05/05/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Caminhos para a sustentabilidade ...

Alessandro Rifan

rifan.ale@gmail.com

TEIAS, REDES E FRUTOS: Iniciativas sustentáveis em Etnoconhecimento

Cada fio se interliga, se entrelaça, se apóia, se interrelaciona; tudo para que a aranha possa se sustentar sob a teia. A tão sonhada busca do ser humano pela sustentabilidade tem haver com apoios e redes, ou melhor, com princípios que orientam esta nova maneira de encarar o desenvolvimento no planeta terra. Estamos falando de sustentabilidade. Você já ouviu falar?

Podemos considerar que temos em nosso território, encravado em meio a Serra do Mar, um contexto único no que se refere à construção de oportunidades sustentáveis. Encontramos aqui no município de Nova Friburgo/RJ, características raras em biodiversidade, num contexto de Mata atlântica singular, considerado um dos últimos refúgios mais importantes do Planeta. Nessa porção de floresta, além da grande diversidade de animais e plantas, existe uma parcela de saberes tradicionais, guardados pelas populações rurais por um longo período de tempo.

O conhecimento das populações. Seus saberes tradicionais.

O etnoconhecimento é formado por saberes dinâmicos que dizem respeito ao conhecimento popular sobre o ecossistema da floresta. Portanto, congregamos, além de um mosaico de áreas protegidas (Parques, APA´s, RPPN´s, etc), um mosaico de saberes tradicionais e pensamos afins que se fortalecem, onde novas propostas de uso ético dos recursos naturais dão exemplo e merecem serem estimulados.

A idéia de desenvolvimento sustentável emergiu principalmente em virtude do fracasso do atual modelo de crescimento capitalista neoliberal. O modelo dominante de desenvolvimento, conhecido como Globalização, é um sistema cultural que estimula a homogeneização de nosso modo de viver, prejudicando a nossa diversidade ecológica e cultural e, objetivando um controle sobre as nossas vidas através de sua principal premissa: a econômica. Por meio do controle ideológico, sociocultural e econômico que nos é imposto, perdemos a nossa maior riqueza – a nossa sociodiversidade e, a possibilidade de encontrarmos caminhos próprios para as nossas limitações. O paradigma hoje se concentra entra o global e o local.

Iniciativas originais e sustentáveis

Muitas experiências no Brasil vêm se contrapondo a esse modelo excludente e, aqui, bem perto de nós, temos alguns exemplos locais positivos que contribuem para a sustentabilidade socioambiental da região. Profissionais perceberam que a parceria com a Mata Atlântica pode render frutos. É o exemplo das iniciativas da Oficina das Ervas, em Galdinópolis e, a produção de mudas da Mata Atlântica, pelo Sítio Terra Romã, em Bocaina - São Pedro da Serra. Esses dois exemplos são especiais, pois trazem como reflexão e prática, além do uso sustentado dos recursos naturais, a possibilidade da reutilização dos saberes tradicionais, muitas vezes esquecidos e desvalorizados. Podemos considerá-las como experiências socioambientais inovadoras, pois se utilizam do etnoconhecimento sob uma nova ótica – a da sustentabilidade.

Pensar novas oportunidades associadas ao contexto socioambiental é pensar com interfaces, em redes, de forma dialógica, em parcerias; é mudar a forma de ver e se apropriar do que temos de mais valia – a Mata Atlântica. É preciso rever conceitos e principalmente posturas; de forma ampla, multidisciplinar, como alavanca a inclusão social, como forma de irradiar uma nova mentalidade – não aquela do café, tão enaltecida como um marco de sucesso, que concentrou renda, monopolizou mentes e destruiu nosso ambiente através de uma única cultura agrícola.

A implementação do desenvolvimento sustentável passa necessariamente por um processo de discussão e comprometimento de toda a sociedade uma vez que implica em mudanças no modo de agir dos agentes sociais. O sucesso das ações implica não só na descentralização das políticas públicas, como também nas condições para a ativa participação da população na gestão dos programas voltados para o desenvolvimento. O fundamento político da sustentabilidade pressupõe o fortalecimento das iniciativas individuais positivas, como aqui citadas e, as organizações comunitárias, através de um processo público transparente, informativo e participativo para o debate e a tomada de decisões. Como política pública, o nosso maior empenho deve se basear em desenvolver seres humanos livres, que sejam capazes por si mesmos, de dar sentido e direção as suas vidas. Para ser autônomo, livre, é preciso um eu forte, dono de seus próprios impulsos, seus instintos e emoções. A formação da cultura sustentável deverá se basear no respeito ao diferente, na pluralidade da vida e principalmente na identidade própria de cada lugar.

Parabéns aos nossos empreendedores socioambientais, que hoje são exemplos e, lutam por um desejo participativo de determinar seu próprio estilo e qualidade de vida, contrariando um modelo de vida empobrecido, igual, globalizado. Que continuem a criar localmente os produtos básicos de sua existência, com garantias de métodos sadios, por meio de alternativas de renda que aumentam a riqueza regional. Reconectar-se com a teia da vida significa construir, nutrir e educar comunidades sustentáveis, nas quais podemos satisfazer nossas aspirações e nossas necessidades sem diminuir as chances das gerações futuras.

Alessandro RifanéArquiteto e Gestor em Etnodesenvolvimento.

Por: ForumSec21