04/10/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Pesquisadores do Cepema estudam a ação de bactérias na despoluição de efluentes

Nos últimos anos, a preocupação ambiental tem levado os pesquisadores de diversas áreas a buscarem novos métodos para combater os efeitos da poluição. Nesse sentido, plantas e até fungos já foram utilizados em alguns ambientes para promover a descontaminação. Entretanto, em estudo conduzido no Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema) da USP, são os micro-organismos das próprias regiões contaminadas que entram em ação para eliminar resíduos poluentes.

De acordo com Elen Aquino, pesquisadora que coordena o projeto, a ideia da pesquisa é identificar quais bactérias são mais eficientes para consumir os compostos aromáticos, que têm base orgânica, descartados junto com resíduos industriais. O processo, conhecido como biorremediação, acontece com a transformação dos compostos poluentes em substâncias inócuas, que são absorvidas pelos micro-organismos.

Elen explica que o primeiro passo do estudo foi fazer o isolamento de micro-organismos de áreas contaminadas. Depois disso, as bactérias foram enriquecidas em meio seletivo, para que se fosse verificado como se daria o seu desenvolvimento. Com essa etapa cumprida, os organismos são selecionados, inseridos no ambiente poluído, e já começam a agir.

Através da ação de enzimas produzidas pelas bactérias, as moléculas dos compostos se dividem em substâncias como ácidos graxos, proteínas e carboidratos, que são consumidas pelos próprios micro-organismos. No final desse ciclo metabólico, resta apenas água, gás carbônico e minerais.

Novos desafios

Segundo Elen, o trabalho do estudo não termina por aí. Ela conta que é preciso, também, descobrir “em qual velocidade e em qual concentração” esse processo é mais eficiente. Nos testes, a substância utilizada é o fenol, um poluente modelo, utilizado para a realização de experimentos científicos. O fenol é um poluente comum resultante de vários processos industriais, prejudicial ao meio ambiente e à saúde, e pode ser fatal se ingerido, inalado ou absorvido pela pele.

A pesquisadora afirma, ainda, que o estudo já está alcançando outro nível. O objetivo agora é “passar do laboratório para uma escala maior”. Por esse motivo, os micro-organismos com maior potencial de eliminação dos compostos estão sendo testados em um biorreator, que contém efluentes fenólicos reais.

Para Elen, esse fato garante que os resultados da pesquisa sejam otimizados, já que nesse aparelho é possível controlar variantes como o pH da água, por exemplo. “No biorreator os resultados são mais próximos de um processo real”, diz. Entre as bactérias que se destacaram nos testes de laboratório estão as do gênero Pseudomonas sp., Burkholderia sp. e Serratia sp.

Elen desenvolve esse projeto desde 2010, com a ajuda das mestrandas Ingrid Avanzi e Louise Gracioso, a técnica química Marcela Galluzzi, e o aluno Alan Santana, da iniciação científica. Sobre as contribuições desse trabalho, a pesquisadora espera que ele seja útil no processo de descontaminação de efluentes. Para ela, trazer benefícios para a população é, aliás, a principal vantagem de se realizar pesquisas aplicadas. “É muito justo que nós retornemos isso para a sociedade”, afirma.

Lucas Rodrigues

lucas.mariano.rodrigues@usp.br

Por: USP Online