02/03/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Professores do Estado do Rio lançam Manifesto convocando mobilização geral em 31 de março.

Amigos,

o atual Secretário da Educação do Estado, Wilson Risolia, tem tomado atitudes absurdas em relação ao nosso espezinhado direito essencial ao ensino público de qualidade.

Temos assistido, nos últimos meses, o Governo do Estado atentando contra a ética profissional dos seus funcionários, contra a população e contra a própria L.D.B. (Lei de Diretrizes e Bases da Educação).

A Secretaria da Educação abriu este ano com a proposta de um novo currículo mínimo que prevê um enxugamento das matérias trabalhadas pelas disciplinas escolares, ceifando assim o direito que o aluno tem de conhecer, questionar, criticar, formular pensamentos abstratos e, em consequência disso, adentrar o universo acadêmico público, por meio de concurso de admissão, visto que nem as provas de vestibular nem o ENEM se preocupam se o currículo deve ser mínimo. Além disso, a proposta de currículo da SEE-RJ é extremamente desorganizada. Todos, repito, TODOS os professores têm essa mesma reclamação a esse respeito.

O Currículo Mínimo vem na esteira do Plano de Metas que, segundo o Governo, tem como objetivo fazer com que o IDEB do Rio (penúltimo lugar do Brasil) alcance melhores números. Na verdade, o Plano de Metas baseia-se numa lógica empresarial meritocrática, coisa impossível de se pensar em relação à educação. Não precisamos nos esforçar muito pra compreender que saberes não são produtos, aluno não é consumidor, professor não vendedor e escola não é loja. Entre os pontos negativos do Plano de Metas:

1- fica subentendido que o professor deve adotar a progressão (aprovação) automática, reduzindo ao mínimo a reprovação na escola sob pena de ser punido, em último caso, com remoção da escola em que trabalha.

2- a escola deve ter controle da vida profissional do seu aluno que conclui os estudos.

3- a escola deve ter controle da vida acadêmica do seu aluno que conclui os estudos.

4- o Diretor é responsável pelo quadro completo de professores na sua unidade, ainda que haja falta de professores na Coordenadoria.

5- O programa completo da Secretaria prevê um concurso interno para Diretores, não respeitando o direito democrático à escolha da comunidade.

6- não está previsto o preenchimento do quadro de funcionários escolares com função de apoio pedagógico nem ao educando nem ao educador.

7- a educação pública terá como meta trabalhar apenas o mínimo de conteúdos que o Governo acredita necessário. Não houve uma discussão verdadeira com o principal interessado na mudança: a comunidade escolar.

8- a escola tem de promover uma melhora no ensino com os exíguos recursos que possui, pois a SEEDUC-RJ foi categórica: não será possível onerar o Estado. A intenção é aumentar os indicativos de qualidade da educação, baseando-se apenas em números que servirão para fins estatísticos. Reforços escolares, aulas-extras, aumento da carga horária das disciplinas estão proibidos.

O Secretário Risolia não está preocupado com a educação das nossas crianças e jovens. Sua intenção é aumentar o IDEB de forma enganosa, baseado no resultado das avaliações externas, como é o caso do SAERJ, cujo caráter duvidoso põe em risco a credibilidade das suas intenções.

Pouco cuidadoso e muito arbitrário, o Secretário parece não ter se preocupado muito com as vítimas das enchentes na região serrana do Rio, pois em Nova Friburgo, mais ou menos uma semana antes da data prevista para o início das aulas (07/02/2011), houve uma reunião entre representantes da SEE-RJ e diretores, ficando decidido que algumas escolas deveriam retornar às aulas no dia 08/02/2011 – somente as que estivessem abrigando vítimas das chuvas, uma vez que, segundo ele, com a catástrofe passada, aquelas pessoas já haviam tido tempo de lavar as suas casas (que não existiam mais). As unidades escolares que apresentavam buracos, valas, muros caídos e que não estivessem servindo de abrigo poderiam começar no dia previsto. E começaram. Para os buracos, era responsabilidade da escola colocar um amparo com placa de aviso para se tomar o devido cuidado.

Em vista disso, no dia 31/03/2011 (quinta-feira) haverá uma mobilização geral a favor de uma educação pública de qualidade. Servidores da educação farão um protesto em frente à Alerj e quem não puder comparecer SAIRÁ DE SUA CASA COM UMA FITA PRETA NO BRAÇO em sinal de luto pela educação. Vamos adotar esta ideia. Vamos tentar abalar a arrogância e o autoritarismo do novo Secretário.

Por: Divulgação