01/01/2012 Noticia AnteriorPróxima Noticia

A filosofia “Slow Food” promove a valorização de melhores hábitos alimentares

“O conceito de alimento bom, limpo e justo, definido no Manifesto Slow Food para a Qualidade, compõe a filosofia do Movimento mundial Slow Food e refere-se ao sabor e a o modo de cultivo dos alimentos e também ao reconhecimento dos produtores pelo seu trabalho”. A definição é da engenheira de alimentos Fabiana Thomé da Cruz. Já o modelo de alimentação “Fast Food” é caracterizado por ser composto por “alimentos processados, ricos em gorduras, carboidratos, açúcares e sódio”.

Graduada em Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, do Brasil, Fabiana é mestre em Agroecossistemas pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutoranda em Desenvolvimento Rural pela UFRGS. Integra o Grupo de Estudos e Pesquisas em Alimentação e Cultura (PGDR/UFRGS) e é co-editora da Coluna Alimentação e Cultura, mantida no website do Slow Food Brasil.

Segundo Fabiana: o conceito de alimento bom, limpo e justo, definido no Manifesto Slow Food para a Qualidade, compõe a filosofia do Movimento Slow Food:

1 - Alimento bom é entendido como decorrência de modos de produção e de processamento que tenham o o-bjectivo de preservar ao máximo a naturalidade dos alimentos.

2 - Alimento limpo é aquele produzido por meio de modos de cultivo que adotam práticas de agricultura, manejo animal e processamento que buscam, em todas as etapas, ter menor impacto possível para o meio ambiente a para a biodiversidade, não oferecendo, ao mesmo tempo, riscos à saúde dos consumidores. Nessa proposta, alimento limpo seria, por exemplo, aquele produzido sem uso de agrotóxicos e processado preferencialmente com mínimo emprego de aditivos químicos.

3 - Alimento justo é aquele que, durante todo o processo produtivo, oferece condições de trabalho justas para os produtores, tanto em termos de geração de rendimento como em relação ao respeito pela diversidade de culturas e modos de vida.

De modo geral, repensar a qualidade dos alimentos e da alimentação significa orientarmos as nossas escolhas para atender ao conceito de alimento bom, limpo e justo. Se considerarmos que as escolhas alimentares que fazemos têm implicações na nossa saúde, na “saúde” do meio ambiente e nas condições de trabalho na agricultura, em vez de privilegiarmos modelosalimentares de produção massiva e padronizada de alimentos, podemos valorizar alimentos produzidos localmente, por produtores que tenham os seus métodos de produção e processamento reconhecidos por respeitar a saúde dos consumidores o meio ambiente.

Repensar a qualidade dos alimentos e da alimentação significa reconhecermos que nós, consumidores, podemos influenciar muito nos rumos da produção e no sistema de distribuição de alimentos.

Falar que existe uma alimentação “errada” supõe aceitar que existe uma alimentação “certa”. Contudo, é importante reconhecer que não se trata de determinar qual é a alimentação certa, mas sim de compreender que cada sociedade se alimenta de acordo com os seus hábitos e a sua cultura.

Se tomarmos a diversidade alimentar de cada sociedade como “certa”, podemos argumentar que um dos desafios decorrentes da alimentação “errada” refere-se à perda da diversidade alimentar e culturas alimentares locais em prol de um modelo de alimentação global epadronizado. Esse modelo de alimentação, que poderíamos genericamente considerar “Fast Food”, tem por base alimentos altamente processados, ricos em gorduras, carboidratos, açúcares e sódio. Dietas com essas características, vêm se difundido no Brasil, e apresentam como consequências problemas de saúde como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão, etc. Mas é importante ressaltar que, além da perda de diversidade alimentar e de problemas associados directamente à saúde dos consumidores, esse modelo apresenta também implicações ambientais (consequências de práticas de agricultura intensiva, mecanizada, com elevada utilização de insumos químicos), e implicações sociais (ocasio-nadas pela significativa marginalização e empobrecimento de produtores rurais).

Por: Texto resumido retirado do SITE do instituto humanista UNISINOS