25/10/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Na França, manifestações contrárias à cúpula do G20 já começaram

A Cúpula do Grupo dos 20 (G20) nem bem começou, mas as manifestações populares contrárias ao poder do grupo para deliberar sobre a agenda mundial sim. Desde o dia 1º de novembro, organizações, sindicatos, associações e manifestantes independentes estão nas ruas de Nice, na França, para pedir aos representantes dos 20 países mais influentes do planeta que pensem primeiro nas pessoas.

Além das manifestações contra o sistema financeiro, em paralelo à cúpula do G20 - que acontece amanhã (4) e sábado (5) na cidade francesa de Cannes - Nice será sede também do ‘Fórum dos Povos’. O evento busca chamar a população mundial a resistir ao aprofundamento da crise econômica e social global.

Devem nortear este evento palavras de ordem como: As pessoas, não o mercado; Mudem o sistema, não o planeta; Parem a austeridade, um fim à desigualdade;Eles são 20, nós somos bilhões, Não joguem com a nossa comida; eIndignados, Rebeldes, Solidariedade.

A abertura do Fórum dos Povos aconteceu na última terça-feira (1º) com uma marcha puxada pela Coalizão Nacional contra o G8/G20. Na manhã e tarde da quarta, o Fórum dos Povos teve andamento com ações e oficinas oferecidas pelas várias organizações participantes. Nesta quinta, véspera da Cúpula do G20, está sendo articulada uma manifestação irônica na entrada Principado de Mônaco. Brindando com champanhe, os manifestantes pretendem relembrar a promessa - não cumprida - feita em Londres (2009) de combater os paraísos fiscais. O programa terá continuidade com discussões, assembleias de luta e conferências.

A plataforma Avaaz, através de mobilização via internet, também está agindo nesse momento crucial para a economia global. Por meio da assinatura de uma petição endereçada ao mandatário francês Nicolás Sarkozy, que preside a Cúpula do G20, os membros do Avaaz pedem ao presidente que "expulse os patrocinadores privados e limpe o G20”.

A petição precisa ser assinada pelo maior número de pessoas. Para firmar o documento clique em: http://www.avaaz.org/es/occupy_g20/?vl.

O pedido faz referência ao fato de que a reunião dos 20 está sendo patrocinada por bancos e grandes corporações, que terão acesso total às reuniões e às decisões tomadas, podendo, inclusive, ditar o que deve ser decidido pelos governos. Em outras palavras, Avaaz acredita que os governos estão sendo comprados. Por isso pedem: "Digamos a Sarkozy e ao resto dos líderes que seu futuro político depende do que façam agora para livrar-se dos poderosos patrocinadores e de colocar fim de uma vez por todos à captura de nossos governos por parte das corporações”.

Contexto da crise global

Em entrevista a Flavio Ferri e Gilles Pagaille, o presidente do Comitê para Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM), Éric Toussaint, explicou como a crise europeia se converte em um problema global. Segundo ele, "a grande desaceleração econômica que afeta a Europa ou a quebra de instituições como Dexia podem ter um efeito bumerang sobre o resto da economia mundial: por uma parte, um efeito dominó sobre as instituições bancárias ou financeiras nos Estados Unidos, e por outra, uma contração da China e de outros países que exportam seus produtos para a Europa”.

Apesar da situação de crise que se espalha pelo mundo, Toussaint acredita que há uma possibilidade real de se unir forças sociais que questionam a ordem neoliberal e o sistema capitalista. "Se se consegue a suspensão do pagamento da dívida em vários países mediante a mobilização na rua, isto mudará radicalmente a relação de forças a favor da maioria social. Vale à pena comprometer-se com esta luta”.

Atualmente, o G20 é composto pelos países do G8 – Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia – mais África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia e a União Europeia.

Mais informações sobre mobilizações no site: http://www.mobilisationsg8g20.org/.

Natasha Pitts

Por: Adital