28/06/2010 Noticia AnteriorPróxima Noticia

ONU cobra responsabilidade de corporações

As corporações transnacionais terão que se guiar pelas normas sociais e éticas ou correm o risco de serem isoladas politicamente, enfatizou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, em uma reunião de dois dias que terminou no dia 25, em Nova York. Falando a 1.200 executivos, Ban Ki-moon alertou que as empresas devem ter de um lado sua devoção pelos ganhos no curto prazo e de outro praticar a responsabilidade social corporativa.

Nos últimos dois anos, a ONU eliminou de sua lista 1.300 empresas por não comunicarem os avanços na implementação de dez princípios éticos que se espera que cumpram quando aderem ao Pacto Mundial da organização. “O Pacto pode ser uma iniciativa voluntária”, mas isso não significa que as Nações Unidas deem pouca ênfase ao seu controle, disse Ban aos presentes à reunião, uma das maiores do mundo a reunir executivos de corporações sob um mesmo teto.

Os dez princípios da ONU incluem assuntos relativos a direitos humanos, regulações trabalhistas, padrões ambientais e medidas anticorrupção. No Pacto Mundial há oito mil participantes e as Nações Unidas fixaram um novo objetivo, de chegar a 20 mil até 2020, afirmou Ban. Também disse que foram identificadas 15 novas oportunidades de alianças, “15 maneiras de avançarmos rumo aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”.

Essas metas, definidas em 2000 pela Assembleia Geral da ONU, incluem reduzir pela metade a proporção de pessoas que sofrem pobreza e fome, em relação a 1990, garantir educação primária universal, promover a igualdade de gênero, reduzir a mortalidade infantil e materna, combater a aids, a malária e outras doenças, assegurar a sustentabilidade ambiental, e fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento, tudo isto até 2015. “Os investimentos no mundo em desenvolvimento são investimentos no crescimento de todas as partes”, enfatizou Ban.

Georg Kell, diretor-executivo do Escritório do Pacto Mundial, admitiu que, embora a responsabilidade corporativa continue ocupando lugar prioritário na agenda empresarial, muitas empresas não incluem políticas pelos direitos humanos e contra a corrupção. Um estudo mundial feito pelo Escritório revelou muitos avanços, mas também apresentou sérias brechas nos esforços para promover a responsabilidade social corporativa. Da pesquisa participaram 1.044 companhias de 97 países, que representam quase 20% dos participantes do Pacto Mundial no ano passado.

Embora a maioria tenha informado que colocaram em prática políticas trabalhistas e ambientais, apenas 31% fizeram o mesmo em relação aos direitos humanos e 32% quanto à corrupção, disse Kell. O diretor afirmou que, em linha com a Organização Mundial da Saúde, o Pacto Mundial desestimula as empresas do setor do tabaco a se integrarem a esse organismo. Porém, o Pacto não tem uma base legal que permita mantê-las à margem. O Pacto não aceita contribuições de firmas cujas políticas ou práticas diferem de seus objetivos, acrescentou.

Por outro lado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) exortou os líderes corporativos a elaborarem políticas socialmente responsáveis para eliminar o trabalho infantil em suas fábricas. “Proteger os direitos das crianças é uma responsabilidade mundial que requer compromissos de todos nós, em cada setor”, disse o diretor-executivo do Unicef, Anthony Lake. Em um comunicado conjunto, o Fundo das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) e o Escritório do Pacto Mundial, exigiram que os executivos eliminem a discriminação de gênero nos locais de trabalho.

Cerca de 40 líderes empresariais formaram o primeiro grupo a aprovar uma declaração de apoio aos princípios de poder feminino. “Estes executivos afirmam o apoio de alto nível necessário para os princípios de poder das mulheres para que ganhe impulso em companhias individuais e em suas culturas”, afirmou a diretora-executiva do Unifem, Inés Alberdi.

A reunião de dois dias na ONU aconteceu num momento em que os Estados Unidos enfrentam um de seus maiores desafios ambientais. No dia 20 de abril, a torre de perfuração Deepwater Horizon – da empresa suíça Transocean Ltd., alugada pela multinacional British Petroleum – explodiu e pegou fogo diante da costa do Estado da Louisiana. Dois dias depois afundou. O vazamento de óleo ainda não foi controlado.

“Temos que aprender lições com este vazamento, que ajudarão as empresas de todos os setores a desenvolverem melhores políticas e procedimentos para abordar os riscos ambientais”, afirmou Ban aos jornalistas ao ser consultado sobre o impacto da catástrofe. Todas as inovações tecnológicas disponíveis atualmente trazem em si algum risco, mas é preciso fazer todo o possível para preveni-los e minimizá-los, acrescentou.

Por: IPS/Envolverde