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Biomassa pode incentivar corrida global por terras

31/08/2011

Pases industrializados e empresas esto adquirindo vastas propriedades para plantar rvores e conseguir alcanar suas metas de gerao renovvel e reduo de emisses, porm podem por em risco o modo de vida de milhares de pessoas.

Atualmente, a energia gerada por biomassa responde por 77% das renovveis no planeta, e rvores e outras plantas constituem 87% desse material, de acordo com dados do Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED). Acontece que para conseguir utilizar cada vez mais esse potencial das biomassas, naes ricas e companhias privadas esto tirando proveito do custo barato de terras em pases mais pobres, colocando em risco a sobrevivncia de comunidades inteiras.

Este o alerta que faz um documento divulgado nesta semana pelo IIED intitulado Biomass energy: Another driver of land acquisitions? (Energia de Biomassa: Outro indutor para a aquisio de terras?), que discute os impactos sociais dessa busca por terras e pede por um debate mais aberto sobre o assunto.

Todos os olhos esto voltados para a questo alimento x biocombustveis, porm o plantio de rvores para a gerao de energia deve em breve se tornar um importante indutor de uma corrida global por terras, afirmou Lorenzo Cotula, coautor do artigo.

A Europa, por exemplo, para atingir os objetivos traados para 2020 com relao energia renovvel e reduo das emisses de gases do efeito estufa, vai precisar de 40 milhes de toneladas mtricas de biomassa slida (odmt) apenas para a gerao de eletricidade e outras 50 milhes de odmt para a calefao.

Itlia, Japo, Holanda, Sucia e o Reino Unido j esto importando volumes crescentes de madeira. De acordo com a Confederao Europeia de Indstrias de Papel (CEPI), a Europa vai enfrentar um dficit de 210 milhes de toneladas em todos os setores por volta de 2020.

Com um aumento assim na demanda, muitos pases no tero como gerar essa quantidade de biomassa dentro de suas prprias fronteiras, sendo ento obrigados a importar madeira ou ainda comprar terras em outras naes para fazer o plantio das rvores que precisam.

As importaes devero ser atendidas por pases na Amrica do Sul e na frica, com o Brasil aparecendo com destaque por j possuir uma indstria madeireira consolidada e uma melhor infraestrutura.

J no caso de novas reas de plantio de rvores, as naes africanas so as mais atraentes para os investidores, pois possuem grandes quantidades de terra a um preo relativamente baixo e com uma boa taxa de crescimento das plantas.

Confirmando essa tendncia, uma empresa norte-americana anunciou recentemente ter obtido os direitos sobre uma rea de cinco mil hectares na Guiana por 49 anos para produzir biomassa destinada exclusivamente para a gerao de energia.A mesma companhia tem planos para comprar terras em Madagascar, Moambique e Tanznia.

Com o aumento do interesse pela biomassa, esse tipo de atividade deve mesmo se consolidar como uma fatia significante do mercado de madeira, e o IIED salienta que preciso um maior controle sobre essas negociaes de compra de terras.

Impacto sociais

Segundo o artigo, a busca por propriedades baratas vai conduzir os investidores para pases africanos e do sudeste asitico que no possuem legislaes fortes o suficiente para garantir que no ocorram injustias contra os povos nativos.

Na frica, por exemplo, comum que as terras sejam controladas por agncias governamentais mesmo se comunidades vivam nelas h dcadas. Assim, as autoridades podem acabar achando interessante ceder as terras para alguma multinacional sem qualquer contrapartida para a populao.

Outra caracterstica comum em pases africanos que as decises podem ser tomadas por lderes tribais, que podem ser assediados com facilidade e nem sempre representam a opinio de todas as pessoas que vivem nas terras a serem negociadas.

Em qualquer desses casos, o IIED alerta que fica muito fcil o uso de subornos, manipulaes e abusos por parte dos governos mais ricos ou das grandes empresas.

Como essa corrida por terras ainda est em seu incio, o artigo afirma que agora seria o momento ideal para a comunidade internacional debater regras de conduta e normas tcnicas para garantir a segurana alimentar e os direitos das comunidades.

Se feitas da forma correta, novas plantaes de rvores em pases menos desenvolvidos podem trazer grandes benefcios, como gerao de empregos e renda. Mas se no houver controle, podem acabar marginalizando centenas de milhares de pessoas que sero vtimas das necessidades dos mais ricos, conclui o artigo.

Fabiano vila

Saiba o que BIOMASSA

BiomassaOrigem: Wikipdia, a enciclopdia livre.Ir para: navegao, pesquisa

A palha do arroz pode ser queimada para a obteno de energia.Energia renovvel

Biocombustvel

Biomassa

Energia azul

Energia geotrmica

Energia hidrulica

Hidreletricidade

Energia solar

Energia maremotriz

Energia das ondas

Energia das correntes martimas

Energia elica

Do ponto de vista da gerao de energia, o termo biomassa abrange os derivados recentes de organismos vivos utilizados como combustveis ou para a sua produo. Do ponto de vista da ecologia, biomassa a quantidade total de matria viva existente num ecossistema ou numa populao animal ou vegetal. Os dois conceitos esto, portanto, interligados, embora sejam diferentes[1].

