01/09/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Soja transgênica resistente a ingrediente do Agente Laranja

Empresa se prepara para lançar soja transgênica resistente a ingrediente do Agente Laranja

Após anos vendo a Monsanto surfar na onda do monopólio sobre o mercado de sementes transgênicas e seus agrotóxicos associados, a Dow AgroSciences acredita ter chegado a sua vez de entrar com mais força na jogada. Para isso anuncia entusiasmada sua "grande inovação", que vem justamente no rastro deixado por anos seguidos de monoculturas resistentes ao herbicida Roundup. Sua solução para a lavoura também é uma soja transgênica resistente a herbicidas, só que agora resistente a três de uma só vez. Entre eles está o glifosato, do Roundup, o glufosinato de amônio e nada menos que o 2,4-D, ingrediente do Agente Laranja usado na guerra do Vietnã. Gerações foram vitimadas pelo contato com o produto, como bem mostra o documentário O veneno está na mesa, do cineasta Silvio Tendler.

Com o nome de Elinst, que vem do inglês e traz a ideia de superação, essa semente, se aprovada, levará esses venenos diretamente à mesa das pessoas, na forma de resíduos tecnicamente permitidos. O pedido já está no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Aqui no Brasil o processo também anda. Os doutores da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança já deram aval para a empresa instalar campos experimentais, que é uma etapa obrigatória antes de se pedir a liberação comercial do produto.

Nas ocasiões em que questionou-se na CTNBio o enorme retrocesso do ponto de vista do meio ambiente e da saúde pública que essa tecnologia representa, rapidamente ergueu-se um coro para encerrar o assunto dizendo que não cabe àquele colegiado discutir agrotóxicos e que seu papel é apenas o de avaliar a parte genética da coisa. Postura compatível com a de seu presidente, que disse a um jornal de circulação nacional que as pessoas podem até beber o glifosato que não morrerão.

Pela lei, registro de agrotóxicos e outros cai na seara da Anvisa, Ibama e Agricultura, mas cabe a pergunta: os técnicos da CTNBio desconhecem os impactos do 2,4-D? Acham moralmente aceitável levar adiante essa proposta, ainda que dentro da legalidade?

O modelo de sementes geneticamente modificadas para resistência a herbicidas já fez com que a soja no Brasil tenha 50 vezes mais resíduos de glifosato do que antes e o milho, 10. É um sistema que leva a mais monoculturas, que por sua vez levam a mais pragas e plantas imunes aos venenos, que por sua vez levam a mais transgênicos e mais agrotóxicos. Como resume a Dow em um de seus vídeos promocionais, "isso é negócio”.

[Fonte: Número 552 - 26 de agosto de 2011].

Por: AS-PTA/ADITAL