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Falta cultura de inovao indstria instalada no Brasil

14/07/2011

O investimento do setor empresarial brasileiro em inovao tecnolgica mnimo e ridiculamente baixo. A opinio do presidente da Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior (Capes), o bioqumico Jorge Almeida Guimares. Ele est participando da 63 Reunio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Cincia (SBPC), na capital goiana.

Segundo ele, a principal fonte de inovao na economia moderna so as patentes obtidas pelas indstrias. No Brasil, no entanto, as empresas no fazem patentes, porque a nossa indstria no nossa ou, ento, porque tem a estrutura muito familiar, assinala Guimares. Quando morre o patriarca, os herdeiros querem o dinheiro para viver a vida. Por isso, o investimento muito pequeno.

As patentes asseguram faturamento s empresas alm da comercializao direta dos produtos. O dinheiro tambm remunera inventores e laboratrios de desenvolvimento. Por essa razo, nas principais economias do mundo o investimento da iniciativa privada em pesquisa e desenvolvimento costuma ser muito maior que o do Estado.

Conforme dados do Ministrio da Cincia e Tecnologia (MCT), as empresas nos Estados Unidos investem um valor correspondente a 1,86% do Produto Interno Bruto (PIB) contra 0,75% do governo. Na Coreia, 2,46% so provenientes da iniciativa privada e 0,86%, do Estado. No Japo, a distncia maior: 2,68% vm das empresas e 0,54%, do governo.

Os investimentos do governo do Japo so proporcionalmente iguais ao do governo brasileiro, mas a iniciativa privada aqui s investe 0,57% (includo a os gastos da Petrobras e de outras estatais).

Segundo Guimares, a situao tem feito com que as universidades se tornem importantes fontes de inovao e de criao de empresas encubadoras de tecnologia. O caminho tende a ser reforado com o programa Brasil sem Fronteiras que o governo prepara-se para lanar. A Capes e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq) tero como misso custear em quatro anos 75 mil bolsas no exterior nas reas de tecnologia, especialmente em engenharia.

A conta do governo que faltam engenheiros para desenvolver inovao tecnolgica. Apesar do aumento do nmero de pessoas concluindo o curso superior de 324 mil (2000) para 800 mil (2009) o percentual de engenheiros formados caiu de 7% para 5,9%, entre os mesmos anos.

A falta de engenheiros apontada como um gargalo para o crescimento do pas. Empresas instaladas e potenciais investidores avaliam, inclusive, a possibilidade de ter que contratar mo de obra estrangeira para trabalhar na explorao de petrleo, projetos de infraestrutura e da construo civil e em tecnologia de informao e comunicao como a indstria de tablet que receber benefcios fiscais para investir no Brasil.

De acordo com Guimares garantem, a prioridade para as engenharias no retirar recursos para bolsas e pesquisas para as cincias sociais aplicadas e outras reas das cincias humanas, que tero os programas atuais mantidos.

O presidente da Capes reclama ainda da legislao brasileira (Lei no. 9.279/1996, Artigo 18) que limita o patenteamento com biotecnologia, como os frmacos em relao aos quais o Brasil tem dependncia de cerca de 90% do que consome.

A principal rea de inovao no mundo biotecnolgica. Ns estamos impedidos de ter patentes na rea biotecnolgica. No pode patentear nada que de origem da natureza, entre eles os micro-organismos. Ora, micro-organismo a grande fonte para desenvolvimento de antibiticos. Ao proibir a patente de produtos como esses, estamos favorecendo a biopirataria e permitindo que outros pases faam.

Por: Agncia Brasil