Na definio de biomassa para a gerao de energia excluem-se os tradicionais combustveis fsseis, embora estes tambm sejam derivados da vida vegetal (carvo mineral) ou animal (petrleo e gs natural), mas so resultado de vrias transformaes que requerem milhes de anos para acontecerem. A biomassa pode considerar-se um recurso natural renovvel, enquanto que os combustveis fsseis no se renovam a curto prazo.

A biomassa utilizada na produo de energia a partir de processos como a combusto de material orgnico produzida e acumulada em um ecossistema, porm nem toda a produo primria passa a incrementar a biomassa vegetal do ecossistema. Parte dessa energia acumulada empregada pelo ecossistema para sua prpria manuteno. Suas vantagens so o baixo custo, renovvel, permite o reaproveitamento de resduos e menos poluente que outras formas de energias como aquela obtida a partir de combustveis fsseis.

A queima de biomassa provoca a liberao de dixido de carbono na atmosfera, mas como este composto havia sido previamente absorvido pelas plantas que deram origem ao combustvel, o balano de emisses de CO2 nulo.

ndice [esconder]

1 Utilizao da biomassa como combustvel

2 Materiais

3 Produtos derivados da biomassa

4 Empreendimentos no Brasil

5 Impactos ambientais

6 Ligaes externas

7 Referncias

[editar] Utilizao da biomassa como combustvelUm dos primeiros empregos da biomassa pelo ser humano para adquirir energia teve incio com a utilizao do fogo como fonte de calor e luz. O domnio desse recurso natural trouxe humanidade a possibilidade de explorao dos minerais, minrios e metais, marcando novo perodo antropolgico. A madeira do mesmo modo foi por um longo perodo de tempo a principal fonte energtica. Com ela, a coco, a siderurgia e a cermica foram empreendidas. leos de fontes diversas eram utilizados em menor escala. O grande salto da biomassa deu-se com o advento da lenha na siderurgia, no perodo da Revoluo Industrial.

Nos anos que compreenderam o sculo XIX, com a revelao da tecnologia a vapor, a biomassa passou a ter papel primordial tambm para obteno de energia mecnica com aplicaes em setores na indstria e nos transportes. A despeito do incio da explorao dos combustveis fsseis, como o carvo mineral e o petrleo, a lenha continuou desempenhando importante papel energtico, principalmente nos pases tropicais. No Brasil, foi aproveitada em larga escala, atingindo a marca de 40% da produo energtica primria, porm, para o meio-ambiente um valor como esse no motivo para comemoraes, afinal, o desmatamento das florestas brasileiras aumentou nos ltimos anos.

Durante os colapsos de fornecimento de petrleo que ocorreram durante a dcada de 1970, essa importncia se tornou evidente pela ampla utilizao de artigos procedentes da biomassa como lcool, gs de madeira, biogs e leos vegetais nos motores de combusto interna. No obstante, os motores de combusto interna foram primeiramente testados com derivados de biomassa, sendo praticamente unnime a declarao de que os combustveis fsseis s obtiveram primazia por fatores econmicos, como oferta e procura, nunca por questes tcnicas de adequao.

Para obteno das mais variadas fontes de energia, a biomassa pode ser utilizada de maneira vasta, direta ou indiretamente. O menor percentual de poluio atmosfrica global e localizado, a estabilidade do ciclo do carbono e o maior emprego de mo-de-obra, podem ser mencionados como alguns dos benefcios de sua utilizao.

Igualmente, em relao a outras formas de energias renovveis, a biomassa, como energia qumica, tem posio de destaque devido alta densidade energtica e pelas facilidades de armazenamento, cmbio e transporte. A semelhana entre os motores e sistemas de produo de energia de biomassa e de energia fssil outra vantagem, dessa forma a substituio no teria um efeito to impactante nem na indstria de produo de equipamentos nem nas bases institudas para transporte e fabricao de energia eltrica.

[editar] MateriaisA lenha muito utilizada para produo de energia por biomassa - no Brasil, j representou 40% da produo energtica primria. A grande desvantagem o desmatamento das florestas;

Cana-de-acar - no Brasil, diversas usinas de acar e destilarias esto produzindo metano a partir da vinhaa. O gs resultante est sendo utilizado como combustvel para o funcionamento de motores estacionrios das usinas e de seus caminhes. O equipamento onde se processa a queima ou a digesto da biomassa chamado de biodigestor. Numa destilaria com produo diria de 100 000 litros de lcool e 1500 m3 de vinhaa, possibilita a obteno de 24 000 m3 de biogs, equivalente a 247,5 bilhes de calorias. O biogs obtido poderia ser utilizado diretamente nas caldeiras, liberando maior quantidade de bagao para gerao de energia eltrica atravs de termoeltricas, ou gerar 2916 KW de energia, suficiente para suprir o consumo domstico de 25 000 famlias;

Serrim ou serradura de madeira;

Papel j utilizado;

Galhos e folhas decorrentes da poda de rvores em cidades ou casas;

Embalagens de papelo descartadas aps a aquisio de diversos eletrodomsticos ou outros produtos;

Casca de arroz;

Capim-elefante;[2]

Lodo de ETE: Especialmente os provenientes do processo de lodos ativados amplamente utilizados na industria txtil;

[editar] Produtos derivados da biomassaAlguns exemplos de produtos derivados da biomassa so:

Bio-leo: lquido negro obtido por meio do processo de pirlise cujas destinaes principais so aquecimento e gerao de energia eltrica.

