01/04/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

África está preparada para transição rumo a uma economia verde, diz ONU

30/03/2011

Diversos países do continente já desenvolvem estratégias políticas para estimular o crescimento, gerar empregos e reduzir a dependência de combustíveis fósseis

O continente africano está bem preparado para criar oportunidades de desenvolver uma economia verde que gere empregos de uma maneira ambientalmente sustentável, afirmou a ONU nesta segunda-feira (28).

De acordo com Achim Steiner, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o questionamento que surge agora não é se uma economia verde é desejável, mas como implantá-la em termos práticos.

“A África é rica em recursos naturais que em muitas partes do mundo foram exauridos por séculos de desenvolvimento insustentável. A questão fundamental é como todo esse potencial pode ser utilizado para o benefício dos cidadãos africanos, de uma forma que promova a estabilidade na África e fora dela”, disse Steiner.

Essa riqueza encontrada no continente não é apenas de metais preciosos e semipreciosos, mas principalmente de florestas e biodiversidade, o que pode contribuir para sustentar o turismo e para criar inventos e desenvolver avanços farmacêuticos. Além disso, muitos dos países africanos são ricos em combustívei’ naturais, como fontes eólicas, solares e geotérmicas.

Segundo o diretor executivo, a economia verde não substitui o desenvolvimento sustentável, e sim oferece uma maneira de se chegar a este último. “[A economia verde] É tão relevante para economias emergentes quanto para as desenvolvidas; é tão essencial para economias estatais quanto para economias de mercado. Não é uma camisa de força, nem é limitada”.

Em fevereiro deste ano, o PNUMA publicou um relatório garantindo que investir cerca de US$1,3 trilhão – cerca de 2% do PIB mundial – em dez setores-chave ajudaria a estimular o desenvolvimento de um modelo econômico sustentável. Nesse documento, o programa apresentava estatísticas de estudos de caso do mundo todo, incluindo a África, nos quais políticas governamentais estavam estimulando a transição para uma economia verde.

Um dos exemplos é o da África do Sul, cujo Plano de Economia Verde foca-se em investimentos para criar empregos e investe cerca de US$1 bilhão em ferrovias, prédios com eficiência energética e controle de água e de desperdício. Na Uganda, políticas para promover a agricultura orgânica deram certificação a 200 mil fazendeiros e aumentaram as exportações de US$4 milhões em 2003 para os quase US$23 milhões atuais.

Em Ruanda, na República Democrática do Congo e em países do norte da África, iniciativas para restaurar o ecossistema, potenciais programas de REDD e parcerias com empresas europeias de energia solar são, respectivamente, marcos que prometem ser transformadores.

Já no Quênia, a nova política de energia verde, que criou uma tarifa de aquisição e acordos de comércio de energia, está promovendo como meta inicial o desenvolvimento de 500MW de sistemas de energia geotérmica, eólica e do bagaço da cana-de-açúcar, que geraria um crescimento na capacidade instalada do país de mais de 40%.

Ainda nesta semana, o secretário geral da ONU Ban Ki-moon visitará as áreas geotérmicas do Quênia, a noroeste de Nairóbi, para saber como esse desenvolvimento foi alcançado, e como essa tecnologia poderá gerar milhares de novos empregos no setor de energia limpa e reduzir a dependência nos combustíveis fósseis importados.

Rio+20

Steiner afirmou que a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que será realizada no Rio de janeiro em junho de 2012, 20 anos após a ECO-92, pode ser um dos momentos mais importantes para debater assuntos climáticos em nível internacional, e que a África terá a oportunidade de trocar experiências sobre o que foi realizado até então.

“Em 1992, nós só podíamos observar a escala de alguns dos desafios que emergiam no âmbito das alterações climáticas e da perda de terras agrícolas saudáveis e produtivas. Mas no mundo de hoje, muitos desses desafios se tornaram reais. Há uma urgência de evoluir o desenvolvimento sustentável rápida e decisivamente para um nível mais focado e de maior alcance”, disse o diretor executivo.

“A Rio+20 oferece uma oportunidade de acelerar e aumentar a transição, no mundo todo, para gerar crescimento e oportunidades de emprego para cerca de nove bilhões de pessoas até 2050, de uma forma que também mantenha e melhore os serviços regionais e globais que sustentam a geração de riqueza”, acrescentou.

“A experiência da África sobre o que funcionou e o que não funcionou nas últimas duas décadas oferece uma base inestimável para que resultados transformadores possam ser desenvolvidos no próximo ano. O continente africano será invejado de muitas maneiras no século 21. O resto do mundo poderá aprender com a África, assim como a África poderá também aprender com outros continentes”, finalizou Steiner.

Jéssica Lipinski

Por: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais