03/10/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Soluções criativas para movimentar a economia friburguense

Está na hora de Nova Friburgo começar a criar mecanismos de geração e de circulação de riquezas. Uma boa possibilidade está nas Leis de Incentivo a Cultura. Os nossos empresários podem usar os seus impostos para patrocinar projetos culturais e esportivos no próprio município. Seria uma forma do imposto não sair da cidade e circular em nossas atividades. Outra possibilidade é compreendermos melhor a Economia Solidária e também as possibilidades ampliadas do Patrocínio Colaborativo.

Enquanto a economia mundial passa por abalos e os países desenvolvidos perdem espaço e mercados para os países emergentes, como a China, o Brasil e outros, as cidades do interior Fluminense enfrentam o desafio de crescer sem perder sua qualidade de vida. Criar novas possibilidades para a geração de empregos e renda, aliado ao desenvolvimento sustentável é um grande desafio dos gestores públicos e privados na nova era do conhecimento.

Cidades de porte médio, como Nova Friburgo, acabam atuando como pólo aglutinador de pessoas e serviços dos municípios vizinhos de menor porte. Isto acarreta um grande problema, mas pode representar também uma grande oportunidade para um redimensionamento econômico regional.

A transformação urbana e econômica pela qual Nova Friburgo vem passando nos últimos anos, em especial depois dos episódios de doze de janeiro de 2011, deixa claro que um reposicionamento da cidade quanto á sua vocação e seus potenciais é mais do que urgente e necessário.

Muito se fala da importância da captação de verbas e investimentos públicos paramovimentar economicamente o município. No entanto, muitas possibilidades são deixadas de lado, recursos que podem ser utilizados partindo do entendimento que muito dinheiro gerado na cidade é drenado ou fica mesmo estagnado.

Partindo dessa perspectiva, a criatividade no tocante a captação e uso de recursos é fundamental para desenvolvermos saídas possíveis para a geração de trabalho e renda.

Créditos tributários, leis de incentivo à cultura e outros mecanismos.

As empresas de Nova Friburgo, apesar de afetadas direta ou indiretamente pelo acidente climático, não foram beneficiadas por qualquer tipo de anistia de impostos nem tiveram qualquer tipo de benefício visando uma diminuição de tributos estaduais.

No entanto, existem mecanismos legais que permitem a essas mesmas empresas utilizarem um percentual que seria destinado a pagamento de impostos para serem revertidos para projetos de cunho cultural e esportivo. Estamos falando das leis de incentivo a cultura. Isto significa que as empresas Friburguenses podem colaborar com um dinheiro que seria entregue em forma de imposto ao governo Estadual e Federal para o fomento de empreendimentos e projetos a serem desenvolvidos na própria cidade, de cunho social ou não. Isto, além de movimentar a cadeia produtiva, ainda gera muita visibilidade e marketing positivo para as empresas. Utiliza-se no município um recurso local, com aplicação direta e retorno imediato em mídia, marketing e geração de renda e circulação financeira.

Se a principal bandeira levantada para o desenvolvimento da cidade é o turismo, precisamos justamente gerar conteúdo através da cultura, festivais, eventos, encontros e feiras entre tantas outras possibilidades de atividades que movimentem a cidade, gerando ganho real a múltiplos empreendimentos e empresas. Negóciosligados a cultura e ao setor de turismo e hotelaria e também os prestadores de serviço e comércio em geral se beneficiariam muito desta parceria, formando um arranjo produtivo onde os patrocinadores passam do papel de doadores ao papel de investidores na economia municipal. E tudo isso com um recurso que de qualquer forma seria mesmo tributado.

Economia solidária.

A economia solidária, ou sócio-economia é outro caminho onde os empreendimentos podem se desenvolver sem necessariamente necessitar de aporte de verbas locais ou externas.

