07/01/2011 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Outro vazamento de óleo pode ocorrer se não houver reforma geral, diz relatório

Desastres como o da explosão da plataforma Deepwater Horizon podem acontecer novamente se não houver uma reforma no setor de exploração de petróleo.

A conclusão consta no relatório final de 48 páginas que a comissão de investigação do governo norte-americano vai entregar ao presidente Barack Obama no próximo dia 11, e cujo conteúdo foi obtido antes pela agência de notícias da Associated Press, na quarta-feira.

Corte de custos da BP contribuiu para vazamento no golfo do México, diz relatório

Segundo a comissão, há problemas dentro da própria indústria de exploração de gás e petróleo e os reguladores que supervisionam o setor.

Em pronunciamentos anteriores, tanto a BP (British Petroleum) quanto a comissão do governo indicaram que decisões erradas haviam levado a problemas técnicos. E estes teriam contribuído com o vazamento que ocorreu em 20 de abril, provocando a morte de 11 pessoas e o derramamento de mais de 200 milhões de galões de óleo nas águas do golfo do México.

Agora, pelo texto final, há críticas também para a atuação governamental.

"A explosão não foi produto de uma série de decisões irracionais feita por uma indústria desonesta ou por autoridades que não puderam antecipá-la ou prevê-la", diz o texto. "Ao contrário, as causas são sistêmicas, e a falta de uma reforma significativa tanto na prática industrial quanto na política governamental pode levar a outra ocorrência."

A comissão também destacou um e-mail escrito pelo engenheiro da BP Brett Cocales quatro dias antes de ocorrer o acidente.

A mensagem dizia: "Mas, quem se preocupa, está feito, fim da história, [estará] provavelmente bem e vamos ter um bom trabalho de cementação."

O e-mail foi escrito depois de o engenheiro ter discordado da decisão da BP, que recomendou a ele usar menos peças na cementação, as mesmas que apresentaram problema no poço Macondo, originando o vazamento de óleo.

Relatório sobre vazamento no golfo do México aponta erros "cruciais" da indústria petrolífera

O relatório final sobre o vazamento de petróleo no golfo do México, o mais grave desastre ecológico sofrido pelos Estados Unidos, apontou a existência de "falhas evitáveis" por parte da empresa Bristh Petroleum (BP), além de "erros sistêmicos" da indústria petrolífera.

As informações foram apresentadas pela comissão de especialistas nomeada pelo presidente americano, Barack Obama, para analisar os fatores que provocaram o desastre, ocorrido em 20 de abril de 2010 na plataforma petrolífera Deppwater Horizon, causando a morte de 11 operários e o vazamento de cinco milhões de barris de petróleo no mar.

Relatório final culpa empresas por catástrofe no Golfo do México

Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Depois da explosão, Deepwater Horizon explodiuA britânica BP, a suíça Transocean e a norte-americana Halliburton foram responsabilizadas pelo vazamento de petróleo nos Estados Unidos. Relatório aponta série de cortes e erros que provocaram a catástrofe ambiental.

A explosão da plataforma de exploração de petróleo Deep Horizon, no Golfo do México, foi resultado de "vários deslizes individuais e erros cometidos pela BP, Halliburton e Transocean, que poderiam ter sido evitados", sentencia o relatório final da comissão criada por Barack Obama para investigar o maior vazamento de petróleo da história norte-americana.

O acidente registrado em 20 de abril de 2010 provocou a morte de 11 trabalhadores e despejou milhares de barris de petróleo na costa dos Estados Unidos. Segundo o relatório, as reduções de gastos porparte das empresas responsáveis pela plataforma contribuiu para a catástrofe.

"De forma proposital ou não, muitas das decisões tomadas pela BP, Halliburton e Transocean, que aumentaram o risco de explosão, fizeram com que essas empresas economizassem claramente tempo (e dinheiro)", diz o relatório. A comissão nomeada por Obama logo após a explosão, não tem, no entanto, autoridade para punir as empresas e criar novas políticas.

Bildunterschrift: Imagens de vídeo mostram operação para tentar fechar o poçoResponsabilidade

Segundo o vice-presidente da comissão, Bob Graham, a investigação mostrou que o desastre poderia ter sido evitado. "Essa catástrofe provavelmente não teria acontecido se as empresas responsáveis tivessem sido guiadas pela premissa de colocar a segurança em primeiro lugar."

A comissão também concluiu que o vazamento no Golfo foi resultado de "uma série de riscos, desatenções e erros óbvios". Segundo o relatório, "as raízes das causas são sistêmicas e, caso não haja uma reforma significante na prática industrial e nas políticas governamentais, casos semelhantes podem voltar a se repetir", avisam os relatores.

Bildunterschrift: Mancha de petróleo no Golfo do MéxicoCulpa compartilhada

O consórcio petrolífero britânico BP não se manifestou depois da divulgação do documento. A companhia operava a plataforma, que era de propriedade da suíça Transocean. A Halliburton gerenciava o projeto que cimentou o poço de petróleo.

O relatório criticou o trabalho desenvolvido pela norte-americana Halliburton, que pode ter bombeado o cimento no orifício rompido sem ter feito testes prévios que indicassem que o material era estável.

A empresa, por outro lado, disse que havia comprovado a eficácia do material, e que a comissão "omitiu de modo seletivo informações que teriam sido fornecidas" ao grupo de investigadores oficiais.

A Transocean foi responsabilizada por não ter preparado os trabalhadores de forma adequada.Em resposta, a companhia afirmou que seus funcionários são "bem treinados" e considerados os melhores do ramo.

O vazamento de petróleo só foi controlado depois de três meses da explosão da plataforma. Estima-se que cinco milhões de barris de petróleo tenham sido despejados no mar. A britânica BP está sendo processada em bilhões de dólares pelo governo dos Estados Unidos.

NP/dpa/lusa/afp/rts

Por: FRANCE PRESSE /EFE / Agencias Internacionais