05/11/2010 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Celulares causam mesmo câncer no cérebro?

Estudos começaram na década de 90 e podem levar pelo menos 20 anos para serem conclusivos. Os estudos atuais já apontam graves suspeitas na relação entre celulares e tumores cerebrais.

Desde que tiveram seu uso popularizado, na década de 90 do século passado, os aparelhos de telefonia celular vêm alimentando polêmicas sobre possíveis efeitos nocivos à saúde. Estudos iniciais realizados em cobaias demonstraram que as micro-ondas emitidas pelos celulares eram responsáveis por significativos lapsos de memória. Ratos foram expostos à radiação durante 45 minutos e, em seguida, foi detectado que apresentavam dificuldade para aprender tarefas simples. Esses resultados indicaram que a radiação dos celulares afeta as atividades cerebrais dos mamíferos e, portanto, as dos seres humanos. Sendo assim, tarefas como dirigir veículos e manobrar máquinas pesadas, associadas ao uso dos celulares, são um risco iminente. De forma incompreensível, ainda podemos ver pessoas nas ruas dirigindo enquanto falam ao celular, por longos minutos, sem atentar no perigo a que estão submetendo não só as próprias vidas, mas as vidas dos outros.

Na dúvida, falar pouco

Um estudo divulgado há quase dez anos revelava que os níveis de radiação emitidos pelos aparelhos celulares não deveriam ultrapassar os dois mil watts por grama de tecido. Isso significa dizer que o tempo máximo de uma ligação deveria ser de seis minutos, mantendo-se o aparelho a uma distância de pelo menos dois centímetros e meio da orelha. Com a falta de conclusão das pesquisas acerca dos efeitos nocivos do celular à saúde, vale a precaução: usar o aparelho de preferência em caráter emergencial, para recados ou breves conversas. Além disso, mantê-lo um pouco afastado da cabeça — e nunca “colado” ao ouvido, como se tem observado na prática. Para bate-papos longos recomenda-se o uso do velho e bom telefone fixo, que tem a vantagem de ainda oferecer melhores tarifas que as da telefonia celular.

Risco de tumores é real

Em julho deste ano, foi anunciado o término de uma pesquisa, a maior já feita sobre o tema, em que foram analisadas 14 mil pessoas de 13 países, durante dez anos. Conduzido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o estudo apontou haver de fato uma associação entre o uso do celular e o aumento da incidência de dois tipos de câncer cerebral: o glioma e o meningioma. No primeiro tipo o aumento foi de 15%, enquanto no segundo, quase o dobro: 27%. Foi avaliado um grupo de pessoas que haviam usado o celular durante pelo menos 1.640 horas, o que equivale a 30 minutos de uso diário, ao longo de uma década.

Alguns cientistas, no entanto, afirmam que os dados são imprecisos. Um deles, o biólogo Daniel Krewski, da Universidade de Ottawa, no Canadá, inclusive um dos autores da pesquisa, argumenta que não foi avaliado um número suficiente de indivíduos. Segundo Krewski, muitos dos portadores de algum dos dois tipos de tumor podem ter informado tempo de uso do celular superior ao real, o que distorceria os números. Isso, no fim, estaria criando uma falsa elevação do risco de câncer.

Já o oncologista Lennart Hardell, da Universidade de Orebro, na Suécia, não aceita essa explicação do colega canadense. “O estudo da OMS confirmou de modo inequívoco as descobertas, feitas por vários grupos, de que o celular aumenta o risco de câncer no cérebro”, diz Hardell.

Seja como for, os cientistas querem fazer mais pesquisas. A próxima pretende avaliar 350 mil usuários de celular, em várias partes do mundo, e só será concluída em 2030. Tempo demais, se for levado em consideração o fato de que o número de pessoas que usam o celular, hoje, está prestes a bater a casa dos cinco bilhões.

Sérgio Bernardo

Por: ForumSec21