19/10/2010 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Precificar biodiversidade é a aposta para frear perdas

Japão sedia série de reuniões sobre ecossistemas e a primeira delas, abordando biosegurança, já começa a traçar maneiras de punir os responsáveis por possíveis prejuízos causados pela utilização de organismos geneticamente modificados.

Terminada a rodada de negociações climáticas na China, sem grandes avanços infelizmente, é a vez da biodiversidade receber as atenções dos governos e entidades internacionais.

A partir desta semana, a cidade de Nagoya, no Japão, passa a sediar uma série de reuniões sobre o tema, que culminará com a Conferência das Partes (COP 10) da Convenção sobre Diversidade Biológica entre 18 e 29 de outubro.

O grande objetivo desses encontros será frear a atual taxa de perda de biodiversidade, assim como deixar claro os prejuízos que todos sofrerão se essa missão não for cumprida.

Tanto que uma das grandes atrações em Nagoya será a divulgação do relatório The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB) em sua versão integral, que irá mostrar que o impacto da perda de biodiversidade anualmente é da ordem de US$ 2 trilhões a até US$ 4,5 trilhões.

Estudos recentes mostram que a taxa de desaparecimento de espécies está aumentando e a União Internacional para a Conservação da Natureza já afirmou que estamos presenciando a maior extinção em massa desde o desaparecimento dos dinossauros há 65milhões de anos.

Biosegurança

A primeira reunião em Nagoya, que começou nesta segunda-feira (11), diz respeito à discussão do Protocolo de Cartagena sobre Biosegurança que foi formulado em 2000 e entrou em vigor três anos depois.

O encontro, de cinco dias, conta com mais de quatro mil delegados incluindo membros de governos, da sociedade civil e do setor de biotecnologia. Também participa o diretor-executivo do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Achim Steiner

A primeira novidade que emergiu das conversas diz respeito às compensações por danos causados por culturas geneticamente modificadas. Um grupo de delegados já estaria inclusive trabalhando essa opção no rascunho de novas medidas para serem adotadas pelos países membros do Protocolo.

O novo documento será chamado de “Nagoya-Kuala Lumpur Supplementary Protocol on Liability and Redress" (algo como Protocolo Suplementar sobre Responsabilidade e Reparação) e trará uma série de regras para que os países possam punir empresas cujas culturas geneticamente modificadas causem prejuízos ao meio ambiente.

Também será discutida a importância de criar padrões mundiais para lidar com os impactos ecológicos de tais organismos.

As conversas sobre medidas compensatórias para os possíveis danos ambientais de espécies geneticamente modificadas vêm se arrastando desde 2004 e o potencial risco biológico delas ainda segue sendo desconhecido.

Esse tipo de iniciativa de tentar mensurar os prejuízos da perda da biodiversidade e punir empresas e governos responsáveis por ela deve marcar as conversas durante todo o mês em Nagoya.

A questão é torcer para que a política de atacar o bolso dos culpados realmente funcione e direcione o planeta para uma economia mais sustentável.

Autor: Fabiano Ávila

Por: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais