28/06/2010 Noticia AnteriorPróxima Noticia

G20 promete reduzir subsídios para energia fóssil

Encontro das maiores economias do mundo termina com uma declaração na qual os países se comprometem a buscar maneiras mais sustentáveis de crescimento e a diminuir a ajuda para as indústrias do petróleo e carvão.

O fim de semana em Toronto, no Canadá, onde se encontraram os representantes das maiores economias do mundo, foi bastante agitado, tanto nas mesas de negociação quanto nas ruas tomadas por protestantes. Ao todo, 560 pessoas acabaram presas, mas a pressão que elas fizeram parece ter surtido efeito. A declaração final da reunião apresentou indicações de um comprometimento inédito com o desenvolvimento sustentável e com a redução dos subsídios para os combustíveis fósseis.

Antes mesmo do encontro começar, já existia entre os negociadores a idéia de que as nações industrializadas e emergentes concordariam com a adoção de medidas “voluntárias” para cortar os incentivos para a produção e o consumo de carvão e petróleo. Porém, a declaração final não traz a palavra “voluntária” e isso torna a decisão um compromisso para todos os membros do G20. Alguns dão o crédito desse avanço para o presidente norte-americano Barack Obama.

Outra medida sobre a questão que não era esperada foi a sugestão de um processo de revisão para acompanhar os progressos dos países em reduzirem seus subsídios.

De acordo com um relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE), os combustíveis fósseis recebem US$ 550 bilhões em ajuda pública. A instituição alerta que esses enormes subsídios estão influenciando os mercados e inibindo o crescimento de fontes mais limpas de energia.

Crescimento Sustentável

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu na semana passada para que o G20 se foque no crescimento sustentável como a melhor maneira de alcançar as metas do milênio (conjunto de objetivos para a educação, saúde, meio ambiente e mitigação da pobreza) e ainda combater a recessão e as mudanças climáticas.

“Baseado na nossa experiência coletiva, a melhor opção para um crescimento econômico sólido e equilibrado está em por no papel central o desenvolvimento sustentável e investir na economia verde”, afirmou o Ban Ki-moon.

Parece que o pedido do Secretário-Geral foi ao menos reconhecido e a declaração final da reunião do G20 traz alguns itens falando da necessidade de se optar pelo crescimento sustentável e na importância de se buscar as metas do milênio propostas pela ONU.

“Nós reiteramos nosso comprometimento com um crescimento global sustentável e na geração de empregos através da recuperação verde (...) Reconhecemos a importância de que sejam alcançadas as metas do milênio em 2015 e a necessidade de ajudar os países mais pobres”, afirma a declaração do G20.

As mudanças climáticas também receberam destaque, com os membros do Acordo de Copenhague reafirmando suas intenções de limitar as emissões de gases do efeito estufa e de buscar incentivar toda a comunidade internacional a fazer o mesmo.

O G20 também se comprometeu a prestigiar as negociações para um tratado climático global sob a tutela do UNFCCC, o braço do clima da ONU. O grupo espera que a próxima Conferência das Partes (COP 16) em Cancun, no México, no final do ano, traga avanços em questões como metas e financiamento.

Por fim, foram feitas críticas ao desastre do vazamento de petróleo no Golfo do México e como ele foi administrado.

“Nós reconhecemos que precisamos promover um intercâmbio das melhores práticas de proteção do ecossistema marinho, para prevenir acidentes relacionados com a exploração e transporte de petróleo no mar e lidar melhor com as conseqüências”, afirma a declaração.

A explosão da plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP, em abril, matou 11 pessoas e vem causando o vazamento diário de cerca de 100 mil barris de petróleo. Uma tragédia que a Casa Branca chamou de o pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

Por: CarbonoBrasil/Agências Internacionais