde.

Zukang ainda recomendou que governantes e sociedade civil se concentrem em discutir objetivos claros para atingir um desenvolvimento sustentável. Outras rodadas de negociações estão previstas a partir de março.

Críticas – A Rio+20 tem enfrentado críticas sobre sua efetividade para firmar acordos globais. Na semana passada, parlamentares de subcomissões do Congresso criadas para acompanhar a organização da Rio+20 disseram temer que evento não tenha sucesso.

“Creio que o encontro caminha para ser um grande fracasso. Não está havendo interesse dos grandes países em enviar os grandes líderes mundiais. Estou em contato com muitas pessoas no exterior e percebo que a reunião não está sendo levada a sério”, avaliou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

O rascunho zero também foi alvo de polêmica. Renata Camargo, coordenadora de políticas públicas da organização ambiental Greenpeace, avaliou que o documento é pouco ambicioso e “não levou em conta a urgência do tema, como a mudança climática”.

Por: Globo Natureza