15/09/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Na Bolívia, estudo chama atenção para necessidade de informar adolescentes sobre implicações do início da vida sexual

Elas ainda nem bem saíram da infância e já tiveram de trocar as brincadeiras de boneca para cuidar de bebês na vida real. Na Bolívia, 4,7% das adolescentes já tiveram uma gravidez prévia antes dos 15 anos de idade. Isso é o que revela o Estudo de gravidez adolescente em quatro hospitais materno-infantis de La Paz, El Alto, Cochabamba e Santa Cruz, elaborado pelo Ministério da Saúde e Esportes boliviano.

"No grupo de adolescentes menores de 15 anos, pôde-se observar que 93,4% não tiveram gravidez prévia. 4,7% já tiveram uma gestação e 1,9% tiveram até duas gestações prévias”, destaca a pesquisa, que pretende servir de subsídio para a elaboração de programas destinados à saúde integral de adolescentes e jovens do país.

Foi constatado que a metade das gravidezes em adolescentes acontece cerca de seis meses depois do início da vida sexual. Para o Ministério da Saúde e Esportes, esta informação mostra a necessidade de esclarecer para as e os adolescentes todos os riscos existentes desde a primeira relação sexual.

Ainda segundo o estudo, das adolescentes grávidas com menos de 15 anos que utilizaram os serviços dos quatro hospitais, 54,3% se declararam solteiras e 83,3% afirmaram que não fizeram uso de métodos anticoncepcionais.

A pesquisa chama a atenção para os problemas que essas meninas podem enfrentar por conta da gravidez precoce. Situações que vão desde um casamento precipitado ou abandono do companheiro até atrasos nos estudos. Além disso, os riscos de aborto provocado, mortalidade materna e complicações obstétricas são maiores entre as adolescentes.

"Como se todo o anterior fosse pouco, muitas investigações têm apontado que a adolescente que já tem um filho está em grande risco de voltar a ficar grávida durante o resto de sua adolescência. No prazo de três anos, 70% das mães adolescentes têm um novo filho em alguns dos grupos estudados nesses trabalhos”, acrescenta.

Com base em informações da Enquete de Demografia e Saúde de 2003, o informe revela que 16% das mulheres entre 15 e 19 anos já engravidaram. Apesar de 86,2% das mulheres e 90,7% dos homens conhecerem algum tipo de método contraconceptivo, a enquete mostra que esses conhecimentos não são colocados em prática. Apenas 9,6% das mulheres sexualmente ativas utilizam algum método para evitar a gravidez.

"Na Bolívia, nove de cada dez adolescentes de 15 a 19 anos em união conhecem um método de anticoncepção moderno. Das adolescentes sexualmente ativas, menos de uma usa um MAC [Método Anticonceptivo] moderno. Em termos de porcentagem, a diferença que separa o conhecimento da prática é de mais de 87 pontos percentuais”, destaca a pesquisa.

O resultado da falta de prevenção é a gravidez indesejada. De acordo com o estudo, a Enquete Nacional da Adolescência e Juventude de 2008 mostra que três de cada cinco gestações em adolescentes e jovens não foram desejadas.

O estudo completo pode ser lido em: http://pt.scribd.com/doc/57786390/Estudio-EMBARAZO-ADOLESCENTE-en-4-Hos-Pi-Tales-de-Bolivia

Karol Assunção

Por: Adital