02/11/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Nova Friburgo entra na onda mundial da transformação social

“Democracia Real” é o grito dos novos tempos. Em Nova Friburgo, além das necessidades de mudança do sistema político e econômico, há também a indignação da sociedade com a falta de providências das autoridades com relação às consequencias sociais da tragédia de 12 de janeiro. População foi as praças e também a Câmara Municipal para protestar. No próximo dia 11 de novembro, os movimentos voltam a Praça Getúlio Vargas para clamar por mudanças.

Bernardo Fonseca

Andar pelo centro de Nova Friburgo não é uma tarefa das mais fáceis, ou melhor, andar pelo centro da cidade tentando não se lembrar de tudo o que aconteceu em Janeiro de 2011 é algo quase impossível. Em uma cidade que cresceu em meio a vales, cercada por montanhas, não há um local onde não se possa enxergar um deslizamento. Na principal avenida da cidade, o cenário que se vê ao fundo é de uma enorme montanha rasgada em duas. Ali a terra desceu e pulverizou, literalmente, várias casas, uma oficina mecânica e dois prédios. Mais um pouco a frente, na Praça do Suspiro, é possível ver um dos principais pontos turísticos da cidade paralisado: o teleférico. Ali a terra também desceu e deixou um hotel e todo o Complexo do Teleférico pendurados no topo do morro além de ter destruído parcialmente a centenária Capela de Santo Antônio.É como se a cidade do Rio de Janeiro de um dia para o outro tivesse perdido o Pão de Açúcar.

Entre muita terra, lama, pedras, troncos de árvores, escombros, corpos, dinheiro e muito dinheiro, no dia 12 de Novembro, completam dez meses desde que Nova Friburgo e região serrana do estado do Rio de Janeiro foram atingidas pela maior tragédia climática que já se abateu sobre o Brasil. Os habitantes das cidades afetadas permanecem atordoados ao tentar compreender o que mais parece um cenário de filmes apocalípticos e todo o processo que se desenrola na difícil tarefa de reconstrução. Afinal, milhares de casas foram destruídas ou condenadas, centenas de famílias ainda vivem em abrigos, nenhuma casa popular foi construída, milhares ainda não receberam o Aluguel Social e mais de 900 vidas foram ceifadas.

Manifestação do dia 15 de outubro foi organizada pelas redes sociais virtuais.

Hoje, quase dez meses após o ocorrido, nosso povo é vítima da insensibilidade, incompetência, descaso, instabilidade política e corrupção. A cidade está nas mãos de um governo mais perdido que a própria população. Por isso, no último dia 15 de Outubro, cidadãos indignados se juntaram aos milhares de manifestantes espalhados ao redor do planeta que lutam contra a degradação da espécie humana levada ao sofrimento e a opressão dentro do sistema político e econômico vigente. Organizado pelas redes sociais o movimento 15.o levou as ruas e praças de diversos lugares do planeta milhares de pessoas que protestaram de diferentes formas. Em Nova Friburgo não foi muito diferente. Os manifestantes se reuniram na Praça Presidente Getúlio Vargas em uma acampada no dia anterior que terminou com uma manifestação criativa durante o sábado. Com cerca de 70 pessoas foi aprovado um manifesto exigindo do poder público uma mudança de atitude para uma reconstrução da cidade mais eficiente. Ironicamente a manifestação foi interrompida por um temporal que alagou as ruas do centro, provocou pânico na população e trouxe de voltas as memórias.

A mudança depende do povo. O povo respondeu e foi a Câmara de Vereadores protestar.

Aos poucos a população vai despertando e tomando consciência de que somente o povo pode trilhar o caminho para a mudança. Com o susto da chuva ocorrida no sábado, rapidamente cidadãos se uniram e organizaram uma manifestação na Câmara Municipal com o objetivo de entregar uma carta exigindo uma ação emergencialinformação, transparência e medidas rápidas para evitar o pior com a chegada da temporada de chuvas. Centenas de manifestantes se encontraram e interromperam a sessão que acontecia exigindo que os vereadores ouvissem o que os manifestantes queriam dizer e em seguida o documento foi entregue nas mãos do presidente da Câmara na esperança e na busca por resultados.

Dia 11 de novembro tem mais manifestação pacífica e criativa em Nova Friburgo

Para o próximo dia 11 de Novembro, o mesmo grupo que organizou a acampada do dia 15, prepara uma nova manifestação no coração da cidade seguindoaté o dia 15 de Novembro (feriado) em uma vigília que pretende lembrar os desabrigados, as milhares de pessoas que perderam casas e os também os que ainda não receberam o aluguel social, exigindo uma mudança de postura por parte do poder público. A proposta é uma manifestação criativa com música, arte, oficinas, palestras, assembléias populares, tribunas livres, exibição de documentários e vídeos educativos, prezando pela informação e coletivamente preparando a população para enfrentar as chuvas a fim de pressionar o poder público (municipal, estadual e federal) de forma inteligente.

Esse pode ser mais um passo rumo a mais participação e à democracia real. Por isso, essa carta juntamente com o manifesto foi enviada para os indignados dos Estados Unidos, bravamente acampados em Wall Street, pedindo apoio para nossa causa e na esperança de que a situação terrível que nosso povo vive seja de conhecimento de todo o mundo. Precisamos nos unir, não podemos mais conviver com o individualismo, a indiferença e a desmobilização. Somente o povo pode moldar o caminho, somente o povo pode mudar o quadro vigente, seja local ou global.

“Nunca duvide da capacidade de um pequeno grupo de dedicados cidadãos para mudar os rumos do planeta. Na verdade, eles são a única esperança de que isso possa ocorrer.” Margaret Mead

Bernardo Fonseca é estudante de Comunicação Social na Universidade Estácio de Sá.

Por: FórumSec21