02/08/2010 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Insetos podem vir a ser a chave para atender à demanda de alimentos da crescente população mundial

Seg, 02/Ago/2010 00:00 Saúde, alimentação e qualidade de vida

A Organização para Alimentos e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) está considerando seriamente a produção de insetos para atender à demanda de alimentos da crescente população mundial.

Damian Carrington

Mulher chinesa vende espetos com escorpiões num quiosque em Pequim, onde eles são considerados uma “delicatesse” depois de fritos em óleo de cozinha. Fotografia de Claro Cortes/Reuters

A criação de animais como bovinos, suínos e carneiros ocupa dois terços da terra agriculturável do planeta e gera 20% dos gases causadores de mudanças climáticas.Em conseqüência, a FAO e outros especialistas querem reduzir a quantidade de carne que comemos, e encontrar alternativas.Um estudo de políticas que inclui uma dieta a base de insetos está sendo seriamente considerado pela FAO, que já considerou essa alternativa num encontro na Tailândia e está se preparando para levá-la a um congresso mundial em 2013.

O professor Arnold van Huis, um entomologista da Universidade de Wageningen, na Bélgica, foi o autor do estudo feito para a ONU.Ele afirma que comer insetos tem vantagens.

“Há uma crise de carne.A população mundial sairá dos 7 bilhões agora e ultrapassará 9 bilhões em 2030.E nós sabemos que as pessoas estão consumindo mais carne.Há 20 anos, a média de consumo anual per capita era de 20 kg, e agora é de 50 kg, e vai ser de 80 kg em 20 anos.Se continuarmos assim precisaremos de uma outra Terra”.– afirma o pesquisador.

“A maior parte do mundo já come insetos.Apenas no Ocidente é que não o fazemos.Nós temos um problema psicológico com isso que eu não sei qual é, já que comemos camarões, que são muito similares.”

As últimas pesquisas indicam que os insetos têm níveis elevados de proteínas, vitaminas e sais minerais.Uma pesquisa recente, conduzida em conjunto com o seu colega Dennis Oonincx demonstrou que cultivar insetos gera muito menos gás carbônico do que os animais de criação hoje utilizados em nossa dieta no Ocidente.A criação de gafanhotos, grilos e minhocas resulta na emissão de 10 vezes menos metano, 300 vezes menos óxidos de nitrogênio – também um agente de mudanças climáticas – e muito menos amônia – poluente produzido em grandes quantidades pela suinocultura e pela avicultura.

Tendo o sangue frio, os insetos convertem os vegetais em proteína de forma muito mais eficiente, afirma Van Huis.Além disso – ele afirma- , os riscos à saúde são menores.O pesquisador reconhece que é uma idéia difícil de ser “vendida” no Ocidente.“A solução está na maneira de preparar os insetos.”

Mais de 1.000 tipos de insetos servem de alimento para os seres humanos no mundo, em 80% dos países.Eles são mais populares nos trópicos, onde atingem tamanhos maiores e são mais fáceis de serem capturados.

Patrick Durst, pesquisador de campo da FAO que dirigiu a conferência sobre o assunto na Tailândia em 2008, ajudou a implantar uma “fazenda” de criação de insetos no Laos.Isso requereu a transferência de conhecimentos de 15.000 criadores de gafanhotos da Tailândia para o país vizinho.Dentre os insetos, Patrick Durst afirma preferir vespas fritas: “muito crocantes e um delicioso aperitivo”.

Apesar da maioria dos asiáticos não ser tolerante à lactose e 90% das pessoas do Laos já terem comido insetos em algum momento da vida,esse hábito vem decrescendo em decorrência da influência ocidental.Durst afirma que a prioridade da FAO será incentivar o consumo de insetos nos locais onde eles já fazem parte da dieta humana.Ele também acredita que esse incentivo pode criar empregos e ajudar a proteger as florestas.“Eu sugiro uma abordagem passo a passo até atingirmos uma escala maior: primeiro, os insetos seriam usados para alimentar frangos e peixes, que os comem naturalmente; e depois, seriam usados como ingredientes.”

Van Huis acrescenta: “estamos buscando formas de moer a carne e fabricar algum tipo de pasta que seria mais facilmente aceitável pelo paladar ocidental”.

Nota da redação da REBIA - Sobre controle populacional, a ONU não gosta de se pronunciar.Hoje em dia, os governos tampouco.

Por: Publicado no The Observer