03/10/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Crises estão ligadas a falta de valores da humanidade, diz Marina Silva

30/09/2011

Durante 68º Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia (SOEAA), ex-Senadora e Ministra do Meio Ambiente questionou âmbito econômico, social e ambiental das crises mundiais, afirmando que todos esses problemas estão ligados a falta de ética.

Em um momento em que tudo no planeta parece estar em ebulição, com crises no âmbito ambiental, econômico e social, muitas vezes a população se sente impotente e acaba encontrando na banalização dos problemas a saída para continuar alheia a eles.

Em uma palestra realizada durante a 68º Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia (SOEAA) em Florianópolis, a ex-Senadora e Ministra do Meio Ambiente Marina Silva, questionou este contexto que vivemos atualmente e ressaltou o que em sua opinião é a mais séria dentre as crises modernas, a de valores.

“É fundamental que olhemos não apenas como mais um problema... mas como uma crise civilizatória, que extrapola a nossa capacidade de controlar as coisas. É preciso um olhar com sentido de urgência para não banalizar as crises, por ser tão pequena ou tão grande que não se pode fazer nada”, completou Marina.

Ela citou como exemplos a crise financeira de 2008, onde US$ 32 trilhões foram injetados na economia global, e a crise social onde 2 bilhões de pessoas ainda vivem abaixo da linha da pobreza (16 milhões no Brasil), com menos de US$2 ao dia.

“A crise econômica começou mesmo em 2008? Porque isso nunca ganhou destaque? Certamente porque era no andar de baixo... a África está em crise há séculos, não podemos banalizar as coisas”, enfatizou Marina.

Outro exemplo do questionamento sobre a ética da sociedade atual está no documentário ‘Trabalho Interno’, explica, que demonstra que o problema da crise de 2008 não foi dos operadores, “mas sim de valores, foi um problema de ética”.

Na questão ambiental, a crise transparece quando trazemos à tona a estimativa da Pegada Ecológica mundial, que já ultrapassa 30% da capacidade de suporte do planeta. Porém, também esta crise está intimamente ligada à crise de valores da humanidade.

Ela citou a cientista política Hannah Arendt e a sua teoria que a humanidade tem muita dificuldade de lidar com o irreversível e imprevisível.

“Pensar em termos de valores é que nos leva para frente... Afinal somos aquilo que fazemos ou fazemos aquilo que somos? Os dois, é preciso questionar o nosso modo de ser”, afirmou, completando que temos que repensar o papel de cada cidadão, o que leva a outra pergunta: O que é Desenvolvimento Sustentável?

O termo tem sido visto, muitas vezes justificadamente, como um chavão na atualidade e diversas pessoas pensam ser um conceito ultrapassado e que não tem mais um significado ecologicamente importante.

Marina questiona se devemos abrir mão do conceito apenas porque alguém resolve deturpá-lo.

“O desenvolvimento sustentável precisa ser uma construção histórica, o problema é que não temos um modelo, de país nenhum, então temos algo a ser construído. Mas como se faz concretamente? Ainda não temos todas as respostas”, enfatizou.

“Que bom que alguém um dia sonhou que poderia voar antes de ter como fazê-lo”. Para ela, isto tudo é uma “inibição cognitiva”, que os críticos gostam de usar para acabar com a tentativa de implantar o conceito.

A sustentabilidade, defende, envolve um conjunto de três coisas: ética, política e estética (valor simbólico, como determinados rios, paisagens, etc). A política para Marina é fruto da ação de sujeitos conscientes, que não “terceirizam para um messias” o que precisa ser feito, saindo da “queixa para atitude”.

“Ser ético não é uma bandeira e não pode estar na proa como um enfeite, tem que estar na popa para nos empurrar”.

Repensando

Marina fechou sua fala lembrando que precisamos voltar ao nosso berço: os Romanos, queriam ser fortes e grandes; na Idade Médiaas pessoas desejavam ser Santas; em pleno século XXI a humanidade quer fazer e consumir.

“Não é voltar à idade da pedra, é ser feliz e pleno não pelo fazer e ter. Temos que dizer para nós mesmos o que queremos SER quanto cidadãos”.

Por: Instituto CarbonoBrasil