05/08/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Lucro de Itaú, Bradesco e Santander impulsiona sindicalismo

Mais do que salários mais altos, nova campanha salarial dos bancários pede também empregos de melhor qualidade. Para isso, defende que os banqueiros assinem a “Declaração sobre a Venda Responsável de Produtos Financeiros”. Para isso, defende que os banqueiros assinem a “Declaração sobre a Venda Responsável de Produtos Financeiros”. O documento foi produzido pela UNI Finanças, o sindicato internacional da categoria, e defende a criação de uma "cultura interna de negócios e procedimentos operacionais que conduzam à venda responsável de produtos".

Marcel Gomes

São Paulo – A aguardada temporada de anúncio dos bilionários lucros das instituições financeiras era o que faltava para os bancários de todo o país impulsionarem sua campanha salarial neste segundo semestre. Na última terça-feira (2), o Itaú anunciou lucro líquido no primeiro semestre de R$ 7,1 bilhões, alta de 11,5% sobre o mesmo período de 2010. Antes dele, Bradesco e Santander, os dois outros grandes bancos privados brasileiros, já haviam divulgado seus balanços – o primeiro apurou R$ 5,5 bilhões, salto de 21,7%, e o segundo, R$ 4,2 bilhões, avanço de 17,7%.

“São lucros altíssimos e que se repetem nos últimos anos. Olhando como está indo o setor, sabemos que eles podem atender a nossas reivindicações”, disse à Carta Maior Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O sindicato agrupa 28% dos 484 mil bancários brasileiros.

Os trabalhadores pedem reajuste de 12,8% nos salários, o que lhes garantiria um aumento real em torno de 5%. Exigem ainda três salários e mais R$ 4,5 mil como Participação nos Lucros e Resultados (PLR), valorização dos pisos, vale-refeição equivalente a um salário-mínimo e fim das “metas abusivas” na venda de produtos financeiros, como seguros e títulos de capitalização. A proposta será entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no dia 12 de agosto. A data-base da categoria é em primeiro de setembro.

De acordo com Juvandia, ainda não é possível prever o rumo das negociações. Em 2010, os bancários realizaram a maior greve da categoria nas últimas duas décadas. Quando começaram as negociações, a Fenaban havia proposto apenas a reposição da inflação, de 4,29%. Após 15 dias de paralisação, os banqueiros cederam e aceitaram um reajuste de 7,5% para quem ganhava até R$ 5.250, o que atingia 85% do setor. Os bancários iniciaram o movimento pedindo 11%.

Além dos números

Mais do que salários melhores, os bancários querem também empregos de melhor qualidade. Para isso defendem o fim do que chamam de “metas abusivas” para a venda de produtos financeiros. No próximo dia 24, o Sindicado de São Paulo lançará um estudo sobre as condições de trabalho no setor. Os dados da pesquisa apontarão que 42% dos funcionários de instituições financeiras já sofreram assédio moral e 65% se dizem estressados. “É uma questão de saúde mental, já que muitos ficam doentes”, diz Juvandia.

Para pressionar os banqueiros, os bancários querem que eles assinem a “Declaração sobre a Venda Responsável de Produtos Financeiros”. O documento foi produzido pela UNI Finanças, o sindicato internacional da categoria, e defende a criação de uma "cultura interna de negócios e procedimentos operacionais que conduzam à venda responsável de produtos". A proposta pede ainda o fim do ranqueamento individual de performance, metas realistas, justas, transparentes e sustentáveis, e a garantia de que os produtos financeiros sejam adequados às necessidades dos consumidores.

Por: Carta Maior