27/12/2010 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Paris terá sistema de compartilhamento de carros elétricos em 2011

Em outubro de 2011 a cidade de Paris irá ganhar um sistema de compartilhamento de carros elétricos. Com ele, qualquer cidadão ou turista poderá alugar um veículo e usá-lo pelo período necessário. Depois, o usuário poderá devolver o carro em qualquer estacionamento do projeto e pagar apenas pelo que utilizou.

Batizado de Autolib, o projeto segue os moldes do Vélib – sistema de aluguel de bicicletas públicas lançado na capital francesa em 2007 e copiado por várias outras cidades, como Londres e Rio de Janeiro.

O veículo escolhido para a empreitada foi o Bluecar. Desenvolvido pelo grupo francês Bolloré, que venceu a licitação da prefeitura de Paris, o carro é 100% elétrico e possui uma autonomia de 250 quilômetros.

O modelo compacto de quatro portas vem equipado com rádio e GPS, e poderá ser recarregado nas estações do sistema, que começarão a ser construídas em abril do próximo ano.

Serão 700 “estações” espalhadas em Paris e outras 300 em cidades próximas à capital. Segundo a prefeitura, a frota prevista inicialmente é de 3 mil carros e deverá atingir 3,5 mil veículos até 2016 – ano de conclusão do projeto.

“O Autolib será o primeiro no mundo, um serviço inovador que poderá revolucionar a maneira de se deslocar nos centros urbanos”, afirmou o prefeito de Paris, Bertrand Delanoë.

O objetivo do projeto é fazer com que os parisienses troquem o veículo próprio pelo serviço. “Na cidade do século XXI, nós podemos, às vezes, precisar utilizar um carro sem, necessariamente, ter um”, afirmou Delanoe, que disse esperar que o serviço “inspire outras metrópoles mundiais”.

Aluguel

Qualquer pessoa, cidadão parisiense ou não, poderá utilizar o Autolib – a única exigência é possuir carteira de motorista. Assim como no Vélib, o usuário terá que fazer uma assinatura, que poderá ser diária (€ 10, cerca de R$ 22), semanal (€ 15, cerca de R$ 33) ou anual (€ 12, cerca de R$ 26).

Já os valores do aluguel irão variar de acordo com o tipo de assinatura. Quem possuir a diária, por exemplo, pagará € 7 pela primeira meia hora de utilização do carro. A segunda meia hora custará € 6 e, a partir da terceira meia hora o usuário irá desembolsar € 8 por cada 30 minutos de uso do veículo.

Veículo utilizado será 100% elétrico

As reservas dos carros ainda poderão ser feitas por internet ou telefone. Ao chegar a uma das estações espalhadas pelas ruas e estacionamentos subterrâneos, o motorista precisará apenas identificar-se, passando seu cartão de assinante por um leitor óptico ou fazer uma assinatura na hora, utilizando o cartão de crédito. O calculo da prefeitura é que a operação dure cerca de dois minutos.

De acordo com o órgão, o objetivo é incentivar os motoristas a utilizar o Autolib para trajetos curtos e devolver rapidamente o carro. O usuário também terá que fazer um depósito de € 250 para retirar o Bluecar.

Criticas

Apesar das promessas da prefeitura, algumas pessoas se opuseram ao projeto. Políticos do Partido Verde francês, por exemplo, afirmaram temer o aumento de veículos na cidade.

A autonomia limitada dos carros e o tempo de recarga (estimado em quatro horas), bem como futuros problemas de vandalismo e furtos, também foram questionados por especialistas.

Quem também tem algumas preocupações quanto ao projeto é o morador parisiense, Olivier Lecina. Em entrevista ao site Terra, ele ressaltou o problema do trânsito na capital, que poderá atrasar os motoristas e fazer com que acabem pagando a mais.

“Eu posso querer entregar o carro meia hora depois e acabar pagando por uma hora e meia por causa dos engarrafamentos”, disse ao portal.

Por outro lado, analistas estimam que o lançamento do Autolib poderá dar grande impulso ao carro elétrico na França, que já foi a grande sensação do Salão do Automóvel de Paris, em outubro passado.

Os motoristas que não precisam do carro todos os dias também deverão se beneficiar do projeto. O custo elevado necessário para manter um veículo próprio em Paris facilitará a escolha de quem quiser adotar o compartilhamento.

“Eu acho que a ideia é muito boa, porque é ecológico, economiza o tempo gasto na procura de uma vaga e, além do mais, não te obriga a ter um carro quando você precisa de um por somente algumas horas” concluiu Lecina.

Por: EcoD