Biogs: metano obtido juntamente com dixido de carbono por meio da decomposio de materiais como resduos, alimentos, esgoto e esterco em digestores de biomassa.

Biomass-to-Liquids: lquido obtido em duas etapas. Primeiro realizado um processo de gasificao, cujo produto submetido ao processo de Fischer-Tropsch. Pode ser empregado na composio de lubrificantes e combustveis lquidos para utilizao em motores do ciclo diesel.

Etanol celulsico: etanol obtido alternativamente por dois processos. Em um deles a biomassa, formada basicamente por molculas de clulose, submetida ao processo de hidrlise enzimtica, utilizando vrias enzimas, como a celulase, celobiase e β-glicosidase. O outro processo composto pela execuo sucessiva das trs seguintes fases: gasificao, fermentao e destilao.

Bioetanol "comum": feito no Brasil base do sumo extrado da cana de acar (caldo de cana). H pases que empregam milho (caso dos Estados Unidos) e beterraba (da Frana) para a sua produo. O sistema base de cana-de-acar empregado no Brasil mais vivel do que o utilizado pelo americano e francs.

Biodiesel: ster produzido com leos vegetais como do dend, da mamona, do sorgo e da soja, etc.

leo vegetal: Pode ser usado em Motores diesel usando a tecnologia Elsbett

Lenha: Forma mais antiga de utilizao da Biomassa.

Carvo vegetal: Slido negro obtido pela carbonizao pirogenal da lenha ou carbonizao hidrotermal.

Turfa: Material orgnico, semidecomposto encontrado em regies pantanosas.

[editar] Empreendimentos no BrasilNo Brasil existem algumas iniciativas neste setor, sobretudo na seo de transportes. A USGA, ter etlico, leo de mamona e alguns compostos de lcool como a azulina e a motorina, foram produzidos em substituio gasolina ou ao Diesel com sucesso, da dcada de 1920 at os primeiros dias da dezena seguinte; perodo do colapso decorrente da Primeira Guerra Mundial.

A mistura do lcool na gasolina, iniciada por lei em 1931, permitiu ao Brasil a melhoria do resultado dos motores de combusto de forma garantida e higinica; o uso de aditivos venenferos como o chumbo tetra etlico, que de maneira similar foram utilizados em outros pases para o aumento das caractersticas antidetonantes da gasolina, foi evitado. de grande importncia tal aumento, pois facilita o uso de maior taxa de compresso nos motores a exploso.

O Pr lcool praticado nos anos de 1970, consolidou a opo do lcool como alternativa gasolina. No obstante os problemas enfrentados como queda nos valores internacionais do petrleo e oscilaes no preo do lcool, que afetaram por vrias vezes a oferta interna do lcool, os efeitos da estratgia governamental sobrevivem em seus incrementos. A gasolina brasileira uma mistura contendo 25% de lcool e a metodologia de fabricao do carro a lcool atingiu nveis de excelncia. Os problemas enfrentados na dcada de 1990 de desabastecimento de lcool que geraram a queda na busca do carro a lcool deixaram de ser uma ameaa ao consumidor graas recente oferta dos carros bicombustveis.

Recentemente, o programa do biodiesel est sendo implantado para a insero do leo vegetal como complementar ao leo diesel. Primeiramente a mistura ser de at 2% do derivado da biomassa no diesel com um aumento gradativo at o percentual de 20% num perodo de dez anos.

O experimento brasileiro no est limitado apenas esfera dos transportes, o setor de energia eltrica tem sido favorecido com a injeo de energia procedente das usinas de lcool e acar, geradas a partir da incinerao do bagao e da palha da cana-de-acar. Outros detritos como palha de arroz ou serragem de madeira tambm sustentam algumas termoeltricas pelo pas.

[editar] Impactos ambientaisA respeito das convenincias referidas, o uso da biomassa em larga escala tambm exige certos cuidados que devem ser lembrados, durante as dcadas de 1980 e 1990 o desenvolvimento impetuoso da indstria do lcool no Brasil tornou isto evidente. Empreendimentos para a utilizao de biomassa de forma ampla podem ter impactos ambientais inquietantes. O resultado poder ser destruio da fauna e da flora com extino de certas espcies, contaminao do solo e mananciais de gua por uso de adubos e outros meios de defesa manejados inadequadamente. Por isso, o respeito biodiversidade e a preocupao ambiental devem reger todo e qualquer intento de utilizao de biomassa.

Por: Instituto CarbonoBrasil/IIED