Parte-se da premissa que todos somos produtores e consumidores de algum tipo de produto ou serviço, podendo ainda ser ampliada para bens intangíveis, por exemplo, a produção de conceitos e conhecimento.

A economia solidária esta baseada no princípio da troca direta ou indireta. As já conhecidas feiras de troca são a maneira mais simples de se disseminar o conceito e multiplicar adeptos. Normalmente, essas feiras se organizam de forma que cada participante disponibiliza o que tem para trocar, recebe uma moeda social criada para o evento, de circulação interna, e procede a partir daí suas relações de intercâmbio com os demais produtores/consumidores da feira.

Outra possibilidade é a criação de moedas sociais locais, que podem ser aceitas por estabelecimentos cadastrados a rede local de economia solidária, possibilitando dessa maneira a circulação de produtos fora das feiras, no dia-a-dia do comércio local.

A criação de bancos comunitários também é uma prática para que as moedas sociais tenham lastro e possam inclusive financiar pequenos projetos.

Outra forma bastante simples são os bancos de horas, onde as pessoas “depositam” horas de trabalho disponível, criando dessa maneira uma rede de troca de serviços que pode ser também direta ou indireta, pois cada um dentro de suas necessidades pode solicitar horas de outros membros assim como disponibilizar horas de serviço a qualquer uma das pessoas que façam parte do banco de horas.

Patrocínio colaborativo

Uma grande ferramenta que vem sendo muito utilizada para financiamento de projetos são as redes de patrocínio e produção colaborativas.

Hoje na internet é possível cadastrar idéias de projetos e captar recursos de doação, oferecendo contrapartidas aos doadores como forma de seduzir as pessoas a colaborarem coma realização de seus sonhos. Um exemplo clássico são os sites www.movere.me e o www.catarse.me , onde qualquer pessoa, sendo pessoa física ou jurídica , pode colaborar doando quantias em dinheiro, dentro da possibilidade de cada doador. Esses dois sítios de internet vêm colaborando para alavancar centenas de projeto pelo mundo a fora.

Uma excelente iniciativa seria a criação de ferramentas locais de patrocínio colaborativo. Outra perspectiva são as redes de produção e circulação colaborativas, como por exemplo, a rede Fora do Eixo, que são uma das redes mais organizadas e de maior capilaridade pelo território brasileiro, possibilitando trabalho, intercâmbio, fruiçãoe circulação de inúmeros artistas pelo território nacional. Quebrando desta maneira as imposições do mercado musical e a falta de espaços e penetração de público por parte dos artistas. O conceito de economia solidária está estreitamente relacionado com as redes de produção colaborativa, alguns coletivos da rede Fora do Eixo utilizam, difundem e apóiam iniciativas de moedas sociais locais e troca de serviços diretos e indiretos.

Sairmos da posição passiva e assumir um papel empreendedor, usando a criatividade e a inventividade é a saída mais direta e rápida para podermos desenvolver saídas e possibilidade econômicas para a cidade e a região. Na atual era do conhecimento mais vale ter uma idéia do que ficar se lamentando por não ter trabalho. Muitos caminhos novos estão surgindo, e boas idéias valem ouro.

Desenvolver produtos criativos e formas criativas de realizar projetos e empreendimentos, esse é o desafio posto pelo novo momento mundial. Portanto, precisamos assumir nosso papel de agente ativo para o desenvolvimento econômico e social de nossa cidade e região. Encontrar outros caminhos que sejam mais inovadores, mais ousados e inteligentes é uma forma de dar uma resposta imediata as necessidades urgentes pelas quais estamos passando.

Apoiar e difundir a criatividade, pensar e experimentar novos modelos, pesquisar novos caminhos para descobrir novas oportunidades. Desenvolver tecnologias sociais e partilhar conhecimento, e dessa forma, sair do aparente labirinto de passividade e tutela que os velhos mecanismos de gestão da economia nos impõem.

Beto Grillo

betogrilo@yahoo.com.br

Por: ForumSec21