18/03/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Fechamento de usinas nucleares alemães resultará em aumento das emissões e do preço do carbono

A decisão do governo Alemão de suspender as operações de 8 usinas nucleares por três meses para realizar inspeções de segurança deverá fazer com que as emissões de gases do efeito estufa do país subam cerca de 8 milhões de toneladas, segundo a Thomson Reuters Point Carbon. Isso porque termoelétricas abastecidas por combustíveis fósseis deverão ser acionadas para suprir a demanda energética.

A Alemanha vai anunciar os detalhes da moratória nuclear no próximo dia 22, mas os preços das permissões de emissão (EUAs) já dispararam no Esquema Europeu (EU ETS), chegando a mais de €17 a tonelada nesta quarta-feira (16).

“Independente do que a inspeção de segurança nas instalações nucleares resolva, parece que a expansão da vida útil das usinas não é mais uma decisão possível do ponto de vista político”, explicou Kai Arne Triphaus, analista de energia da Point Carbon.

Se a chanceler Ângela Merkel resolver realmente manter fechadas as oito usinas, isso pode fazer com os preços das EUAs ultrapassem os €35 durante a terceira fase do EU ETS, após 2012.

“Nós estimamos que sem essas usinas as emissões alemãs aumentem em 64 milhões de toneladas durante o restante da fase dois do EU ETS e em até 435 milhões entre agora e 2020”, afirmou Triphaus.

Entretanto, não há ainda como saber por quanto tempo as termoelétricas vão ser as responsáveis em suprir a demanda de eletricidade, pois o governo alemão pretende acelerar os investimentos em energias renováveis.

Em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (17), Ângela Merkel afirmou que está determinada a gradualmente diminuir o uso de energia nuclear. Para a chanceler, as usinas são uma espécie de fonte de transição entre o uso dos combustíveis fósseis e as renováveis.

“Nós usaremos o período de moratória, que é curto e ambicioso, para impulsionar as mudanças na política energética rumo a era da energia renovável”, conclui Merkel.

Fabiano Ávila

Por: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais