01/07/2010 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Turismo como ferramenta de inclusão social

Para vice-reitor da Universidade de St. Gallen, sem a integração das populações locais, atividade turística perde em sustentabilidade

Em palestra dada em São Paulo para marcar a abertura do escritório brasileiro da Universidade de St. Gallen, tradicional escola suíça de negócios, fundada em 1898, seu vice-reitor, Thomas Bieger, foi enfático: para muitas populações que vivem à margem da atividade econômica, o turismo é a única chance de atrair recursos e elevar sua qualidade de vida. Porém, se os agentes econômicos que atuam neste segmento não tiverem o cuidado de incluir tais populações em seus projetos de negócios, o turismo não exerce seu potencial de desenvolvimento de tais populações.

“Manter populações tradicionais em seus locais de origem e manter sua cultura, seus hábitos e tradições é hoje o maior desafio do turismo, se este quiser ser realmente sustentável”, declarou Bieger. “No entanto, hoje o que vemos é a evasão desses grupos para centros urbanos onde enfrentam condições degradantes de vida e o consequente abandono de um modo de vida que é, em si, um atrativo que os turistas valorizam, se bem trabalhado”, completa.

Com a experiência de quem chefia a cadeira de Turismo da Universidade de St. Gallen e de quem assessora o governo suíço nesse tema, Bieger explica que a grande vantagem do turismo como atividade econômica é sua capacidade de atrair recursos de fora do local de destino. “Essa forma de atração de investimentos pode se dar de duas formas, que chamamos no jargão econômico de hard e soft development”, explica. “Por hard development designamos o turismo de massa, convencional, que não tem qualquer relação com o local de destino, importando todos os recursos necessários ao receptivo dos turistas, e que tende à padronização. No hard development todos os resorts são parecidos, todas as praias são parecidas. Isso dá segurança ao turista na hora da compra, porém dilui as peculiaridades locais”, detalha.

O chamado soft development é o oposto – e o complemento – do modelo acima. E é a chance de integração das pequenas e médias empresas, de integração das comunidades e de promoção do desenvolvimento local. “No soft development os projetos de turismo devem incluir os recursos e a força de trabalho local desde o início, por meio de incentivos, previstos em contrato. A necessidade de apoio no desenvolvimento da cadeia local de fornecimento contrapõe-se a vantagem competitiva de assegurar um produto turístico diferenciado, que escapa à onda de massificação provocada pelo hard development”, ressalta Bieger.

A integração das populações locais no turismo e a manutenção de sua cultura, hábitos e tradições são mais que uma forma de criar um nicho nessa atividade: é uma tendência. “O turismo surgiu como uma prestação de serviços ao viajante, atendendo suas necessidades básicas de transporte, hospedagem e entretenimento. Mais recentemente, tornou-se uma economia baseada na experiência do consumidor, que buscava viver emoções ou buscar aprendizado. Hoje, estamos na fase da economia de transformação, isto é, o consumidor busca pelo turismo e por experiências de vida que o transformem como pessoa”, explica. Segundo Thomas Bieger, a economia de transformação exige que o desenvolvimento de produtos turísticos contemplem diferentes níveis para incorporar do iniciante àquele que já teve experiências prévias naquela atividade. “A integração da população local, que conhece o destino profundamente, é fundamental no desenvolvimento desses níveis, os quais, por sua vez, são cruciais para a perenização daquele produto turístico. Caso contrário, cai-se no dilema que se vive na economia de experiência: uma vez que o consumidor a viveu, é muito difícil atraí-lo novamente”, declara.

Sobre Thomas Bieger

Doutor em Economia e Ciências Sociais pela Universidade de Basel, Thomas Bieger ocupou várias posições na Universidade de Basel, na Universidade de Innsbruck e na Fachhochschule Luzern, na Suíça, até ingressar na Mittel- und Tourismusfachschule Samedan onde, como diretor, liderou a criação de uma escola de turismo. Em 1997, Bieger entrou para a Universidsade de St. Gallen onde, alguns anos depois, assumiu a função de diretor executivo do Instituto de Serviços Públicos e Turismo. Em 2005 tornou-se vice-reitor da instituição e presidente responsável pelos programas de intercâmbio. Por conta de seu profundo conhecimento da atividade turística, Bieger também é conselheiro de várias empresas do setor, além de ser secretário geral da Associação Internacional de Especialistas em Turismo (AIEST, na sigla em inglês).

Sobre a Universidade de St. Gallen

A Universidade St. Gallen - HSG é umas principais universidades econômicas na Europa. Fundada em 1898, ela possui hoje mais de 6400 estudantes de 80 nações nos cursos de administração, economia, direito e ciências sociais. Pela sua educação integral, de alto nível acadêmico, a universidade recebeu o selo de aprovação EQUIS e AACSB. É possível obter diplomas de bacharel, mestrado e doutorado, Ph. D. respectivamente. Além disso, a HSG oferece cursos de aperfeiçoamento abrangentes e de primeira classe. Os pontos focais de pesquisa na HSG são seus 40 institutos, postos e centros de pesquisa, que fazem parte da Universidade. Os institutos são em grande parte entidades autônomas e se autofinanciam, porém são ligados a Universidade.

Por: Aviv Comunicação